José Eduardo: “Quero ser a melhor empresa do mundo”

  • ECO
  • 27 Julho 2026

De jogador de futebol a empresário de sucesso, assim se poderia descrever o percurso de José Eduardo que, hoje, é conhecido pela sua carreira no Sporting, mas também pelo sucesso da Casa do Marquês.

José Eduardo, empresário e antigo futebolista, é o 88º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. O futebol lançou-o nos palcos da vida e recorda os tempos no Sporting com carinho e nostalgia. A verdade é que, quando chegou o dia de guardar as chuteiras, não fazia ideia de que o esperava um percurso numa área completamente diferente, mas onde seria igualmente bem-sucedido: eventos e catering.

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Eu fui benfiquista até aos 14 anos. O meu pai sempre foi benfiquista e levava-me ao Estádio da Luz“, confessou José Eduardo, que ainda acrescentou que chegou a fazer alguns treinos no Benfica, no entanto, por causa dos seus sucessivos atrasos, o seu treinador proibiu-o de entrar num dos jogos e isso acabou por mudar o curso da sua vida: “Eu fiquei fulo porque era muito orgulhoso. Então, à noite, fui treinar ao Atlético Clube de Portugal e fiquei logo lá. Fiz ali uma carreira e depois lancei-me no futebol profissional – fui para o Portimonense, Famalicão e, depois, Sporting“.

Chegar ao Sporting foi completamente inesperado, tanto que, quando recebeu a proposta, achava que era uma brincadeira: “Quando recebi o telefonema a perguntar se eu estava interessado em ir para o Sporting, pensei que era uma partida. Então disse que precisava de pensar um bocadinho e fui ver as páginas amarelas. Aí percebi que o número que me ligou era da empresa do João Rocha, o presidente do Sporting na altura, então entendi que aquilo, afinal, era mesmo a sério“.

Quando se apercebeu do que se tratava e entrou efetivamente no Sporting, José Eduardo diz ter sentido que estava perante um “sonho concretizado”. “É incrível o poder destes clubes grandes, isto porque, a partir do momento em que nós representamos um clube assim, o nome e apelido mudam. Eu passei a ser o José Eduardo do Sporting“, contou.

Ainda assim, considera que nunca se deixou encantar pela fama e uma das razões para isso foi o facto de a sua mãe nunca se ter deslumbrado com a ideia de ter um filho jogador de futebol, pelo contrário: “É-se uma estrela quando se é jogador de futebol num clube grande, mas eu sempre tive muito equilíbrio. E aqui tive uma ajuda muito grande por parte da minha mãe porque, mesmo quando eu já era jogador no Sporting, a minha mãe perguntava-me porque é que eu jogava futebol“.

A verdade é que, antes de se tornar jogador profissional, ainda esteve “na fila para ir para o Técnico fazer engenharia”. “Mas eu sabia que aquilo não era a minha vida. Eu queria ir para desporto e acabei por depois ir para educação física porque queria ser treinador de futebol“, disse. No entanto, quando chegou o momento de “encostar as chuteiras”, José Eduardo, em vez de se tornar treinador, escolheu um percurso bem diferente do que conhecia: a organização de eventos.

Eu comecei a trabalhar com o meu sogro numas festas, mas sempre a pensar que aquilo seria um biscate. Só que ´o bichinho foi ficando´ e mudou-me a vida. Eu acho que fui levado pela onda. De repente, em conversa com o meu sogro, surge a ideia de, além de fazer eventos in house, fazer outside, mas nunca se conseguia porque era muito diferente”, explicou.

Neste aspeto, conta, teve uma pequena divergência com o seu sogro porque, apesar de a empresa estar a ser muito bem-sucedida, José Eduardo defende que quando uma equipa ganha, deve-se mexer nela, mesmo assim: “Estávamos a ganhar, mas eu estava a ver que se continuássemos na mesma íamos começar a perder“. E foi nesse momento que decidiu lançar fundar a sua própria empresa, a Casa do Marquês.

Fui para Algés, para um escritório de 30 metros quadrados, e começamos a Casa do Marquês assim, sem nada. Uma das coisas que nós levamos foi o conhecimento das pessoas e, depois, o compromisso. E isso já é uma marca”, garantiu, apesar de também ter reconhecido que o momento de viragem da empresa aconteceu quando participaram no Master 2000, que ia acontecer na FIL e no agora MEO Arena: “Eram 5000 pessoas por dia para dar de comer e fazer decorações. Mas foi um sucesso tremendo”.

Hoje em dia, a Casa do Marquês conta com 100 pessoas fixas e, só no ano passado, fez 250 mil refeições. Para José Eduardo, este sucesso justifica-se, em grande parte, por algumas condições das quais não abdica, a fim de prestar o melhor serviço possível. “Há uma coisa que não é negociável: ter o melhor produto de sempre. Não importa se é mais caro, mas temos que dar o melhor produto. Depois, temos de ter pessoal especializado em cada uma das disciplinas. Neste momento, temos restaurante Michelin, com chefes do melhor que há no mundo”, partilhou.

O grau de exigência é muito grande, não pode haver falhas. E temos de ter um sistema interno de controlo”, continuou, acrescentando que, para isso, o cuidado com os recursos humanos é primordial: “Isto é feito de pessoas. Reter talento é fundamental. É partilhar com eles conhecimento e fazer com que eles evoluam dentro da empresa, tendo como grande objetivo o desenvolvimento da empresa e, a partir desse momento, fazer com que eles façam parte do sucesso da empresa”.

Esse sucesso, além de se refletir nas pessoas, é também medido por “três patamares”, nomeadamente “o bom, o muito bom e o excelente”. “Não é permitido abaixo do bom. E o bom já merece reflexão para questionar o motivo de determinado evento não ser muito bom. Neste momento, somos uma das melhores empresas do mundo na área do catering, mas eu quero ser a melhor do mundo. Não sei se vamos conseguir, mas o caminho é esse“, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.

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