Custos médicos sobem 6,2% e levam empresas portuguesas a ajustar seguros de saúde
Estudo da MDS revela que aumento nos prémios dos seguros de saúde está a mudar o desenho dos planos de saúde das empresas portuguesas. Recorrem mais a franquias e copagamentos para controlar custos.
Portugal regista atualmente mais de um milhão de pessoas em lista de espera para consultas hospitalares, 260 mil à espera de cirurgia e 1,5 milhões sem médico de família atribuído. Segundo a primeira edição do “Medical Trend Report”, do Grupo MDS, esta deterioração do Serviço Nacional de Saúde (SNS) está associada ao aumento dos custos médicos no país, que deverão subir cerca de 6,2% em 2026 – uma desaceleração face aos 10% registados em 2025, mas ainda assim acima da inflação geral.
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Tal como já acontecia em 2024, em 2025 as doenças musculoesqueléticas, o cancro/neoplasia e as patologias relacionadas com o sistema nervoso e órgãos dos sentidos foram as que mais contribuíram para este aumento de custos.
Valor dos prémios a nível global continua a subir
Segundo o relatório, as renovações dos seguros de saúde corporativos registaram, em 2026, um aumento médio global dos prémios de 8,9%, abaixo dos 14,5% registados no ano anterior. Em 72% dos casos, houve um aumento do prémio das apólices. Mais de 60% das seguradoras consultadas no âmbito do estudo antecipam que a tendência de subida dos custos se prolongue nos próximos anos.
A pressão crescente dos custos médicos está a levar cada vez mais empresas a rever o desenho dos seus planos de saúde, ajustando as coberturas e aumentando os valores a cargo dos segurados através de franquias e copagamentos. Face a 2025, a taxa de empresas que mantêm o nível de coberturas reduziu 13 pontos percentuais.
“O mercado confirma dois aspetos: os custos continuam a subir e as empresas já não conseguem gerir esta pressão apenas através do aumento dos prémios. A tendência é clara: torna-se necessário intervir no desenho dos planos, ajustando coberturas, franquias e copagamentos, de forma a assegurar a sua sustentabilidade”, refere o relatório.
Inflação médica e custo das novas tecnologias pressionam custos
Segundo o estudo, o aumento dos custos das renovações resulta de um conjunto de fatores como a inflação médica, o custo das novas tecnologias e a crescente complexidade das patologias, a que se somam características próprias de cada plano, como o histórico de sinistros, o envelhecimento dos recursos humanos das empresas, o desenho do quadro de garantias e as redes e modelos de prestadores contratados.
Para Rui Meireles, diretor de Employee Benefits da MDS Portugal, o estudo “evidencia que as empresas estão a ser confrontadas com renovações de apólices com prémios mais elevados, num contexto em que os colaboradores têm expectativas cada vez mais exigentes quanto ao papel das organizações na proteção da sua saúde e do seu agregado familiar”.
O responsável defende que, para garantir a sustentabilidade dos planos de saúde, será essencial “articular, de forma integrada, a prevenção, a utilização de novas tecnologias na saúde e uma maior flexibilidade na escolha das coberturas“. “Só assim as empresas conseguirão responder eficazmente às necessidades das suas equipas e gerar valor a longo prazo”, conclui Rui Meireles.
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