Austeridade em Portugal “neutralizou em parte” efeitos positivos das reformas
Um instituto económico alemão conclui que os cortes aplicados em Portugal, Espanha e Itália "neutralizaram em parte" os efeitos positivos das reformas estruturais.
Um estudo de um instituto económico alemão conclui que os cortes aplicados em Portugal, Espanha e Itália “neutralizaram em parte” os efeitos positivos das reformas estruturais e afundaram as economias em recessões duplas. O documento do Instituto de Investigação Económica alemão (DIW) considera que “uma combinação de políticas mais equilibrada” teria sido mais benéfica para os países atingidos pela crise da dívida.
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“As medidas de austeridade e de subidas de impostos aplicadas a partir de 2010 não reduziram a dívida soberana em Portugal, Espanha e Itália como estava previsto”, refere o estudo. Pelo contrário, estas medidas estão “entre as forças que levaram estas três economias de novo para a recessão“, fenómeno conhecido também como recessão secundária.
"As medidas de austeridade e de subidas de impostos aplicadas a partir de 2010 não reduziram a dívida soberana em Portugal, Espanha e Itália como estava previsto”
Os economistas do DIW sublinham que o fracasso das políticas aplicadas em muitos países da Europa não se deveu tanto à falta de vontade reformista dos governos, mas ao efeito prejudicial que tiveram sobre estas medidas os cortes “dramáticos” e as subidas de impostos. O estudo explica que o endurecimento das condições financeiras forçou as famílias a dedicar uma maior proporção dos recursos a pagar as hipotecas.
A queda do rendimento disponível prejudicou consequentemente o consumo das famílias e, em seguida, o Governo “aumentou os impostos e cortou gastos, o que só amplificou o efeito” depressivo sobre a economia, diz Mathias Klein, um dos autores do estudo. “A forte queda do consumo privado reduziu o Produto Interno Bruto (PIB) e elevou a já de si elevada taxa de desemprego”, adianta o economista.
A austeridade ampliou os efeitos da recessão, reduzindo o potencial produtivo a longo prazo, já que estimulou o desemprego, já elevado devido à crise (especialmente o desemprego de longa duração), e desincentivou o investimento em investigação e desenvolvimento, afirma o texto. Tinha sido preferível ter procurado uma recuperação “muito lenta”, assegura Philipp Engler, coautor do estudo, defendendo que “a consolidação orçamental não tem oportunidades de êxito num ambiente assim”.
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