“Só 1% das perdas por incidentes cibernéticos estão cobertas por seguro”

  • Carolina Neves Carvalho
  • 21 Julho 2026

Os ciberseguros estão a ganhar expressão no mercado, mas cobrem apenas 1% das perdas globais causadas por incidentes cibernéticos. Assista aqui, na íntegra, ao painel.

Cinco anos depois da pandemia impulsionar o trabalho remoto e a economia digital, o mercado de ciberseguros mudou, mas continua a cobrir apenas uma fração das perdas globais. O balanço foi feito no painel “Ciber-Seguros 2.0: O estado da arte”, na 5.ª edição do Fórum Nacional de Seguros, por Ana Silva, Diretora de Linhas Financeiras na Hiscox, Daniel Marques, Managing Director na Nuvu, José Limón Cavaco, Partner da área de seguros e resseguros na CCA, e Vasco Baptista, Especialista Linhas Financeiras na MDS.

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Marta Leite Castro moderou o painel que reuniu Daniel Marques, José Limón Cavaco, Vasco Baptista, e Ana Silva para falar sobre o ciberseguro.

Ana Silva resumiu essa transformação: “a maior evolução do mercado dos ciberseguros nos últimos tempos foi o facto de a solução cyber deixar de ser uma solução de pagamento de perdas para passar a representar uma ferramenta essencial na estratégia de gestão de risco e resiliência de uma empresa”, afirmou, referindo que as apólices passaram a incluir serviços de resposta a incidentes 24 horas por dia e serviços preventivos.

Vasco Baptista identificou a pandemia como ponto de viragem na exposição ao risco cibernético. “O Covid trouxe um fator de mudança muito grande, porque impulsionou a economia digital e o trabalho à distância, criando vulnerabilidades críticas que aumentaram a exposição e a complexidade dos riscos, sobretudo pela movimentação lateral entre estruturas, que expõe o segurado a um cenário global.”

José Limón Cavaco alertou para o desfasamento entre a dimensão do problema e a cobertura existente: “as perdas de incidentes cibernéticos estão avaliadas entre 1 e 10 biliões de dólares a nível global, mas só 1% destas perdas está coberto.” Para o responsável, parte do problema está na falta de clareza das próprias apólices: “podiam ser mais claras, para que os tomadores tenham mais consciência daquilo que está e não está coberto.”

Daniel Marques traçou um balanço mais otimista da evolução dos últimos cinco anos: “hoje em dia estamos muito mais proativos, soubemos ler o mercado e ser mais dinâmicos, com serviços que ajudam o cliente a monitorizar o seu risco, e não só quando há um sinistro.” Segundo explicou, as seguradoras com quem a Nuvu trabalha já oferecem testes de vulnerabilidade, testes de intrusão e formação aos colaboradores das empresas, “porque o fator humano continua a ser um dos principais alvos de risco cibernético.”

Veja aqui, na íntegra, o painel que reuniu Ana Silva, Daniel Marques, José Limón Cavaco e Vasco Baptista.

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