Centeno vê consensos internos como trunfo para o Eurogrupo

O ministro das Finanças fez uma declaração ao país esta quinta-feira onde destacou os "consensos": aqueles que conseguiu internamente e os que quer alcançar na Europa.

Em 20 minutos de declarações, a palavra eleita por Mário Centeno foi “consensos”. O ministro das Finanças quer usar a sua experiência interna num contexto europeu. Centeno diz que o Governo português não vai abdicar das suas posições relativamente à Zona Euro e à União Europeia — admite até criticar “às vezes” –, mas assumiu que o objetivo é criar entendimentos. A oficialização da sua candidatura foi anunciada esta quinta-feira.

Do Salão Nobre diretamente para Bruxelas, o ministro das Finanças português não se comprometeu: não disse que apoios tem, não falou dos seus adversários nem da votação de segunda-feira que ditará quem é o próximo presidente do Eurogrupo. No entanto, Centeno explicou que posição Portugal terá na Europa caso vença a eleição, quais são os objetivos principais para o futuro próximo da Zona Euro e como fará a quadratura do círculo entre uma Europa maioritariamente ortodoxa e à direita e o apoio interno do BE e do PCP.

O ministro das Finanças defendeu que “não há melhor forma” de mudar ou defender diferentes opiniões no Eurogrupo do que “assumir responsabilidades”. “Um Estado-membro que não participa não pode daí tirar os benefícios”, afirmou, destacando que “há a vontade de afirmar Portugal no contexto europeu”. Na sua carteira de trunfos, Centeno diz estar “a robustez da condução da política orçamental em Portugal nos últimos anos” que lhe dá “toda a confiança”.

Mas também assumiu que a sua atitude será “crítica às vezes”, assumindo que existem divergência na política orçamental, como é o caso do cálculo do saldo estrutural. Por outro lado, Mário Centeno decidiu destacar o apoio da Comissão Europeia em dois anos de governação. “Alguns dos sucessos da política económica e financeira deste Governo foram conquistados em colaboração com as instituições europeias”, assegurou, referindo o cancelamento do processo de sanções, suspensão dos fundos ou a capitalização da CGD.

Questionado pelo ECO, o ministro das Finanças clarificou que o Governo não vai mudar de posição quanto ao futuro da Zona Euro e da UE, mesmo com as críticas do PCP e do BE: “Não há rigorosamente nenhuma alteração face a esta candidatura nos objetivos e no quadro em que nos relacionamos dentro da Europa”. O candidato à presidência do Eurogrupo considerou que a capacidade de criar consensos é um trunfo. “Temos a nossa própria experiência de diálogo de construir consensos interna e externamente, ponto positivo também para a construção da Europa”, afirmou, explicando que o capital interno de estabilidade política foi um fator para esta candidatura.

Nunca abdicaremos da nossa posição, mas estaremos sempre prontos a acompanhar os consensos que são feitos”, garantiu Centeno, quando questionado sobre que posição e que poder terá no Eurogrupo. O ministro das Finanças argumentou que “num contexto de agregação de vontades como é qualquer ambiente político, já demonstrámos que sabemos como fazer, e trazer isso para um nível europeu será seguramente um desafio que abraçamos com todo o gosto”.

O candidato português à presidência do Eurogrupo destacou como prioridade o reforço da moeda única, das economias dos Estados-membros da Zona Euro e a conclusão da União Bancária. “Vivemos num tempo de decisões importantes na Zona Euro”, afirmou na sua declaração inicial, assinalando que o futuro de Portugal estará ligado ao da União Europeia.

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