Rio ganhou “direito a ir a eleições com Costa”, diz Marques Mendes. “Montenegro ficou na pole position” para o PSD
Rio foi "inteligente" perante o desafio de Montenegro. Por isso, ganhou. Agora ninguém o contestará até às legislativas, mas, diz Marques Mendes, Montenegro ficou na pole position para liderar o PSD.
Rui Rio viu a sua liderança desafiada. Montenegro queria diretas, mas o líder do PSD optou por “jogar em casa”, onde nunca nenhum líder do partido perdeu. Foi uma jogada “muito inteligente”, na perspetiva de Marques Mendes, que diz que Rio conquistou o direito a disputar as eleições legislativas com António Costa. Montenegro pode não ter vencido agora, mas fica bem posicionado para vir a assumir a liderança do partido. E outros poderão concorrer com ele, mas dependerá se o PS tem ou não maioria absoluta.
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No habitual comentário semanal no Jornal da Noite da SIC, Marques Mendes diz que “Rui Rio foi inteligente. Foi muito inteligente” na forma como geriu o desafio de Montenegro. Rio ganhou por “três razões: jogou em casa (não foi a diretas, que implicam mais risco, foi ao Conselho Nacional, onde nunca nenhum líder perdeu); teve mérito nos discursos, que foram assertivos, acutilantes, aquilo que não têm sido contra Costa; e foi muito profissional, no discurso e na comunicação. Tem mérito no resultado”.
Rio venceu, mas foi uma vitória “no plano interno. Ganhou o direito de ir a eleições com António Costa, e é bom que assim seja, Ganhou ele, ganharam as estruturas e o partido”, que tem agora “outra motivação, outra adrenalina“. Mas defende que agora é altura de Rio fazer uma reflexão para perceber o que tem de mudar na sua liderança. E “como pessoa inteligente que é”, Mendes acredita que será capaz de fazer essa reflexão e de se adaptar.
“Ao longo da crise, muita gente esteve ao lado de Rui, mas mesmo estes não elogiaram o seu trabalho. Ninguém disse que deve ficar porque está a fazer grande trabalho. Ele é líder, mas os apoiantes não estão satisfeitos. Devia mudar. Devia adaptar-se. Devia ser mais inclusivo, acutilante e diferenciador. Inclusivo ao chamar a trabalhar com ele mais pessoas, caso de Miguel Albuquerque. Devia ser tão acutilante com Costa como foi com Montenegro. E diferenciador. O PSD tem de começar a apresentar propostas que façam a diferença”.
Montenegro fica na pole position
Apesar da derrota no Conselho Nacional, Luís Montenegro teve o “mérito de ser corajoso, representando uma parte que não está satisfeita” no PSD. “Fica na pole position para ser líder a seguir. Aconteceu sempre isso a quem contestou as lideranças. É a tradição do PSD. Fica na pole, mas pode ter outros candidatos”, diz Mendes. E entre esses outros potenciais candidatos, vê Passos Coelho mas também Paulo Rangel.
Pedro Passos Coelho “tem direito [a voltar], mas não me parece inteligente que o faça”, acrescentando que não terá condições para ser novamente primeiro-ministro. “Montenegro está na pole“, mas “Paulo Rangel pode vir a ser candidato. Tem mais do que qualidades. É preciso contar com ele”, diz, revelando que “vai ser o cabeça de lista [do PSD] nas Europeias”.
Mendes fala ainda de uma nova geração dentro do PSD, apontando nomes como Carlos Moedas, Miguel Pinto Luz, Pedro Duarte e Miguel Morgado, mas quem avançará e se avançará para disputar a liderança de Rio após as legislativas dependerá do resultado que sair delas. “Depende se o PS tem maioria absoluta nas eleições. Se o PS não tiver, pode incentivar a que outros avancem”, diz, rematando que o “ogo começa depois das legislativas”.
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