Jornalismo: Já arrancou o congresso que “demorou tempo a mais a chegar”

O Congresso dos Jornalistas está de volta após 18 anos de hiato. A iniciativa abriu com Marcelo Rebelo de Sousa, numa altura crítica para uma profissão "crucial" à democracia.

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Sessão de abertura – da esquerda para a direita: Goulart Machado, Maria Flor Pedroso, Marcelo Rebelo de Sousa, Sofia Branco e Mário Zambujal.Flávio Nunes/ECO

E 18 anos depois da última edição, está oficialmente aberto o 4º Congresso dos Jornalistas. A iniciativa decorre até domingo, em Lisboa, para discutir o papel dos jornalistas na sociedade, o impacto dos meios digitais na profissão, as condições de trabalho no setor e, no fundo, como “afirmar o jornalismo” em Portugal numa época em que a profissão surge descredibilizada perante a sociedade por largos anos de desresponsabilização.

O alerta foi dado na sessão de abertura por Maria Flor Pedroso, que encabeça a organização deste evento no Cinema São Jorge. A jornalista da RTP sublinhou como o jornalismo “é um serviço público” e não pode abandonar esse papel “sob pretexto algum”. Numa altura em que a rapidez prima sobre o rigor, a jornalista reiterou a importância de se “distinguir entre o acessório e o essencial”, onde o congresso pode ser “uma nova página” na história do setor: “Tem de ser um novo começo, tem de apontar pistas, apontar caminhos, soluções”, indicou.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República e, por sinal, ex-jornalista, também marcou presença na sessão, destacando o jornalismo como um “compromisso de não esquecermos a Constituição” e a “liberdade de expressão”. Reconheceu “a precariedade” que “ameaça” os jornalistas e lembrou a máxima de que “sem jornalismo estável, sólido e independente, não há democracia”. O Chefe de Estado criticou ainda a demora na realização de uma nova edição do congresso (o último foi em 1998): “Este congresso demorou tempo a mais a chegar”, disse, lembrando que, na última edição, “as rádios locais pululavam”, “as televisões públicas afirmavam-se”, “o estatuto social dos jornalistas prometia” e “o digital era conversa de uma minoria iluminada”.

Foi a primeira vez que se ouviu a palavra digital em todo o congresso. Mas o apelo de Marcelo Rebelo de Sousa foi ainda mais longe: “Nunca cedam, nunca desesperem, nunca abdiquem desta vossa ambição. É crucial que a nossa democracia se rejuvenesça. [E isso] só é possível com o vosso contributo.”

Sobre as precariedade do trabalho já tinha, antes, falado Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas, apontando a realização do congresso como “um momento de assinalável importância”. Salientou as dificuldades ultrapassadas pela organização, denunciou como “os salários [dos jornalistas] são indignos para uma profissão com a responsabilidade social que esta tem”, frisou como “o lema passou a ser ‘fazer muito em menos tempo'” e deixou o repto: “Não há jornalismo sem jornalistas”.

Na abertura participaram também Goulart Machado, presidente da Casa da Imprensa, e Mário Zambujal, presidente do Clube dos Jornalistas. Por um lado, o primeiro destacou como todos os jornalistas “são necessários” e denunciou que “alguns jornalistas vivem com o Rendimento Social de Inserção”: “Viemos debater, [mas] não como vítimas. O congresso não é um momento de catarse, mas uma ocasião para afirmar o jornalismo”, disse. Por outro, o segundo, reconhecendo ser jornalista mas já não estar “no ativo”, aproveitou a ocasião para mencionar o ex-Presidente falecido Mário Soares, rompendo aplausos da plateia.

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