Open Insurance. “A tecnologia não é um problema. A falta de condições para a aplicar é.”

  • Carolina Neves Carvalho
  • 23 Julho 2026

Falta de consenso sobre prioridades, visão de negócio e resistência à partilha de dados foram apontadas como os principais entraves à Open Insurance. Veja aqui, na íntegra, o painel.

No painel “Arquitetura de Dados para Open Insurance: Padronização técnica de APIs e a monetização segura de dados”, no Fórum Nacional de Seguros, João Pedro Madureira, CEO & Founder da Uthere Partners, Leandro Fernandes, CEO da Iluni, e Pedro Mata, administrador da Caravela, convergiram numa ideia: a tecnologia para o Open Insurance já existe e não é o obstáculo, a falta de consenso sobre prioridades e na cultura organizacional das seguradoras, sim.

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João Veiga, CEO da Elysian Consulting, moderou o painel que colocou João Pedro Madureira, CEO & Founder da Uthere partners, Leandro Fernandes, CEO da Iluni, e Pedro Mata, administrador da Caravela, a discutir a Open Insurance.

João Pedro Madureira sublinhou que “Se a tecnologia em si mesma não é um problema, a falta de condições para a aplicar faz dela um problema“. “É que, indo à raiz do problema, é uma questão de definição do que queremos fazer, e fazermos todos o mesmo. Ainda nem todos sabemos o que queremos fazer, nem estamos de acordo sobre o calendário ou as prioridades a perseguir“.

Leandro Fernandes foi direto quanto à ausência de barreiras tecnológicas. “Não estamos a falar de rocket science. Todas as seguradoras trabalham hoje com APIs diariamente, há muita informação a ser transacionada, sem lógicas padronizadas, mas os modelos que já têm já permitem expor dados ao mercado. Tecnologicamente, não vejo nenhum tipo de impedimento“, disse. Os obstáculos que identifica são de outra natureza: “vejo impedimentos em visão de negócio, em questões políticas, em cultura organizacional, que tende a proteger demasiado os dados. Isso pode condicionar a transição para um Open Insurance mais amplo, e não apenas o cumprimento mínimo da lei.”

Pedro Mata trouxe a perspetiva de negócio, explicando o que o Open Insurance muda na prática. “A ideia é garantir que o portfólio do cliente fica aberto e que ele tem o direito de partilhar essa informação com quem quiser, por exemplo, com um mediador”, afirmou. Do lado das seguradoras, destacou uma diferença face ao setor bancário: “não existe uma central de riscos para aceder ao histórico de sinistros, o que dificulta um pricing mais assertivo e alinhado com os interesses do próprio consumidor.” Quanto à componente tecnológica, foi claro: “é o mais simples de implementar. Hoje em dia qualquer departamento de IT sabe implementar um framework de API.

Veja aqui na íntegra o painel que reúne João Pedro Madureira, Leandro Fernandes e Pedro Mata.

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