Falhas dos auditores levaram CMVM a abrir 12 processos de contraordenação

A CMVM proferiu 19 decisões sobre processos de contraordenação, no segundo trimestre do ano, e foram aplicadas coimas no total de 352.500 euros.

A violação dos deveres de atuação dos auditores foi a causa para a abertura de 12 processos de contraordenação pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) no segundo trimestre do ano. O supervisor liderado por Gabriela Figueiredo Dias já tinha avisado as empresas de auditoria para a necessidade de terem especial cuidado neste período marcado pelo impacto da pandemia.

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No segundo trimestre de 2019, “foram instaurados 12 processos de contraordenação por violação dos deveres de atuação dos auditores“, anunciou esta quarta-feira a CMVM em comunicado. Em março, o supervisor fez uma série de recomendações aos supervisionados para limitar o risco gerado pelo surto de coronavírus.

Entre estas estava um alerta aos auditores, a quem pedia que implementassem procedimentos e práticas que garantissem a qualidade da auditoria. Num período de apresentação de contas por essas empresas e entidades, a CMVM salientava a importância de assegurar que os auditores desempenham as suas atividades tendo em conta todas as circunstâncias relevantes e no cumprimento das normas aplicáveis.

Quatro meses depois, o supervisor revela que o número de novos processos abertos disparou. No primeiro trimestre do ano, as auditoras foram alvo de apenas 3 novos processos de contraordenação e, no período homólogo, não tinha sido aberto nenhum.

Quanto às decisões sobre processos de contraordenação já existentes, a CMVM proferiu 19 decisões, das quais 12 por violação dos deveres de atuação dos auditores, três referentes a deveres de intermediação financeira, dois referentes à atividade dos organismos de investimento coletivo e ainda dois sobre deveres de negociação em mercado.

“As decisões tomadas entre abril e junho respeitam a 5 processos de contraordenação muito graves, 24 processos de contraordenação graves e 3 menos graves, tendo sido aplicadas coimas no total de 352.500 euros e 24 admoestações“, explica a CMVM sobre as multas que revertem para o Sistema de Indemnização aos Investidores.

No final de junho, estavam em curso 72 processos de contraordenação na CMVM. Destes, 24 respeitam a violações de deveres de intermediação financeira, 18 são referentes à atuação dos auditores, 10 são referentes à atividade dos organismos de investimento coletivo, oito respeitam a violação de deveres de negociação em mercado, sete relativos a violações de deveres de informação ao mercado, cinco referentes a deveres de combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.

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