Exclusivo Almofada das pensões engorda 22,4% num ano e aproxima-se dos 50 mil milhões de euros

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social fechou o primeiro semestre com uma rendibilidade líquida de 3,84% e com um património equivalente a 28,36 meses de despesa com pensões.

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  • O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social cresceu mais de 9 mil milhões de euros em apenas um ano, garantindo agora uma taxa de cobertura de 236,3% das prestações do sistema.
  • As ações voltaram a ser o principal motor da valorização do FEFSS no semestre, registando ganhos acima de 13% que compensaram a estagnação dos ativos de dívida.
  • Apesar dos ganhos dos últimos anos, o limite legal que obriga a investir metade do FEFSS em dívida pública tem travado ganhos maiores e custou milhões à almofada das pensões.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) fechou o primeiro semestre com um valor recorde de 49,3 mil milhões de euros, um montante equivalente a 28,36 meses de despesa com pensões, traduzindo-se numa taxa de cobertura de 236,3%, um patamar que supera o objetivo legal mínimo de dois anos de prestações garantidas.

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O valor alcançado no final de junho compara com os 40,28 mil milhões de euros registados um ano antes, no final do primeiro semestre de 2025, quando a taxa de cobertura de pensões se fixava em 208,6%, e com os 41,95 mil milhões de euros com que fechou no final do ano passado.

Em apenas 12 meses, o património do fundo cresceu 22,4%, engordando mais de 9 mil milhões de euros, um salto que resulta da combinação entre injeções de capital público e o desempenho dos mercados financeiros.

O FEFSS alcançou nos primeiros seis meses do ano uma rendibilidade líquida de transferências de 3,84%, ficando acima dos 0,86% obtidos no mesmo período em 2025, e acima dos 3,6% da rendibilidade média anual desde a criação do fundo.

Para este novo máximo contribuíram as transferências do Estado para o fundo, que atingiram 5,58 mil milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, o valor mais elevado desde a criação do FEFSS em 1989 e que compara com os 4,08 mil milhões de euros transferidos no mesmo período de 2025.

Estas verbas têm origem, na sua maioria, nos excedentes do sistema Previdencial da Segurança Social, mecanismo que, por lei, canaliza para o fundo os saldos positivos gerados pelas contribuições de trabalhadores e empregadores, sempre que a receita das contribuições supera a despesa com pensões nesse regime.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A este reforço financeiro de fundos do Estado, juntou-se o desempenho alcançado pela equipa de gestão do FEFSS liderada por José Vidrago, presidente do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS) desde 2021, que assegurou uma rendibilidade líquida de transferências de 3,84% entre janeiro e junho, superior aos 0,86% obtidos no mesmo semestre de 2025.

Este resultado situa-se acima da média histórica do fundo, que ronda os 3,6% ao ano desde a sua criação, há mais de três décadas. O ganho alcançado no primeiro semestre expressa ainda uma recuperação assinalável face ao primeiro trimestre de 2026, altura em que a carteira encolheu em bolsa.

A sustentar o desempenho do FEFSS no primeiro semestre esteve particularmente a carteira de ações — constituída integralmente por fundos cotados que replicam alguns dos maiores índices de ações mundiais –, ao contabilizar ganhos de 13,67% entre janeiro e junho. Este desempenho contrasta com os ganhos de apenas 0,87% da mesma carteira de ações registados nos primeiros seis meses de 2025, e com a valorização de 13,1% do índice de ações mundial MSCI World, em euros, entre janeiro e junho deste ano.

A carteira de ações do FEFSS valorizou 13,67% no primeiro semestre, enquanto a carteira de dívida pública de países da OCDE valorizou apenas 0,20% e a carteira de dívida pública portuguesa avançou 1,31%.

Este comportamento reproduz a tendência de há largos anos, de que as ações são o motor do crescimento da “almofada de pensões”. Isso foi visível, por exemplo, no ano passado, com as ações a avançarem cerca de 12%, contribuindo significativamente para impulsionar o FEFFS para um ganho anual de 3,9%, dado que a carteira de dívida pública (que pesava 50,8% do portefólio) valorizou apenas 0,94%.

Em sentido oposto, os ativos de dívida (que compõem cerca de 75% do portefólio do FEFSS), voltaram a marcar passo no decorrer do primeiro semestre.

De acordo com dados obtidos pelo ECO, a carteira de dívida pública de países da OCDE valorizou apenas 0,20% no semestre, um desempenho inferior aos 2,04% obtidos um ano antes, enquanto a componente de dívida pública portuguesa avançou 1,31%, acima dos 0,37% do primeiro semestre de 2025, ficando ambas as classes de dívida muito atrás do desempenho acionista.

O FEFSS alcançou nos primeiros seis meses do ano uma rendibilidade líquida de transferências de 3,84%, ficando acima dos 0,86% obtidos no mesmo período em 2025, e acima dos 3,6% da rendibilidade média anual desde a criação do fundo.

Criado em 1989, o FEFSS tem como missão assegurar a estabilização financeira do regime Previdencial da Segurança Social e garantir o pagamento de pensões durante, pelo menos, dois anos em situações de necessidade. José Vidrago descreve o fundo como um instrumento de estabilização intertemporal, concebido para suavizar choques económicos e mitigar desequilíbrios entre receitas contributivas e despesa com pensões num contexto de envelhecimento demográfico.

A gestão do fundo está, no entanto, condicionada por limites regulamentares que restringem a exposição a ações a um máximo de 25% da carteira, obrigando simultaneamente a que a dívida pública portuguesa represente pelo menos 50% do património total.

Segundo cálculos avançados por responsáveis do FEFSS, esta obrigação de deter títulos da República retirou quase 6 mil milhões de euros à almofada das pensões entre 2018 e 2025, um encargo que reduz o potencial de valorização de um investidor com um horizonte temporal de longo prazo.

O FEFSS soma milhões de euros a cada trimestre, mas fá-lo com um pé travado pela obrigação de financiar o Estado através de dívida pública, sacrificando parte do que as ações poderiam render a uma “almofada” pensada para durar décadas.

Entre a segurança do Tesouro e a agilidade da bolsa, o FEFSS continua a seguir um caminho de equilíbrio em que cada ponto percentual de rendibilidade perdido se mede em milhões de euros que deixam de reforçar as pensões futuras dos portugueses.

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