Gomes Cravinho defende aumento de financiamento da Aicep

  • Lusa
  • 12 Outubro 2022

“Sim, maior internacionalização da economia portuguesa significa maior investimento nesses processos de internacionalização”, defendeu o ministro.

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), João Gomes Cravinho, disse esta quarta-feira que é fundamental o aumento do financiamento da AICEP para desenvolver mecanismos em que as empresas trabalhem com o Estado para a sua internacionalização. “Aquilo que é fundamental é o aumento do financiamento. O financiamento tem de vir de vários fatores e nós temos agora um conjunto de fundos novos que não existiam no passado”, adiantou João Gomes Cravinho.

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No entender do chefe da diplomacia portuguesa, entre os novos fundos de financiamento da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) estão “fundos europeus ligados à transição digital e à transição energética”. “Temos de saber ir utilizá-los, portanto, também aí há um processo de aprendizagem. Por outro lado, temos de desenvolver mecanismos ‘ganha ganha’, como dizem no Brasil”, apontou o ministro.

Ou seja, explicou João Gomes Cravinho, “mecanismos em que as empresas trabalham juntamente com a instituição do Estado, a AICEP e outras, para financiar a sua internacionalização e trazer e levar no lastro outras empresas portuguesas”. “Sim, maior internacionalização da economia portuguesa significa maior investimento nesses processos de internacionalização”, defendeu o ministro, em declarações aos jornalistas no final da sessão de encerramento da conferência dos 15 anos da AICEP, em Viseu.

Para essa internacionalização, frisou o governante, exige-se também “adaptação na forma de trabalhar face aos novos desafios que se colocam às empresas” portuguesas como “a digitalização e tudo o que isso implica em matéria de processos de produção”.

“A questão das transformações energéticas de transição verde, o panorama que nós vivemos atualmente de guerra com a instabilidade que isso traz. Quando o Governo atribui à internacionalização da economia portuguesa uma função de motor para o nosso crescimento, significa que temos de ter uma atenção particular e uma grande proximidade em relação às empresas”, admitiu.

E, para isso, acrescentou, o Governo tem de “ter um contacto mais profundo, apoiar as empresas que não estão internacionalizadas, mas que gostariam de estar, porque o crescimento da internacionalização tem de vir daí, a maior parte e isso significa capacitar essas empresas”, por exemplo, através da “transformação geracional”.

“Nós sabemos que os jovens têm uma formação superior à gente da minha idade e, portanto, a transformação geracional nas empresas ajuda a essa maior abertura da internacionalização, mas quem nunca participou num processo de internacionalização precisa de apoio, ninguém nasce já ensinado”, disse.

Tendo em conta o contexto atual de guerra na Europa, com a invasão russa da Ucrânia, a internacionalização tem “riscos mais elevados”, que “são facilmente identificáveis”, segundo admitiu Gomes Cravinho. “Resultam da imprevisibilidade do curso da guerra, da duração da guerra e das consequências da guerra”, prosseguiu.

Neste sentido, o ministro apontou uma preocupação que “começa a haver” por todo o mundo e que “a própria Covid já tinha mostrado”, ou seja, “a globalização que existia até agora” e que mostrou a necessidade de “haver um equilíbrio entre confiança e dependência”.

“Só podemos estar dependentes daqueles em quem confiamos e esse equilíbrio vai provocar uma alteração de investimentos, de cadeias de fornecimento e a economia portuguesa, Portugal é um país que a esse respeito tem alguma facilidade de contacto com todo o mundo, a economia portuguesa pode ser uma das beneficiárias deste processo de reorganização da economia mundial em função das guerras e das incertezas”, assumiu.

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