“Não vamos investir em segurança e defesa, que não seja do interesse da Europa”

Robert de Groot, vice presidente do grupo BEI, está a ter conversas com a banca comercial, mas também com o BPF, para criar soluções que façam chegar financiamento às empresas nacionais de defesa.

Antigo diplomata, Robert de Groot é desde 2024 vice-presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento e tem em mãos um desafio: colocar os recursos da instituição ao serviço do mercado para ajudar a Europa a ganhar soberania de defesa. Este ano, o objetivo é investir 4,5 mil milhões de euros. Ou até mais.

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“Temos um pipeline muito sólido, com bons projetos que estamos a analisar, por isso, estou muito otimista quanto a conseguirmos alcançar os 4,5 mil milhões este ano, e talvez até um pouco mais“, admitiu Robert de Groot em conversa com o ECO/eRadar durante a sua última visita em Portugal.

Olha com interesse para o setor espacial português. “Tenho muito interesse no setor espacial, pois Portugal tem uma presença muito forte nesse setor. Estamos a tentar ver se conseguimos identificar quem atua no setor espacial e se conseguimos conceber algo que nos permita reconhecer a contribuição desse setor”, apontou.

Robert de Groot não avançou datas, mas admite estar a ter conversas com a banca comercial portuguesa, mas também com o Banco Português de Fomento para ajudar a criar soluções que façam chegar às empresas nacionais do setor de defesa financiamento.

Numa NATO mais europeia, o grupo BEI poderia ser o futuro banco dessa Aliança? “Não, de forma alguma.”

Robert de Groot, Vice-Presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento, em entrevista ao ECO Hugo Amaral/ECO

A Europa está a apostar nas suas capacidades de defesa, a canalizar investimento para a indústria. Qual papel do Grupo Banco Europeu de Investimento (BEI) em ajudar o continente a ganhar soberania de defesa?

Os líderes europeus pediram-nos no início de 2024 para olhar para este setor e ver se podíamos ajudar a financiar a segurança e defesa. Estamos há cerca de 2,5 anos nesse caminho. Em 2023, quase não fizemos nenhum financiamento enquanto Grupo BEI no setor. Foi metade de mil milhões. Em 2025, esse valor já ultrapassava os quatro mil milhões, o que demonstra que realmente aumentamos o nosso volume.

Alteramos alguns dos nossos critérios que, tal como acontecia com muitos outros bancos comerciais, não eram muito específicos em relação a segurança e defesa. Tivemos de aprender e a abrir [o banco] a projetos nessa área.

Atuamos em cinco setores. O primeiro é o da infraestrutura que necessitamos na Europa para sermos capazes de nos defender. Ferrovias e rodovias, negligenciadas durante décadas, especialmente no que diz respeito ao transporte de material militar do oeste da Europa, onde se localizam os portos, para a possível área de conflito, situada principalmente ao longo do flanco oriental, da Finlândia a Chipre.

Estamos a investir em instalações militares — como fazemos na Lituânia — e em hospitais militares que não recebiam investimentos há muitos e muitos anos.

Em segundo lugar, muitos produtos, hoje em dia, já não são fabricados na Europa. Por isso, estamos a analisar com um olhar estratégico para o que queremos ser capazes de produzir nós mesmos. Não tudo, claro está — isso não é possível numa economia globalizada —, mas precisamos ser capazes de produzir o que é crucial para que a Europa seja mais autónoma.

Não se trata apenas de produtos para os ministérios da Defesa, envolve também medicina, biotecnologia e antibióticos. Portanto, elementos cruciais para o funcionamento da nossa economia, mas também o fabrico dos produtos que precisamos para nos defender.

Aprendemos muito com o que está a acontecer na Ucrânia; precisamos traduzir esse conhecimento para as nossas empresas, que devem produzir sistemas antidrone e sistemas de drones voltados para o conflito de amanhã, e não do passado.

O vosso papel tem sido então mais ao nível de investimento em infraestruturas e não na ajuda dos países em comprar material de defesa, é isso?

Estamos focados principalmente em inovação de alta tecnologia, desenvolvendo sistemas antidrone para a nossa defesa. Por quê? Porque a Comissão Europeia tem um programa específico, o SAFE, que concede empréstimos aos Estados-membros para a compra de armas e munições. Procuramos complementar as atividades da Comissão Europeia.

Por exemplo, julgo que Portugal obteve um empréstimo de seis mil milhões para comprar armas e munições, nós tratamos, principalmente, das outras coisas que precisamos para nos defender. Tentamos trabalhar juntos.

Tem havido um grande debate sobre uma NATO mais europeia. O grupo BEI poderia ser o futuro banco dessa Aliança?

Não, de forma alguma. Também trabalhamos em estreita colaboração com a NATO. Para saber quais as ferrovias que devemos dar prioridade no investimento por motivos de defesa da Europa, nós, como banco, francamente, não fazemos a menor ideia. Então, perguntamos à NATO e à Comissão Europeia quais as prioridades. Também trabalhamos em estreita colaboração com a NATO, pois esta define as metas de capacidade para o futuro. E nós damos sequência a esse trabalho.

Temos um Memorando de Entendimento com o Fundo de Inovação da NATO — que também investe em tecnologias inovadoras — e aprendemos muito com o que está a acontecer na Ucrânia; precisamos traduzir esse conhecimento para as nossas empresas, que devem produzir sistemas antidrone e sistemas de drones voltados para o conflito de amanhã, e não do passado.

Temos um pipeline muito sólido, com bons projetos que estamos a analisar, por isso, estou muito otimista quanto a conseguirmos alcançar os 4,5 mil milhões este ano, e talvez até um pouco mais.

Tem havido uma grande tensão entre os aliados NATO, com objetivos distintos para a Aliança. Neste ambiente tem sido fácil descortinar quais são as prioridades de investimento?

Bem, para nós, enquanto banco europeu de propriedade dos 27 ministros das Finanças — e, portanto, de todos os contribuintes europeus —, creio que a orientação que recebemos é bastante clara. Tudo o que financiamos deve contribuir para as capacidades de defesa europeias e para uma maior autonomia europeia. Para nós, isso é bastante claro.

Referiu que em 2025 o investimento do grupo deu um salto para quatro mil milhões e, para este ano, a meta é 4,5 mil milhões. Falou-se que na reunião intercalar de junho do BEI poderia haver uma revisão desse valor. A meta mantém-se?

Realizamos a reunião com nossos governadores — que são os ministros das Finanças — no início de junho, e estamos bem encaminhados para atingir a meta de 4,5 mil milhões. Mas temos margem para superar esse patamar, caso haja procura suficiente.

Somos um banco orientado pela procura; quem deseja financiar algo ou obter um empréstimo entra em contacto connosco. Portanto, dependemos muito da procura. Temos um pipeline muito sólido, com bons projetos que estamos a analisar, por isso, estou muito otimista quanto a conseguirmos alcançar os 4,5 mil milhões este ano, e talvez até um pouco mais.

Robert de Groot, Vice-Presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento, em entrevista ao ECO Hugo Amaral/ECO

Disse há pouco que as prioridades de investimento do BEI alinham com as necessidades da Europa, como infraestruturas. Mas para este ano, e para os seguintes, quais as áreas prioritárias de investimento?

Estamos a fazer um grande esforço no que toca a pequenas startups e empresas em fase de expansão (scaleups). Esse é um setor muito importante. Criamos um fundo de capital de risco para o setor de defesa, no qual reunimos recursos do BEI, da Comissão e, talvez, até mesmo dos Estados-membros. Este fundo investe em fundos de capital de risco que, por sua vez, podem investir em startups e scaleups nas áreas de segurança e defesa.

Somos um banco pequeno demais para conseguir manter esse contacto direto. Por isso, isto é muito promissor, a Europa está a ir muito bem, pois há muitas ideias. Creio que, por vezes, somos até melhores do que os EUA neste setor.

A nossa segunda frente de atuação passa por melhorar o acesso ao crédito às pequenas e médias empresas que trabalham para as grandes empresas europeias de segurança e defesa. Não conseguimos chegar às PME diretamente; por isso, concedemos um grande empréstimo a um banco comercial, que repassa os recursos às PME, que já constam na sua base de dados e que atuam no setor de segurança e defesa. Já assinamos mais de 1,5 mil milhões em empréstimos para os bancos comerciais.

O terceiro ponto é a pesquisa e o desenvolvimento para as grandes empresas europeias, mas não só para as grandes. Por exemplo, a Europa precisa se tornar mais autónoma no que diz respeito ao espaço. Queremos satélites fabricados na Europa. Queremos foguetes europeus para colocá-los em órbita. Queremos comunicações eletrónicas europeias que permitam a comunicação entre os satélites e a Terra.

Estamos a trabalhar com a Comissão e a Agência Espacial Europeia (ESA) para estruturar esse ecossistema de modo a torná-lo mais europeu. Além disso, os fabricantes de satélites — área em que Portugal é muito boa — são empresas relativamente pequenas. Então, também tentamos financiá-los.

Em junho, na assembleia anual do Conselho de Governadores do banco, a presidente do BEI, Nadia Calviño, afirmou que a banca “é um setor que requer maior atenção”. Que tipo de atenção exige? A banca não está a fazer o seu papel no que toca a investir no setor de defesa? Está reticente?

Volto a 2023. Nesse ano não fizemos quase nada. Os bancos comerciais não fizeram quase nada. Já se passaram dois anos e meio. Estamos a fazer muito. Isso significa que resolvemos todos os problemas e que tudo pode ser feito no setor? Não, estamos a aprender.

Precisamos aprender o que funciona melhor para as empresas de segurança e defesa. Os bancos precisam constituir bases de dados sobre as suas PME. Às vezes, nem sequer sabem que os seus clientes são de interesse para empresas maiores do setor de segurança e defesa. Os fundos de capital de risco precisam de gestores de ativos que conheçam o setor. Não estavam lá há dois anos.

Estamos a aprender todos os dias e ainda não chegamos ao fim da aprendizagem. Ainda precisamos perceber se realmente temos o produto exato de que o setor precisa. Precisamos mudar permanentemente e adaptar-nos a novas situações, o que estamos a fazer.

Assim, a cada poucos meses, avaliamos a nossa posição: talvez precisemos clarificar o que podemos oferecer, adicionar novas especificações. Os bancos precisam fazer exatamente o mesmo: construir a base de dados e tentar agilizar o repasse para as cadeias de fornecimento através do banco principal das grandes empresas.

Os ministérios da Defesa precisam mudar os seus sistemas de aquisição; não devem comprar apenas tanques com ciclo de vida de 30 anos, mas também drones, com um ciclo de vida de dois anos. Até mesmo as universidades precisam redirecionar parte das suas pesquisas para a defesa da Europa. Todos estamos a nos adaptar à nova situação que temos de enfrentar na Europa. E todos nós estamos ainda nesse processo de transformação.

Tenho muito interesse no setor espacial, pois Portugal tem uma presença muito forte nesse setor. Estamos a tentar ver se conseguimos identificar quem atua no setor espacial e se conseguimos conceber algo que nos permita reconhecer a contribuição desse setor. Essas discussões com os bancos também levam tempo.

Disse há pouco que a atividade do BEI depende muito das chamadas que recebe. Recebeu muitas dos bancos nacionais?

Estamos em constante contacto com eles, conversamos. Além disso, também podemos fechar um acordo com um banco português — seja um banco estatal, uma instituição nacional de fomento ou um banco comercial. Assinamos, creio eu, cerca de oito ou nove acordos com bancos europeus, mas temos 27 Estados-membros. Portanto, ainda há muito a ser feito.

Também com Portugal?

Não, ainda não assinamos em Portugal, mas estamos a trabalhar nisso. Estamos a conversar. Ainda é um pouco cedo, mas vai acontecer.

Pelas conversas em curso, quando estima que aconteça, já este ano?

Não penso que estejamos a falar para 2026. Por exemplo, tenho muito interesse no setor espacial, pois Portugal tem uma presença muito forte nesse setor. Estamos a tentar ver se conseguimos identificar quem atua no setor espacial e se conseguimos conceber algo que nos permita reconhecer a contribuição desse setor. Essas discussões com os bancos também levam tempo.

Robert de Groot, Vice-Presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento, em entrevista ao ECO Hugo Amaral/ECO

Têm um fundo o Defence Equity Facility (DEF), para apoiar fundos de capital de risco pan-europeus. O DEF 2.0 tem um target de mil milhões, apoiar 25-30 veículos. O fundo português 33N Ventures fez parte da primeira edição. O que se passa com os fundos nacionais? Não estão a falar com o BEI para obter o financiamento que necessitam?

Antes de mais, constatamos que não devemos analisar a questão numa perspetiva nacional, pois os fundos criados em outras partes da Europa — seja na França, na Alemanha ou nos Países Baixos — não investem apenas nesses países, mas sim em toda a Europa.

O facto de não existir um fundo de capital de risco búlgaro não significa que não haja investimentos na Bulgária. Pelo contrário, investem onde veem uma oportunidade. Por isso, deixamos de analisar a questão sob uma perspetiva nacional, pois não faz sentido. Trata-se de uma indústria europeia que estamos a tentar fomentar.

Mas tem razão, na primeira fase, foi apenas das maiores economias europeias que surgiram esses fundos de capital de risco ou de private equity. É por isso que agora estamos na segunda etapa. Esperamos, no final, estar presentes em toda a Europa.

Nesse campo, no capital de risco, as prioridades de investimento são nos mesmos setores que elencou há pouco?

As empresas de capital de risco são empresas privadas. Nós adquirimos uma participação de 20% ou algo do género, em média, e eles decidem onde querem investir. Pode ser nos cinco setores em que o banco também atua. Mas também pode ser noutros. Por exemplo, a cibersegurança é uma área de investimento muito interessante.

Como um grande banco, não atuamos tanto na área de cibersegurança, mas eles sim. Por isso, apoio muito essa iniciativa. Também são muito ativos no setor espacial, trabalhando com fabricantes de pequenos satélites. Têm liberdade de atuação nos setores.

Que tipo de diretrizes existem de modo a garantir que o investimento vai para a Europa, para empresas europeias e não para ‘amigos hostis’?

É realmente restritivo. [O investimento] é para a Europa. Tem de ser na Europa, mas também pode ser nos países da EFTA, como a Noruega e a Suíça. É isso. Esse é o alcance geográfico.

Para ser justo, se adquirirmos uma participação de 20% num fundo de capital de risco especializado em segurança e defesa, não podemos controlar 100% dos investimentos deles, nem queremos isso, mas mas tem de ser claro: não vamos investir em segurança e defesa, que não seja do interesse da Europa.

Mas poderão fundos americanos recorrer a este fundo?

Bem, recebo chamadas de fundos americanos, que me visitam. E digo-lhes a mesma coisa: se têm um fundo europeu de capital de risco — que investe na Europa, para a Europa, e permanece na Europa —, são muito bem-vindos. A questão da permanência é muito relevante, pois queremos que os unicórnios europeus continuem na Europa. É a nossa ambição.

Para ser justo, se adquirirmos uma participação de 20% num fundo de capital de risco especializado em segurança e defesa, não podemos controlar 100% dos investimentos deles, nem queremos isso, mas tem de ser claro: não vamos investir em segurança e defesa, que não seja do interesse da Europa.

Veio a Portugal. Algum objetivo específico na agenda?

Viajo pela Europa tratando de questões de segurança e defesa todas as semanas. Desta vez, estou em Portugal. Visito cada país não apenas uma vez, mas várias, pois, como mencionei, ainda estamos numa fase de aprendizagem: a identificar onde estão os problemas, o que precisamos reforçar, onde devemos adaptar os nossos critérios e se precisamos ser mais ágeis.

Também analisamos como atrair capital privado, já que, no caso do Banco Europeu de Investimento, temos uma obrigação de alavancagem. Ou seja, quando financiamos um projeto, cobrimos no máximo 50% do valor, os restantes 50% vêm de investidores privados, de capital próprio ou de outra fonte.

Por isso, as minhas conversas com o setor privado, com os bancos e com o governo são contínuas, para identificar novas possibilidades. Sempre que aprendemos coisas novas — para as quais precisamos encontrar ou adaptar um instrumento —, temos de garantir que conseguimos resolver essa questão.

Robert de Groot, Vice-Presidente do Grupo Banco Europeu de Investimento, em entrevista ao ECO Hugo Amaral/ECO

Os temas levantados em Portugal são diferentes dos de outros países?

Em parte são semelhantes, mas, por outro lado, são muito específicos. Pode ter a ver com a economia e como está estruturada; com o sistema bancário, diferente em cada país. Não temos um mercado de capitais europeu, mas 27 mercados de capitais, temos de ter isso em consideração.

Alguns países são muito bons num setor específico, mas não em outros. Cada país é diferente. Se formos aos países do flanco oriental, que vivem diariamente a ameaça dos seus vizinhos, vemos que atuam de maneira diferente da que vemos aqui em Portugal.

Mas, por toda a Europa, o que percebo ao conversar com as pessoas, é que todos estão cientes de que precisamos fazer algo. Todos os ministérios das Finanças e da Defesa estão a procurar atuar de forma muito ativa. Estão todos a tentar superar os obstáculos.

Dando-lhe um exemplo: se tiver uma ideia brilhante — que acredita ajudará a defender o seu país — e quer começar a produzir esse produto, mas ainda não tem uma encomenda do ministério da Defesa, como vai conseguir crédito? Esse é um ponto que já surgiu nas minhas discussões aqui.

Todos esses produtos precisam ser certificados por um ministério da Defesa. E se tiver um projeto excelente, mas ainda não estiver certificado? Para conseguir a certificação de um ministério da Defesa, é necessário produzi-lo em determinada quantidade. Mas os bancos dizem: “Bom, não tem encomendas, então como posso financiá-lo? O risco é demasiado elevado”. Isso é algo que também das reuniões que tive aqui.

Como vamos resolver esse problema? Ainda não sei, preciso pensar a respeito. Mas depois, levo a questão aos colegas na sede, em Luxemburgo, e talvez precisemos elaborar algo em conjunto com o banco nacional de fomento, um banco comercial ou o governo, de modo a identificar situações em que uma empresa tem uma boa ideia, e os bancos comerciais claramente não querem financiar isso porque o risco é muito alto.

Como podemos reduzir o risco — talvez compartilhando-o entre diferentes fontes de financiamento — para dar a essa empresa a hipótese de produzir e, então, poder ser certificada e, por fim, conquistar um contrato com a indústria de defesa?

Referiu que quando falha a banca comercial no apoio aos projetos, há que pensar no papel dos bancos de fomento. Tem conversado com o Banco Português de Fomento (BPF)?

Temos um bom relacionamento com eles, são um dos nossos clientes. Mas é exatamente aqui que, se existe uma falha de mercado — e isso significa que os bancos comerciais não querem financiar, porque é demasiado arriscado ou porque o ciclo de vida é muito longo, 20 ou 30 anos —, é aqui que, tradicionalmente, entra o Grupo BEI.

Mas tem havido conversas com o BPF para criar linha de crédito voltada para a defesa?

Estamos a discutir com eles qual é a situação em Portugal e qual é a procura das pequenas e médias empresas, o que estão a pedir para financiar. E então analisamos o que podemos fazer para tornar o acesso ao crédito mais amplo e acessível. É sobre isso as discussões. É também por isso que estou aqui. Mas isso não resulta em algo imediato, para amanhã.

Um prazo otimista seria…

Final deste ano ou do início do ano que vem. Estamos a trabalhar afincadamente todos os dias.

… Com o BFP para arranjar uma solução para financiar PME no setor de defesa.

Digamos que estamos na fase de identificação. Qual é o problema? Em Portugal, podemos conceber algo que ajude a atenuar o problema? Não sei se vai funcionar, mas é nisso que vamos trabalhar.

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