Lisboa, Porto, Aveiro e Cávado são as regiões mais desenvolvidas

Há regiões do país mais competitivas, mas há outras onde a coesão é maior. Naquelas onde a competitividade menor, a qualidade ambiental é superior. INE faz retrato do desenvolvimento global.

A economia portuguesa cresceu 1,6% em 2016, mas será que o desenvolvimento ao nível das regiões foi igual para todos? Nem por isso. O desenvolvimento regional do país não se mede apenas pela competitividade, mas também pela coesão e pela qualidade do ambiente. A partir destas três vertentes, o Instituto Nacional de Estatística (INE) calcula o Índice Sintético de Desenvolvimento Regional (ISDR). Em 2016, entre as 25 regiões que existem, são apenas quatro as que têm um desenvolvimento global acima da média nacional. São elas as áreas metropolitanas de Lisboa, Porto, a região de Aveiro e o Cávado.

“Em 2016, de acordo com os resultados do índice sintético de desenvolvimento regional, quatro das 25 regiões NUTS III
portuguesas superavam a média nacional em termos de desenvolvimento regional global – as áreas metropolitanas de
Lisboa e do Porto, a Região de Aveiro e o Cávado”, revelou esta terça-feira o INE.

O que significa cada um destes indicadores que o INE observa?

  • O índice de competitividade “pretende captar o potencial (em termos de recursos humanos e de infraestruturas físicas) de cada região em termos de competitividade, assim como o grau de eficiência na trajetória seguida (medido pelos perfis educacional, profissional, empresarial e produtivo) e, ainda, a eficácia na criação de riqueza e na capacidade demonstrada pelo tecido empresarial para competir no contexto internacional”.
  • Já o índice de coesão “procura refletir o grau de acesso da população a equipamentos e serviços coletivos básicos de qualidade, bem como os perfis conducentes a uma maior inclusão social e a eficácia das políticas públicas traduzida no aumento da qualidade de vida e na redução das disparidades territoriais”.
  • Por fim, o índice de qualidade ambiental “está associada às pressões exercidas pelas atividades económicas e pelas práticas sociais sobre o meio ambiente (numa perspetiva vasta que se estende à qualificação e ao ordenamento do território), mas também aos respetivos efeitos sobre o estado ambiental e às consequentes respostas económicas e sociais em termos de comportamentos individuais e de implementação de políticas públicas”.

Depois de olhar para estes três índices, o instituto calcula um índice global que mostra disparidades pelo país todo. No gráfico abaixo é possível constatar isso mesmo.

As quatro regiões do país que se destacaram por estar acima da média nacional estão bem em tudo? Nem por isso, explica o INE. As áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e a região de Aveiro estão abaixo da média nacional na qualidade ambiental e a região do Cávado teve má nota na competitividade e marginalmente na qualidade ambiental.

Olhando individualmente para cada um dos índices os dados do INE permitem tirar várias conclusões: o país é mais desigual quando se analisa o índice de competitividade, é mais equilibrado quando se observa separadamente o índice de coesão e obriga a fazer escolhas quando se olha para o índice que mede a qualidade ambiental – já que são as regiões com menor competitividade que garantem maior qualidade ambiental.

No extremo oposto, com desempenhos abaixo da média nacional nos quatro índices, encontravam-se as regiões NUTS III Algarve, Oeste, Viseu Dão-Lafões e Lezíria do Tejo.

O país da competitividade mostra que é no litoral que se concentram os maiores recursos. “Os resultados relativos a 2016 revelam que as regiões NUTS III com um índice de competitividade mais elevado se concentram no litoral continental português. Neste contexto, o retrato territorial salienta, a sul, a Área Metropolitana de Lisboa e o Alentejo Litoral e, a norte, um território contínuo formado pelo Cávado, pela Área Metropolitana do Porto e pela Região de Aveiro”.

Já quando se avalia a coesão, o mapa de Portugal é outro. “Nesta componente do desenvolvimento regional, os resultados relativos a 2016 geram uma imagem territorial com menores disparidades do que a evidenciada pela componente competitividade, destacando-se, a Área Metropolitana de Lisboa, com o índice de coesão mais elevado mas também, no Litoral norte, o Cávado, no Litoral centro o território formado pela Região de Coimbra e Região de Leiria e, mais a sul, o Alentejo Central“.

É nas duas regiões autónomas (Açores e Madeira), no território do interior norte, constituído pelas Terras de Trás-os-Montes e pelo Alto Tâmega e, ainda, na região do Tâmega e Sousa que estão os índices de coesão mais baixos. Estas conclusões chegam numa altura em que o Parlamento debate as propostas para a descentralização.

No caso do índice de qualidade ambiental, a relação é inversa face à competitividade, “verificando-se uma concentração de regiões com índices de qualidade ambiental mais elevados no interior continental e nas regiões autónomas, com o padrão territorial dos resultados desta componente a sugerir um aumento progressivo da qualidade ambiental do litoral para o interior continental. Neste contexto, importa destacar as NUTS III da faixa litoral do Continente – Alto Minho e Região de Leiria – com resultados superiores à média nacional“.

(Notícia atualizada)

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