Bolsa portuguesa desafia o pânico dos chips e guerra no Golfo que arrasta Europa para o vermelho
A escalada da guerra e o pânico dos chips penalizam as bolsas e atiram o Brent para maior subida semanal desde abril, enquanto o PSI escapa à onda de perdas à boleia da EDP, Galp e Jerónimo Martins.
- O desempenho da bolsa nacional destaca-se esta sexta-feira, apresentando uma leve subida de 0,1% enquanto as bolsas europeias enfrentam quedas generalizadas.
- As vendas nas tecnológicas e a escalada das tensões no Médio Oriente pressionam os mercados, com o Stoxx 600 a cair 0,5% e o setor dos semicondutores a sofrer perdas significativas.
- A resiliência do PSI é impulsionada por EDP, Jerónimo Martins e Galp Energia, que contrabalançam a pressão vendedora e mantêm o índice nacional estável.
Esta sexta-feira, o desempenho da bolsa nacional ganha particular relevo ao contrastar com o resto do continente, sendo praticamente o único bastião de resistência às vendas generalizadas na Europa.
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As bolsas europeias abriram a sessão a perder terreno, arrastadas por uma nova vaga de vendas nas tecnológicas e pela escalada das tensões no Médio Oriente, num dia em que os investidores parecem ter decidido questionar se as avaliações do setor dos semicondutores não se afastaram demasiado da realidade.
O pan-europeu Stoxx 600 segue a negociar com uma queda de 0,6% depois de já ter estado a perder 0,9%, naquela que deverá ser a segunda semana consecutiva de perdas para o índice de referência europeu.
Em Lisboa, o cenário é praticamente o inverso do resto da Europa, com o PSI a destacar-se como uma das raras praças a contrariar as quedas, ao negociar com uma subida de 0,1%.
A pressão vem, sobretudo, do lado dos fabricantes de semicondutores, que já tinham arrastado Wall Street e as bolsas asiáticas nas últimas sessões, com o setor tecnológico europeu a tombar esta sexta-feira quase 3%, com empresas como a francesa STMicroelectronics a cair mais de 7% e a neerlandesa ASM International a perder 6,2%.
O sinal negativo já se tinha instalado em Wall Street na quinta-feira, com o Nasdaq 100 a cair 1,6% depois de um novo acesso de volatilidade entre os gigantes dos semicondutores, cujo índice de referência tombou mais de 4% em bolsa, mesmo com a taiwanesa TSMC a apresentar lucros acima do esperado. Essa desconfiança contagiou também as praças asiáticas, que fecharam a sessão de quinta-feira a somar perdas pesadas:
- O Nikkei japonês tombou mais de 4%, ficando já mais de 13% abaixo do seu máximo recente, enquanto a bolsa de Taiwan afundou 6,5% no seu pior dia desde a “Liberation Day” de Donald Trump, e o índice chinês CSI300 perdeu 3,6%.
- Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 2,5%, com o subíndice tecnológico a cair 5%, ao passo que a bolsa da Coreia do Sul permaneceu fechada por feriado, um dia depois de as autoridades locais anunciarem restrições temporárias à listagem de novos ETF ligados a grandes tecnológicas para conter a volatilidade.
A desconfiança em torno do ritmo de investimento em inteligência artificial contagia igualmente o mercado que permanece atento à Netflix, cujas ações estão a cair 9,3% no pré-mercado depois de a empresa ter admitido um segundo trimestre consecutivo de abrandamento nas receitas.
Do lado das matérias-primas, o Irão anunciou novos ataques a instalações norte-americanas no Golfo, naquilo que já é a sexta noite consecutiva de confrontos entre os dois países, depois do fracasso da trégua alcançada no mês passado, atirando o Brent para mais uma subida de 0,5% até aos 84,7 dólares por barril, encaminhando o petróleo que serve de referência à Europa para o maior ganho semanal desde abril, somando atualmente uma valorização de 11,4% desde segunda-feira.
O ouro, tradicional refúgio em momentos de instabilidade, sobe 0,5%, para perto dos 3.990 dólares por onça, enquanto o dólar regista ligeiros ganhos, à boleia da subida das yields da dívida norte-americana e dos receios de que a inflação possa complicar a vida à Reserva Federal norte-americana.
Em Lisboa, o cenário é praticamente o inverso do resto da Europa, com o PSI a destacar-se como uma das raras praças a contrariar as quedas, ao negociar com uma subida de 0,1%. Essa resiliência assenta quase por inteiro em três dos seus principais pesos pesados, que absorvem a pressão vendedora sentida noutras bolsas: a EDP avança 0,73%, a Jerónimo Martins soma 0,67% e a Galp Energia ganha 0,26%, um trio que, a valorizar em bloco, tem sido suficiente para segurar o índice nacional acima da linha de água num dia particularmente adverso para os mercados acionistas europeus.
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