Seguro de responsabilidade civil deve “intervir antes do dano ocorrer”
O seguro de responsabilidade civil deve apostar mais na prevenção do que na indemnização, defenderam Eduardo Félix, da Innovarisk, e João Barata, da Generali Tranquilidade. Assista aqui ao painel.
Cyber, inteligência artificial, ou dano reputacional são alguns dos novos riscos que as empresas enfrentam e que estão a crescer mais depressa do que a cobertura que os seguros de responsabilidade civil lhes oferecem. O painel sobre “Responsabilidade Civil: Novas ambições”, no Fórum Nacional de Seguros 2026, reuniu Eduardo Félix, Responsável de Subscrição de RC e Linhas Financeiras da Innovarisk, e João Barata, Chief Insurance Officer da Generali Tranquilidade, para discutir este tema.
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João Barata começou por traçar a distinção entre as duas áreas da responsabilidade civil. “Há uma área de responsabilidade civil obrigatória, onde o grau de cobertura é elevado“, explica. “Quando entramos em responsabilidade civil que não é obrigatória, o grau de cobertura começa claramente a ser menor.” Segundo o responsável, essa lacuna aplica-se tanto a riscos antigos como a riscos emergentes, para os quais falta procura por parte das empresas ou existe insuficiência de capitais face à dimensão das potenciais perdas.
Para João Barata, cyber e inteligência artificial são os temas incontornáveis do momento: à medida que estas tecnologias se desenvolvem, cresce também o risco de ataques e de disrupções nas empresas. Ainda assim, sublinha, o grau de cobertura em Portugal permanece extremamente baixo e a resposta não se pode limitar à indemnização de terceiros lesados. “Começando logo naquilo que é o trabalho que é feito de prevenção, para garantir que os riscos não acontecem, de forma garantir a minimização [dos danos].”
Já Eduardo Félix trouxe ao painel uma dupla ambição: a par dos novos desafios, persiste um problema antigo e transversal ao setor. “Temos mais do que uma nova ambição, temos ainda uma velha ambição, que é mudar um problema transversal a todos os ramos de responsabilidade civil: a cobertura ainda é deficitária, ou não é suficiente para garantir o risco a que se propõe”, afirma. O responsável aponta as exclusões pouco visíveis como a raiz do problema: propostas que aparentam garantir um determinado risco mas que, no momento do sinistro, revelam exclusões que o cliente desconhecia ou que, tendo sido alertado, não valorizou devidamente.
Quanto às novas ambições propriamente ditas, Eduardo Félix refere a transformação tecnológica e um risco ainda mal acautelado: o dano reputacional. “Historicamente, o seguro de responsabilidade civil foca-se na indemnização do dano depois de ocorrer, é um seguro de natureza puramente indemnizatória. Mas o que temos hoje é que o seguro é chamado a intervir, ou deve ser chamado a intervir, antes ainda do dano ocorrer. O dano reputacional é uma questão dessas”, ressalta.
Veja aqui na íntegra o painel que reuniu Eduardo Félix e João Barata.
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