Procura de ações da Unitel supera oferta em 120% e Estado angolano encaixa quase 300 milhões

  • Lusa
  • 27 Julho 2026

A oferta pública de venda, iniciada a 6 de julho e encerrada a 24 de julho, insere-se no Programa de Privatizações do executivo angolano e é a maior de sempre em Angola.

O Estado angolano encaixou 300,3 mil milhões de kwanzas (288 milhões de euros), com a venda de 15% da Unitel, a um preço por ação de 40.040 kwanzas (38,5 euros) e a procura a superar a oferta 120 vezes.

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Em comunicado, divulgado esta segunda-feira, a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva) informou que a procura pelos 7,5 milhões de ações da operadora de telecomunicações, alienadas pelo Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), ascendeu a 9.054.299 títulos.

Das 17.549 ordens de subscrição recebidas, foram contempladas 16.571, correspondentes a 11.264 investidores que se tornaram novos acionistas da Unitel, segundo a Bodiva. A liquidação física e financeira da operação está marcada para terça-feira, seguindo-se a admissão à negociação da totalidade das ações da Unitel na bolsa angolana, na quarta-feira, quando os títulos passam a ser livremente transacionáveis.

A OPV, iniciada a 6 de julho e encerrada a 24 de julho, insere-se no Programa de Privatizações do executivo angolano (Propriv) e é a maior de sempre em Angola. Dos 15% do capital colocados à venda, 2% estavam reservados aos trabalhadores da empresa e 13% destinados ao público em geral.

A Unitel é a maior operadora de telecomunicações angolana, com mais de 70% da quota de mercado, é a primeira empresa do setor das telecomunicações a entrar na bolsa angolana. A Unitel era detida em partes iguais pelo Estado angolano, através do IGAPE, e pela petrolífera estatal Sonangol.

Anteriormente, o capital estava repartido em quatro participações de 25% – a PT Ventures (subsidiária da portuguesa Portugal Telecom, mais tarde integrada na brasileira Oi), a MSTelcom/Sonangol, a Vidatel, da empresária angolana Isabel dos Santos, e a Geni, do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, “Dino”.

A Sonangol adquiriu a posição da PT Ventures em janeiro de 2020, passando a controlar metade da empresa e em outubro de 2022, o Presidente angolano, João Lourenço, decretou a nacionalização das participações da Vidatel e da Geni, transferindo para o Estado a totalidade do capital da operadora.

A lista de empresas a privatizar até ao final do ano inclui mais dez ativos, incluindo a Angola Telecom, que fornece serviços de Internet, telefonia fixa e infraestrutura de redes.

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