Portugal vai receber 65,37 milhões de euros da UE para recuperar das tempestades

Num total de 103,6 milhões de euros, além de Portugal, também vão receber adiantamentos de verba Espanha (37,26 milhões de euros) e Malta (931 mil euros) para apoiar os trabalhos de recuperação.

Portugal vai receber um adiantamento de 65,37 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia (FSUE) para apoiar financeiramente os trabalhos de recuperação dos danos causados pelo chamado comboio de tempestades que, entre 22 de janeiro e 15 de fevereiro deste ano, devastou sobretudo a região Centro do país.

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De acordo com a Comissão Europeia, este adiantamento monetário, que foi aprovado esta quinta-feira, surge na sequência de um pedido apresentado por Portugal e consequente avaliação técnica positiva do executivo comunitário que confirmou que os critérios de acesso ao FSUE foram cumpridos.

Em Alcácer do Sal, o Rio Sado inundou a zona ribeirinha a 5 de fevereiro de 2026RUI MINDERICO/LUSA

Trata-se de um primeiro pagamento efetuado após as tempestades. A Comissão vai ainda apresentar uma proposta ao Parlamento Europeu e ao Conselho da UE relativa aos três pedidos de apoio. “Se estes forem aprovados, os pagamentos finais serão efetuados posteriormente, em função das disponibilidades orçamentais”, avança.

“Portugal foi afetado entre 22 de janeiro e 15 de fevereiro de 2026 por uma sequência de tempestades excecionalmente severas”, começa por contextualizar a Comissão Europeia. “As tempestades provocaram ventos fortes, turbulências costeiras e chuvas intensas, que conduziram a inundações e deslizamentos de terras e resultaram em 18 vítimas mortais, danos materiais significativos e interrupções na prestação de serviços essenciais. Portugal receberá um adiantamento de 65,37 milhões de euros”, detalha.

As tempestades destruíram parcial ou completamente milhares de casas, empresas e infraestruturas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, além de ter provocado a queda de milhares de árvores, o corte de energia, de água e de comunicações, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

Ainda este semana, o presidente da Câmara de Alvaiázere, João Paulo Guerreiro, alertava para o facto de o concelho continuar “numa situação insustentável” em matéria de comunicações, quase seis meses após a depressão Kristin ter atingido gravemente este território.

Num total de 103,6 milhões de euros, além de Portugal, também vão receber adiantamentos de verba Espanha (37,26 milhões de euros) e Malta (931 mil euros) para apoiar os trabalhos de recuperação devido às catástrofes que assolaram estes países.

O objetivo deste apoio, explica a Comissão Europeia, visa “aliviar os encargos financeiros resultantes dos esforços de reconstrução que foram necessários para fazer face aos danos causados pelas tempestades devastadoras que ocorreram nestes países em janeiro e fevereiro de 2026″.

As tempestades — concretamente, as depressões Kristin, Leonardo e Marta — que atingiram Portugal também causaram estragos significativos em Espanha, entre 22 de janeiro e 14 de fevereiro de 2026. “O resultado foi um corte prolongado da eletricidade, da água e das telecomunicações, que afetou milhares de habitantes. As pessoas também sofreram perdas materiais significativas e muitas casas foram destruídas ou deixadas inabitáveis”, descreve a Comissão Europeia.

Malta foi atingida entre 19 e 21 de janeiro de 2026 pela tempestade Harry, que provocou “inundações generalizadas, danos costeiros e perturbações nos transportes, com prejuízos significativos para as infraestruturas públicas, os portos, as pescas, a aquicultura, os produtos agrícolas e as comunidades locais”.

Desde que o fundo foi criado 2002, já disponibilizou mais de 11 mil milhões de euros em assistência a 148 catástrofes, incluindo 128 catástrofes naturais e 20 emergências sanitárias, em 25 Estados-Membros e seis países candidatos à adesão.

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