Galp espera assinar acordo com Moeve em outubro
Diálogo com Governo segue de forma "muito construtiva" e não está a atrasar o processo, garante a Galp.
Depois de anunciar ao mercado que o acordo para uma fusão parcial com a Moeve deverá ser fechado no segundo semestre, os co-CEO da Galp, João Diogo da Silva e Maria João Carioca, estimam a data provável de assinatura para o mês de outubro.
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“Em outubro devemos estar em condições para um signing [assinatura do acordo]”, afirmou João Diogo Marques da Silva, em declarações ao ECO/Capital Verde, depois de, numa chamada com analistas, ter dado conta de “complexidades” nas diligências em torno do processo. Ainda assim, “não são questões que nós não estivéssemos à espera”, refere, para depois adiantar, no âmbito das preocupações levantadas do Governo: “Essas questões não fazem adiar o processo.”
No início do mês, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse que o Governo está a acompanhar “com a máxima atenção” o acordo anunciado entre as duas empresas, “tendo como prioridade assegurar a continuidade da refinaria de Sines enquanto ativo estratégico nacional, defender a segurança do abastecimento energético e criar condições para o seu desenvolvimento no contexto da transição energética”.
O Governo estará inclusivamente a estudar as ferramentas que tem para atuar no âmbito do negócio entre as duas petrolíferas, de forma a garantir que a refinaria se mantém em solo português e tem Portugal como prioridade em situações de crise, afirmou a ministra da tutela. A responsável indicou que a capacidade de intervenção estava a ser estudada à luz do facto de os investidores acionistas da Moeve serem de fora da Europa.
“Entendemos as preocupações de segurança de abastecimento que o Governo tem, que são as mesmas que a eventual parceria com a Moeve vai garantir e vai defender. Estamos absolutamente alinhados nisso”, afirma o co-CEO, que considera que o diálogo com o Governo tem seguido “de forma muito construtiva”. O responsável da Galp salienta ainda que “Sines é um dos ativos fundamentais na plataforma que se está a constituir com os ativos da Moeve” e sublinha que a petrolífera portuguesa tem sido capaz de assegurar o abastecimento do país “num contexto extremamente adverso”.
Por seu lado, Maria João Carioca frisa que o diálogo aberto com o Governo é “uma parte importante”, e que este se faz em torno condições que garantem a competitividade do ativo no futuro, nas quais “convergem os interesses de todas as partes”. Considera ainda que a nacionalidade do acionista não é o que vai condicionar a capacidade da refinaria para, a prazo, “continuar a ser um ativo que está a operar nas melhores condições” e que consegue fornecer o mercado com previsibilidade e boa oferta. “Não vemos que não haja espaço para chegarmos a uma solução e é sobre essa solução que vamos conversando com o governo”, rematou.
A petrolífera portuguesa e os acionistas da Moeve — a Mubadala Investment Company e o The Carlyle Group — anunciaram a 8 de janeiro que chegaram a um acordo não vinculativo para avançar com discussões detalhadas sobre a potencial fusão dos seus portefólios de downstream e criar duas empresas líderes de energia na Península Ibérica: a RetailCo e a IndustrialCo. A Galp informou nessa altura que, havendo acordo, ficará com cerca de 50% da nova plataforma de retalho (a RetailCo) com 3.500 estações de serviço na Ibéria e, pelo menos, 20% da empresa industrial a ser criada para a refinação e o trading (a IndustrialCo).
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