Buzzvel lança Semantika, uma plataforma portuguesa de monitorização de marcas na IA
A médio prazo, Pedro Patrício acredita que a Semantika pode ser uma referência na Europa, distinguindo-se "pela capacidade de transformar os dados recolhidos em informação útil e acionável".

A Haipe Studio, unidade de inteligência artificial da agência Buzzvel, está a começar a apresentar ao mercado a Semantika, uma ferramenta de AI Search Intelligence e GEO (Generative Engine Optimization) desenhada para analisar a presença de marcas e concorrentes nas respostas dos principais motores de IA.
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O projeto nasceu de um desafio interno, explica ao +M Pedro Patrício, chief growth officer da empresa fundada em 2021. “Queríamos perceber como a Buzzvel era interpretada e recomendada pelos motores de inteligência artificial e que marcas ocupavam esse espaço quando não aparecíamos. Rapidamente percebemos que este era um problema comum a muitas organizações e agências”, recorda.
Com a crescente utilização de plataformas como o ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e Copilot a alterar os hábitos de consumo e a forma como os utilizadores procuram informação, a Semantika surge então para responder à nova necessidade de perceber se as marcas estão a ser recomendadas, ignoradas ou mencionadas por estes sistemas.
Um dos principais diferenciadores da nova plataforma, prossegue, é o suporte nativo para português de Portugal. Segundo a agência, esta adaptação permite uma análise do contexto linguístico e comercial português, identificando marcas, concorrentes, fontes e argumentos relevantes para o mercado nacional — um fator que, segundo a empresa, a distingue de soluções internacionais focadas em mercados de língua inglesa ou brasileiro.
A plataforma funciona através da monitorização recorrente de perguntas relevantes para diferentes mercados e categorias, analisando o posicionamento das marcas, o sentimento das menções e as fontes citadas. Estes dados são depois transformados em briefings concretos para equipas de marketing, comunicação, SEO e relações públicas.
“É desta análise que surgem as lacunas de visibilidade. Em muitos casos, o conteúdo necessário não existe, existe mas não responde diretamente à pergunta ou não tem ainda autoridade suficiente para ser considerado e citado pelos motores de inteligência artificial. Cada lacuna identificada dá origem a uma ação recomendada, com informação própria e uma página de detalhe. As ações são priorizadas em função do impacto esperado e do esforço necessário, ajudando as equipas a perceber por onde devem começar, em vez de receberem uma lista indiferenciada de recomendações”, detalha o responsável.
Embora possa ser adotada por marcas, a plataforma foi desenvolvida a pensar nas necessidades das agências de marketing e comunicação, permitindo a gestão de várias marcas em simultâneo e a criação de relatórios personalizados (white-label). Ainda em fase beta, a ferramenta já está a ser utilizada por empresas de setores como telecomunicações, turismo, entretenimento e grande consumo, descreve Pedro Patrício.
O objetivo passa por rentabilizar a Semantika principalmente através de um modelo de subscrição — que começa nos 49 euros por mês — com planos adaptados a marcas, organizações multimarca e agências.
“As nossas expectativas são ambiciosas, mas realistas. Numa primeira fase, queremos consolidar a Semantika no mercado português, validar continuamente a utilidade da plataforma e construir uma base sólida de clientes, com foco particular em marcas e agências de marketing, comunicação e relações públicas”, aponta Pedro Patrício.
“Mais do que atingir rapidamente um determinado número de subscrições, queremos que a Semantika passe a fazer parte das ferramentas utilizadas regularmente para acompanhar a visibilidade das marcas nos motores de inteligência artificial e transformar essa informação em decisões e briefings concretos”, prossegue o chief growth officer da Buzzvel, agência que conta neste momento com 17 colaboradores, entre Portugal e Brasil.
“Vemos potencial para uma expansão progressiva para outros mercados europeus, nomeadamente Espanha e França, adaptando a plataforma aos respetivos contextos linguísticos, comerciais e concorrenciais. Os mercados de língua portuguesa, incluindo o Brasil, constituem igualmente uma oportunidade natural de crescimento”, antecipa.
A médio prazo, Pedro Patrício acredita que a Semantika se pode afirmar como uma referência europeia na área de AI Search Intelligence e GEO, distinguindo-se sobretudo “pela capacidade de transformar os dados recolhidos em informação útil e acionável”.
No total, o investimento acumulado no desenvolvimento e colocação da plataforma no mercado deverá situar-se entre os 75 mil e os 85 mil euros. “Para os primeiros 12 meses de operação, está previsto um orçamento global de aproximadamente 134 mil euros, que inclui marketing, infraestrutura, utilização dos modelos de inteligência artificial, suporte e operação da plataforma”, concretiza Pedro Patrício.
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