José Eduardo: “Quero ser a melhor empresa do mundo”
De jogador de futebol a empresário de sucesso, assim se poderia descrever o percurso de José Eduardo que, hoje, é conhecido pela sua carreira no Sporting, mas também pelo sucesso da Casa do Marquês.
José Eduardo, empresário e antigo futebolista, é o 88º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. O futebol lançou-o nos palcos da vida e recorda os tempos no Sporting com carinho e nostalgia. A verdade é que, quando chegou o dia de guardar as chuteiras, não fazia ideia de que o esperava um percurso numa área completamente diferente, mas onde seria igualmente bem-sucedido: eventos e catering.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“Eu fui benfiquista até aos 14 anos. O meu pai sempre foi benfiquista e levava-me ao Estádio da Luz“, confessou José Eduardo, que ainda acrescentou que chegou a fazer alguns treinos no Benfica, no entanto, por causa dos seus sucessivos atrasos, o seu treinador proibiu-o de entrar num dos jogos e isso acabou por mudar o curso da sua vida: “Eu fiquei fulo porque era muito orgulhoso. Então, à noite, fui treinar ao Atlético Clube de Portugal e fiquei logo lá. Fiz ali uma carreira e depois lancei-me no futebol profissional – fui para o Portimonense, Famalicão e, depois, Sporting“.
Chegar ao Sporting foi completamente inesperado, tanto que, quando recebeu a proposta, achava que era uma brincadeira: “Quando recebi o telefonema a perguntar se eu estava interessado em ir para o Sporting, pensei que era uma partida. Então disse que precisava de pensar um bocadinho e fui ver as páginas amarelas. Aí percebi que o número que me ligou era da empresa do João Rocha, o presidente do Sporting na altura, então entendi que aquilo, afinal, era mesmo a sério“.
Quando se apercebeu do que se tratava e entrou efetivamente no Sporting, José Eduardo diz ter sentido que estava perante um “sonho concretizado”. “É incrível o poder destes clubes grandes, isto porque, a partir do momento em que nós representamos um clube assim, o nome e apelido mudam. Eu passei a ser o José Eduardo do Sporting“, contou.
Ainda assim, considera que nunca se deixou encantar pela fama e uma das razões para isso foi o facto de a sua mãe nunca se ter deslumbrado com a ideia de ter um filho jogador de futebol, pelo contrário: “É-se uma estrela quando se é jogador de futebol num clube grande, mas eu sempre tive muito equilíbrio. E aqui tive uma ajuda muito grande por parte da minha mãe porque, mesmo quando eu já era jogador no Sporting, a minha mãe perguntava-me porque é que eu jogava futebol“.
A verdade é que, antes de se tornar jogador profissional, ainda esteve “na fila para ir para o Técnico fazer engenharia”. “Mas eu sabia que aquilo não era a minha vida. Eu queria ir para desporto e acabei por depois ir para educação física porque queria ser treinador de futebol“, disse. No entanto, quando chegou o momento de “encostar as chuteiras”, José Eduardo, em vez de se tornar treinador, escolheu um percurso bem diferente do que conhecia: a organização de eventos.
“Eu comecei a trabalhar com o meu sogro numas festas, mas sempre a pensar que aquilo seria um biscate. Só que ´o bichinho foi ficando´ e mudou-me a vida. Eu acho que fui levado pela onda. De repente, em conversa com o meu sogro, surge a ideia de, além de fazer eventos in house, fazer outside, mas nunca se conseguia porque era muito diferente”, explicou.
-
José Eduardo, empresário e antigo futebolista, no episódio do "E se corre bem?" Hugo Amaral/ECO -
Hugo Amaral/ECO -
Hugo Amaral/ECO -
Hugo Amaral/ECO
Neste aspeto, conta, teve uma pequena divergência com o seu sogro porque, apesar de a empresa estar a ser muito bem-sucedida, José Eduardo defende que quando uma equipa ganha, deve-se mexer nela, mesmo assim: “Estávamos a ganhar, mas eu estava a ver que se continuássemos na mesma íamos começar a perder“. E foi nesse momento que decidiu lançar fundar a sua própria empresa, a Casa do Marquês.
“Fui para Algés, para um escritório de 30 metros quadrados, e começamos a Casa do Marquês assim, sem nada. Uma das coisas que nós levamos foi o conhecimento das pessoas e, depois, o compromisso. E isso já é uma marca”, garantiu, apesar de também ter reconhecido que o momento de viragem da empresa aconteceu quando participaram no Master 2000, que ia acontecer na FIL e no agora MEO Arena: “Eram 5000 pessoas por dia para dar de comer e fazer decorações. Mas foi um sucesso tremendo”.
Hoje em dia, a Casa do Marquês conta com 100 pessoas fixas e, só no ano passado, fez 250 mil refeições. Para José Eduardo, este sucesso justifica-se, em grande parte, por algumas condições das quais não abdica, a fim de prestar o melhor serviço possível. “Há uma coisa que não é negociável: ter o melhor produto de sempre. Não importa se é mais caro, mas temos que dar o melhor produto. Depois, temos de ter pessoal especializado em cada uma das disciplinas. Neste momento, temos restaurante Michelin, com chefes do melhor que há no mundo”, partilhou.
“O grau de exigência é muito grande, não pode haver falhas. E temos de ter um sistema interno de controlo”, continuou, acrescentando que, para isso, o cuidado com os recursos humanos é primordial: “Isto é feito de pessoas. Reter talento é fundamental. É partilhar com eles conhecimento e fazer com que eles evoluam dentro da empresa, tendo como grande objetivo o desenvolvimento da empresa e, a partir desse momento, fazer com que eles façam parte do sucesso da empresa”.
Esse sucesso, além de se refletir nas pessoas, é também medido por “três patamares”, nomeadamente “o bom, o muito bom e o excelente”. “Não é permitido abaixo do bom. E o bom já merece reflexão para questionar o motivo de determinado evento não ser muito bom. Neste momento, somos uma das melhores empresas do mundo na área do catering, mas eu quero ser a melhor do mundo. Não sei se vamos conseguir, mas o caminho é esse“, concluiu.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
José Eduardo: “Quero ser a melhor empresa do mundo”
{{ noCommentsLabel }}