Dona da Tabaqueira fez um parceiro e amigo (improvável) que só fumou 15 segundos na vida

Philip Morris fez uma parceria com o tenor Andrea Bocelli por ambos terem traçado um caminho de vida/negócio diferente do que tinham no passado. "Acreditámos que poderíamos ser", diz Massimo Andolina.

Con te partirò
Paesi che non ho mai
Veduto e vissuto con te
Adesso, sì, li vivròo
Con te partirò

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O fenómeno musical do tenor Andrea Bocelli podia ser perfeitamente cantado para a empresa com a qual o artista decidiu este verão fazer uma parceria estratégica internacional, a Philip Morris International (PMI), proprietária da portuguesa Tabaqueira. A multinacional norte-americana escolheu o músico italiano para a apoiar a acelerar a estratégia de crescimento no mercado sem fumo – onde a marca se tem posicionado com o tabaco aquecido ou outras alternativas – e o artista deixou uma promessa: “Partirei contigo” para “países que nunca vi e conheci”, que é o caso dos cigarros.

A parceria plurianual “Believe Further” (“Acredita Mais”) entre a PMI e Andrea Bocelli, um dos mais conceituados artistas do mundo, prevê envolver cidadãos e público corporativo e institucional em debates sobre o progresso, a convicção de mudança e as possibilidades de escolha que a ciência e a tecnologia permitem. Apesar de não existirem detalhes sobre o calendário de iniciativas conjuntas, sabe-se que o acordo está desenhado para envolver empresas, entidades ligadas à cultura e outras instituições em toda a Europa e prevê-se que evolua ao longo do tempo em termos de alcance e abordagem.

O presidente da PMI na Europa, Massimo Andolina, explicou que ambos têm em comum “duas grandes histórias de mudança, a de um homem que tinha uma visão do que iria conseguir e a de uma empresa com a convicção de que podia progredir” e que “está a passar pela mais ousada transformação corporativa da história moderna”. “Ambos decidimos seguir o nosso próprio caminho e tornar-nos naquilo que sempre acreditámos que poderíamos ser. O que é que fazes quando o mundo já decidiu quem és? Acreditas ainda mais [Believe Further]”, afirmou, em declarações aos jornalistas, a partir de Veneza.

Massimo Andolina fazia referência à infância e início de carreira de Andrea Bocelli, que nasceu com uma doença ocular grave e aos 12 anos ficou totalmente cegou devido uma hemorragia causada por uma bola de futebol, e à profunda alteração do modelo de negócio da Philip Morris. A dona da Tabaqueira tem um programa global “Além da Nicotina”, desde 2008, no qual foram investidos mais de 16 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) nos últimos anos.

Em causa está uma reforma na cadeia de produção e investigação em laboratório com 1.604 cientistas, engenheiros e técnicos que fizeram com que quase metade (46%) das receitas do grupo já venham dos negócios da área “sem fumo”, onde se inclui o Iqos, após mais de 150 anos a faturar com insígnias como Marlboro, segundo os resultados do primeiro semestre divulgados na quarta-feira.

Temos de criar pontes. Temos de parar de pensar que uma empresa que criou um problema no passado não pode ser a solução do futuro. Temos de ter esta conversa se quisermos mudar algo na sociedade”, referiu, na intervenção à imprensa, Massimo Andolina, que se prepara para assumir em breve as funções de administrador financeiro do grupo PMI.

Por sua vez, Andrea Bocelli contou que tinha 13 anos quando decidiu pegar num cigarro pela primeira (e última) vez: “Estava na escola e não queria ficar para trás [perante os amigos fumadores]. Fumei 15 segundos, comecei a tossir e nunca mais toquei num cigarro”. Aos meios de comunicação presentes na cerimónia, para a qual foi recebido com uma ovação, o tenor esclareceu que se identificou com a PMI porque ambos tiveram “a visão de que seria possível mesmo quando os outros nos diziam que não”.

Questionada sobre os planos e objetivos financeiros do acordo com Andrea Bocelli, fonte oficial da PMI esclareceu ao ECO que “não é esperada qualquer repercussão financeira”. “O maestro Andrea Bocelli não está associado a nenhum produto, marca ou iniciativa comercial da PMI e nunca foi, ele próprio, consumidor de nicotina. Trata-se de uma parceria entre um artista e uma empresa que reconhecem mutuamente uma abordagem comum em relação ao futuro”, informou o grupo que investiu mais de 400 milhões de euros em Portugal desde 1997, acrescentando que o compositor e cantor lírico é um “parceiro, alguém que se juntou a esta relação por convicção e testemunho” pessoais e por acreditar no progresso.

Philip Morris lucra 14,6 mil milhões até junho

A Philip Morris International apresentou esta semana receitas totais de 21,3 mil milhões de dólares (18,7 mil milhões de euros) no primeiro semestre, o que correspondeu a um aumento de 9,8% em termos homólogos. O lucro bruto fixou-se nos 14,6 mil milhões de euros (12,8 mil milhões de euros), mais 10,9% do que de janeiro a junho de 2025.

O CEO do grupo PMI destacou a subida da “receita líquida para mais de 11 mil milhões de dólares pela primeira vez” no segundo trimestre e o crescimento significativo “em todas as principais métricas”, o que caracterizou como “resultados excecionais”. “Com um primeiro semestre robusto, incluindo o impulso contínuo e os fortes resultados no nosso negócio de produtos sem fumo, estamos bem posicionados para atingir os nossos objetivos do ano, ao mesmo tempo que investimos no crescimento futuro”, afirmou Jacek Olczak, na mensagem divulgada com o relatório financeiro.

Apesar de a PMI não publicar dados regionais, o ECO sabe que Portugal é um dos mercados europeus com maior volume de negócios, correspondendo a cerca do dobro do Reino Unido, por exemplo.

Daqui a precisamente uma semana, a partir do próximo dia 1 de agosto, as contas estarão entregues ao próximo Chief Financial Officer (CFO) da Philip Morris, Massimo Andolina. O exercício fiscal do segundo semestre já estará a cargo do compatriota de Andrea Bocelli.

*A jornalista viajou a Itália a convite da PMI

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