Volkswagen causa “temores” na indústria de componentes nacional. Setor já antecipa novo ano de quebra e despedimentos
Depois de ter registado uma quebra das exportações em 2025, a associação que representa o setor de componentes prevê mais um ano negativo, com as empresas a serem castigadas pela quebra de encomendas.
A redução da capacidade de produção da construtora automóvel alemã Volkswagen em 25% vai afetar o setor de componentes automóveis em Portugal. Apesar de ainda não ser possível antecipar qual a dimensão deste impacto, o presidente da AFIA, a associação que representa o setor, reconhece que a situação da multinacional, que detém a Autoeuropa em Portugal, está a causar “temores” no setor, que já antecipa um novo ano de descida de vendas e despedimentos. Quanto à fábrica de Palmela, a comissão de trabalhadores afasta qualquer impacto, notando que estão a ser visadas fábricas na Alemanha.
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Com uma capacidade instalada de 12 milhões de veículos por ano, a Volkswagen informou que vai reduzir a produção para nove milhões, ao mesmo tempo que vai também reduzir a oferta dos seus modelos automóveis paulatinamente em 50%, concentrando-se nos segmentos de mercado mais atrativos. “É uma situação que vai ter impacto em Portugal“, admite José Couto, presidente da AFIA, em declarações ao ECO.
O responsável destaca que se trata de “uma redução significativa. É uma situação de alguns temores que sejamos afetados, não sabemos ainda a dimensão“, acrescenta, notando que o impacto para as empresas dependerá da sua exposição aos modelos que a fabricante vai manter ou não.
Depois de ter as exportações terem recuado 7% em maio face ao período homólogo, “uma baixa significativa, abaixo das piores projeções”, a associação refere que a “atividade em toda a indústria provavelmente estará a sofrer uma baixa de atividade por diminuição de encomendas”, com José Couto a destacar que “o mercado europeu está a cair significativamente – Alemanha, França e Espanha caíram”.
Olhando para aquilo que é a realidade atual, José Couto antecipa que “2026 vai ser mais um ano negativo, em que não aumentaremos as vendas”, depois de dois anos de contração. As exportações representam 85% das vendas totais e baixaram em 2025, ficando abaixo dos 12 mil milhões de euros.
As empresas têm de estar prontas para reduzir a sua atividade, adequar o chão de fábrica às projeções para a Europa e diminuir o número de pessoas.
Com o setor automóvel a atravessar um período conturbado, que tem forçado grandes construtoras automóveis para as quais as empresas de componentes nacionais vendem a tomar medidas para lidar com a quebra do consumo e a crescente concorrência, o presidente da AFIA avisa que “as empresas têm de estar prontas para reduzir a sua atividade, adequar o chão de fábrica às projeções para a Europa e diminuir o número de pessoas“. “Talvez não tivesse acontecido na covid, mas poderá não haver outra solução agora”, lamenta.
“Os nossos piores cenários [para 2026] eram uma quebra de 5 a 6%, mas ainda não percebemos se a queda é de compras de consumo na Europa ou reajustamento da atividade”, realça.
Autoeuropa protegida de redução

Apesar de a Volkswagen estar a preparar uma grande redução de produção, a fábrica da multinacional em Palmela não deverá sentir o efeito deste corte, segundo a comissão de trabalhadores da empresa.
“Não há nenhum indicador que nos diga que vai ser replicada na Autoeuropa ou fora da Alemanha. Estamos solidários com os colegas na Alemanha, mas tranquilos”, diz Rogério Nogueira, da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, ao ECO. Adianta ainda que a empresa está a produzir, este ano, o novo T-Roc e, a partir de 2027, vai arrancar com a produção do futuro Volkswagen ID.1, modelos que deverão estar protegidos. “Não há nada a recear para aqui, até ver”, remata.
Questionada, fonte oficial da Autoeuropa escusou-se a comentar o assunto.
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