Davos: os robôs estão a roubar emprego. E agora?

  • Leonor Rodrigues
  • 21 Janeiro 2017

Se as novas tecnologias têm melhorado a produtividade das empresas, também é verdade - e importante refletir - que os avanços tecnológicos têm um peso importante no aumento do desemprego.

A globalização e a liberalização dos mercados têm sido frequentemente apontados como os culpados pelo aumento do desemprego nos últimos ano mas, em Davos, durante o Fórum Económico Internacional, os CEO’s não pensam o mesmo. Dizem que existe um responsável ainda maior e que tem sido esquecido: as máquinas.

Se é verdade que o avanço da tecnologia tem melhorado a produtividade e as receitas das empresas, também é verdade que existem danos colaterais e que precisam de ser levados em conta. Desde os taxistas aos profissionais da saúde, são poucas as profissões que já não têm em conta os avanços tecnológicos. Nem mesmo a indústria têxtil: a Adidas, por exemplo, pretende imprimir alguns dos seus produtos de calçado em 3D, de acordo com a Reuters.

“Os empregos vão ser extintos, vão evoluir e esta revolução vai ser eterna e vai afetar todos nós”, disse Meg Whitman, da HP, durante o evento.

“A tecnologia é o grande problema e nós não reconhecemos isso”, afirmou Mark Weinberger, da EY. Também Satya Nadella (Microsoft) concordou e disse à Reuters que “estamos agora a chegar a uma altura em que podemos ser forçados a procurar profissões alternativas durante a nossa vida”.

Na última década, foram mais os postos de trabalho extintos por causa da tecnologia do que qualquer outro fator. No entanto, para já, a maioria das tecnologias de ponta é mais cara do que a contratação de mão-de-obra com pouca qualificação. Isso é algo que vai mudar à medida que os custos diminuírem.

Em Davos, os diretores executivos foram unânimes quanto à necessidade de os governos, empresas e instituições de ensino desenvolverem mão-de-obra mais qualificada para fazer face e complementar os avanços tecnológicos.

O CEO da Manpowert, Jonas Prising, refere que “a ideia de que vamos banir a automação como parte de uma evolução na indústria de manufatura não é, realmente, a discussão”. De acordo com um estudo da Universidade de Oxford, em 2013 metade dos empregos nos EUA estavam em risco. Por outro lado, em 2015, outro estudo da Forrester Research previa apenas uma perda de 7%, afirmando que alguns empregos seriam substituídos por outros. Para 2019, a Forrester prevê que um quarto das tarefas de trabalho vão ser executadas por robôs.

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