Combustíveis estão em máximos. ENSE aponta o dedo à margem das gasolineiras
ENSE analisou os preços dos combustíveis, numa altura em que estes atingem máximos. Afasta culpas à fiscalidade, apontando como explicação o aumento da margem das gasolineiras.
Os preços dos combustíveis não param de subir. A escalada das cotações do petróleo explica o custo agravado que os automobilistas suportam de cada vez que vão aos postos de abastecimento, mas não só. De acordo com a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), tem-se assistido a um diferencial cada vez mais elevado entre os valores de referência calculados pela entidade fiscalizadora do mercado de combustíveis e o de venda ao público. Esse diferencial começou a aumentar com o primeiro confinamento, mantendo-se desde então. A margem supera os 20 cêntimos por litro tanto na gasolina como no gasóleo.
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Depois de confirmar que “os preços médios de venda ao público estão em máximos de dois anos, em todos os combustíveis”, a entidade liderada por Filipe Meirinho foi perceber porque é que isto está a acontecer, num contexto de agravamento dos preços do petróleo a nível internacional. Há esse efeito de base, mas a ENSE vê outros, que já se verificam desde que a pandemia chegou ao país.
Logo que a Covid-19 obrigou o país a confinar, o consumo de combustíveis afundou. Com o petróleo a afundar, os preços desceram, mas o ritmo de queda do preço de referência ENSE foi ligeiramente superior ao ritmo da descida do preço médio de venda ao público (PMVP) entre 1 de março 2020 e o final do ano de 2020, tendo sido mais acentuado no período crítico da pandemia entre março e maio de 2020 com um aumento mais pronunciado da margem bruta”.
Este ano, com a retoma global, muito por causa das perspetivas positivas por causa da vacinação, os preços do petróleo dispararam. E o dos combustíveis seguiram a tendência, mas se em 2020 o PMVP desceu mais devagar, agora está a subir mais rapidamente. “Entre março e junho de 2021, é possível observar um aumento generalizado no PMVP de todos os combustíveis analisados”, diz a ENSE.
“No caso da gasolina, este aumento é superior ao aumento do preço de referência ENSE, tendo-se reforçado em 4 cts/l, sendo que no gasóleo houve uma descida de 1 cts/l na margem pois enquanto o PMVP aumentou 10 cts/l o preço de referência aumentou 11 cts/l”, sublinha.
O resultado deste movimento é um aumento da margem entre ambas as medidas, margem essa da qual as gasolineiras estarão a beneficiar. “No que diz respeito às margens apuradas pela ENSE, durante o ano de 2020 e 2021 a margem média anual foi superior à média registada para o ano de 2019 – período anterior à pandemia”, diz a ENSE.

A entidade fiscalizadora compara as margens médias registadas no primeiro semestre deste ano e as de 2020 e 2019. A conclusão é de que desde o ano passado que está acima dos 20 cêntimos por litro tanto na gasolina como no caso do gasóleo, o combustível mais utilizado no mercado nacional. São inferiores às registadas em 2020, mas registam um aumento de 33% face a 2019 no caso da gasolina e de 8% no diesel.
“É de destacar que a margem bruta (spread entre PMVP e Preços de referência ENSE) era a 30 de junho de 2021 de 27,1 cts/l na gasolina (+9,6cts/l do que em 1/1/2019) e de 20,8 cts/l no gasóleo (+2,3 cts/l do que em 1/1/2019)”, diz a ENSE, sublinhando, com estes dados, que a subida dos preços dos combustíveis nos postos de abastecimento “é mais justificada pelo aumento dos preços antes de impostos e das margens do que pelo aumento do peso da fiscalidade”.
Apesar de afastar responsabilidade à fiscalidade, a realidade é que Portugal é dos países europeus em que a carga fiscal sobre os combustíveis é mais elevada, representando cerca de 60% do custo suportado pelos consumidores. A fiscalidade não sofreu grandes alterações neste período, contudo não deixa de ter influência na subida dos preços.
A grande “fatia” de impostos sobre os combustíveis é da responsabilidade do ISP, que é uma componente fixa, havendo outros, como a contribuição para o setor rodoviário. Em cima deste imposto — que permitiu ao Estado arrecadar 590,5 milhões de euros até abril deste ano — e do preço base dos combustíveis recai, depois, o IVA a 23%. Com a subida do preço base, a “fatura” do IVA também sobe, acabando por ampliar o efeito do aumento dos preços na hora de atestar.
(Notícia atualizada às 10h50 com mais informação)
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