Qual a verdadeira importância do IA no setor financeiro?

A produtividade é um acto de liderança, é um compromisso concreto com a instituição, com os clientes, com os accionistas e com os colaboradores

Nos últimos dez anos, a banca portuguesa fez o que tinha de fazer: consolidou, reduziu, reestruturou. O resultado é visível. O produto bancário por colaborador nos cinco maiores bancos cresceu 302%. O cost-to-income comprimiu de forma expressiva — há bancos que diminuíram 35 pp o seu cost-to income. Em termos de eficiência, o setor é hoje irreconhecível face a 2014.

Contudo, impõe-se a reflexão: Quanto deste progresso é produtividade real e quanto é conjuntura favorável?

A subida de taxas de juro injetou receita sem exigir transformação. A redução de 27% no número de colaboradores melhorou os rácios, mas não necessariamente a capacidade produtiva por unidade de negócio. A prova está na amplitude de praticas no sector: dentro do mesmo mercado, com o mesmo enquadramento regulatório e macroeconómico, os melhores bancos geram o dobro do produto bancário por colaborador face aos restantes.

Isto não é contexto — é escolha deliberada de quem se impõe transformar vs quem está confortável na inércia.

Spoiler alert: O modelo de alta consolidação e corte esgota-se em si mesmo. O que distinguirá os players de mercado não é quem corta mais, mas quem atua com total liberdade para crescer — com vincada ambição de negócio, com proposta de valor competitiva, com inteligência operacional, com excelente serviço a clientes, com o aumento de receita desacoplada do aumento dos custos.

É aqui que entra a inteligência artificial. Não como palavra de ordem ou a moda da época, mas como rotura operacional total e concreta. Hoje observamos reduções de 65% nos custos de compliance/AML, ou 50% na gestão de sinistros, no caso das seguradoras, são apenas dois exemplos dos muitos exemplos no mercado. Este benefício de negócio está ao alcance de todos. A tecnologia está disponível. O que falta é a combinação de vontade política, talento funcional e técnico, e compromisso de investimento verdadeiramente orientado a resultados.

A produtividade é um acto de liderança, é um compromisso concreto com a instituição, com os clientes, com os accionistas e com os colaboradores. Produtividade é um imperativo na atracção de investimento, de negócio e de talento.

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