PS cede à esquerda e admite que, em casos excecionais, famílias possam entregar a casa ao banco para saldar dívidas

O PS cedeu e, depois de ter estado em negociações com a esquerda, admite que as famílias em "situação económica muito difícil" possam entregar a casa ao banco para saldar o empréstimo.

O PS apresentou esta quarta-feira 46 propostas de alteração à Lei de Bases da Habitação, o que levou ao adiamento das votações. Entre as principais propostas apresentadas pelos socialistas destacam-se a entrega da casa ao banco para saldar as dívidas, mas apenas nos casos das famílias que estejam em “situação económica muito difícil”.

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Depois de negociações com os partidos de esquerda, os socialistas cederam em certos pontos, alguns que geraram bastante discussão. O Bloco de Esquerda e o PCP defendiam que a dação dos imóveis em cumprimento deveria ser aprovada, mas os socialistas admitiam que isso poderia acontecer caso estivesse inicialmente estipulado no contrato.

“Aos devedores de crédito à habitação que se encontrem em situação económica muito difícil pode ser aplicado um regime legal extraordinário de proteção, que inclua, nomeadamente, a possibilidade de reestruturação da dívida, a dação em cumprimento, ou medidas substitutivas da execução hipotecária“, lê-se no documento de propostas de alteração apresentado pelo PS.

No documento apresentado esta quarta-feira aos partidos, o PS avançou com 46 propostas de alteração ao próprio texto da Lei de Bases da Habitação. Alterações essas que, segundo o deputado socialista João Paulo Correia são resultado de “um diálogo com o PCP e o Bloco de Esquerda, que permitiu pontos de entendimento sobre determinadas matérias”.

O esforço dos socialistas foi no sentido de as propostas serem “o mais convergentes possível”, disse. Entre as principais alterações destacam-se a clarificação de que “o Estado promove o uso efetivo de habitações devolutas de propriedade pública e incentiva o uso efetivo de habitações devolutas de propriedade privada” e que este “procederá prioritariamente à utilização do património edificado público, mobilizável para programas habitacionais destinados ao arrendamento”.

PCP anuncia acordo com Governo

Momentos após o encontro do grupo de trabalho, onde se chegou a um consenso para começar as votações na próxima terça-feira de manhã, o PCP anunciou em conferência de imprensa que chegou a uma “base de entendimento com o Governo” para viabilizar a nova Lei de Bases da Habitação. “O PCP chegou a uma base de entendimento com o Governo que possibilita a aprovação de uma primeira Lei de Bases da Habitação no nosso país”, disse Paula Santos, a deputada comunista presente no grupo de trabalho da habitação.

Paula Santos sublinhou que “desde o primeiro momento”, o partido esforçou-se para adotar uma “perspetiva construtiva que permitisse a aprovação da lei”, algo que foi conseguido através do “exame comum entre PCP e Governo”.

“Não obstante não ser a proposta que o PCP apresentou, pois existem um conjunto de matérias em que não foi possível chegar a uma base de entendimento, queremos salientar o princípio do direito à habitação condigna para todos os cidadãos”, continuou.

A nova proposta da Lei de Bases da Habitação tem definidas como prioridade as carências habitacionais, como a “mobilização prioritária do património habitacional público”, o “Programa Nacional de Habitação e a Carta Municipal de Habitação, que passa a integrar o Plano Diretor Municipal”, e a “valorização da participação dos cidadãos, inquilinos e moradores, através de associações ou cooperativas”.

Apesar disso, para a deputada do PCP era possível ter-se chegado mais longe, nomeadamente com o avanço de “um conjunto de propostas como o direito de preferência em função do valor patrimonial tributário, por exemplo”.

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