PRR obriga Estado a fazer mudanças orgânicas
Por causa do PRR, o Governo já mexeu, pelo menos, em dez serviços e organismos públicos ao nível das direções. Mas assim também garantiu melhorias salariais nas equipas.
O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está a obrigar o Estado a fazer mudanças na sua orgânica. A mais recente foi na Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), publicada esta quarta-feira em Diário da República, mas o Governo já mexeu, pelo menos, em dez serviços e organismos públicos ao nível das direções. E, assim, também garantiu melhorias salariais nas equipas.
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De acordo com um levantamento feito pelo ECO, em quatro entidades houve uma redução dos conselhos diretivos e em três um aumento e noutras três as regras foram revistas para permitir valorizações salariais. As alterações introduzidas, muitas já datam de maio, visam reforçar as componentes informáticas e de recolha de dados, pontos fundamentais para assegurar uma monitorização do PRR, no qual os desembolsos estão dependentes do cumprimento de metas e marcos.
Por exemplo, o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo passou a ser dirigido por um diretor, coadjuvado por um subdiretor – cargos de direção superior de 1.º e 2.º graus, respetivamente –, um cargo que não existia anteriormente. Também o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, que foi equiparado a entidade pública empresarial no âmbito das suas atribuições na área da gestão dos sistemas e tecnologias de informação da Justiça, podendo passar a recrutar técnicos e especialistas de informática, ganhou um vice-presidente passando o conselho diretivo a constituído por um presidente, um vice-presidente e dois vogais.
Mas na esfera do Ministério da Justiça, a Direção-Geral da Política de Justiça perde um subdiretor-geral, ou seja, o diretor-geral passou a ser coadjuvado por dois subdiretores-gerais, com cargos de direção superior de 1.º e 2.º graus, respetivamente. Esta direção tem por missão prestar apoio técnico, acompanhar e monitorizar políticas, organizar e fomentar o recurso aos tribunais arbitrais, aos julgados de paz e a outros meios extrajudiciais de resolução de conflitos, e é responsável pela informação estatística da área da Justiça.
Situação idêntica na Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência que passou a ser liderada por um diretor-geral e um subdiretor-geral, e não dois como até aqui.
Sob a alçada do ministro João Costa está também o Instituto de Gestão Financeira da Educação que garante a programação, a gestão financeira e o planeamento estratégico e operacional das áreas governativas da ciência, tecnologia, ensino superior e educação, mas neste caso o conselho diretivo passou a contar com um vice-presidente além do presidente e dois vogais.
Na Direção-Geral do Património Cultural, a opção foi reduzir para três os subdiretores gerais, numa alteração que visava a operacionalização dos investimentos previstos no PRR em matéria de requalificação do património cultural imóvel, bem como no domínio da transição digital, em particular no desenvolvimento e monitorização de soluções tecnológicas de acesso às coleções, arquivos e bases de dados da responsabilidade da Direção-Geral do Património Cultural. Mas ainda assim foi necessário promover mais alterações.
Finalmente, o IAPMEI, que tem um papel fundamental na gestão dos sistemas de incentivo ao investimento empresarial e ajudar a promover a adoção de tecnologias digitais avançadas por parte das empresas perdeu um vogal não executivo, passando o conselho diretivo a ser composto por um presidente, um vice-presidente e dois vogais.
Mas houve necessidade de mexer noutros organismo como o Instituto de Informática, que foi equiparado a entidade pública empresarial, no âmbito das suas atribuições de construção, gestão e operação de sistemas aplicacionais e de infraestruturas tecnológicas nas áreas de tecnologias de informação do Ministério do Trabalho e Segurança Social e até na própria Direção-Geral do Orçamento, organismo essencial à gestão financeira pública e à boa implementação da Lei de Enquadramento Orçamental e concretização do PRR, a que é atribuída a responsabilidade de coordenação de um centro de competências para a gestão financeira pública.
E para que as equipas possam responder aos desafios, que resultam da execução do PRR, da Estratégia para a Inovação e Modernização do Estado e da Administração Pública 2020-2023 e do Plano de Ação para a Transição Digital de Portugal, há valorizações salariais. Por exemplo, na Unidade de Implementação da Lei de Enquadramento Orçamental o seu coordenador e responsável técnico são equiparados a cargos de direção superior de 1.º e 2.º grau, respetivamente e na Direção-Geral de Política do Mar aos chefes de equipas multidisciplinares é atribuído um estatuto remuneratório equiparado a chefe de divisão.
E no Centro de Gestão da Rede Informática do Governo, que passa a ter a responsabilidade pela gestão do Portal do Governo, os técnicos têm uma remuneração base fixada entre as posições remuneratórias previstas para a categoria e carreira de técnico superior, tendo em conta “a natureza e complexidade das funções exercidas, a experiência profissional e as habilitações académicas”.
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