Transportes públicos já são gratuitos para residentes do Porto

  • ECO e Lusa
  • 10 Julho 2026

Passe metropolitano gratuito pode ser usado no metro, autocarros da STCP e da rede Unir; comboios urbanos da CP e rede de elétrico e barcos. Custa 20 a 25 milhões ao ano aos cofres do município.

Os transportes públicos para residentes no Porto serão gratuitos já a partir desta sexta-feira, anunciou Pedro Duarte numa cerimónia que decorreu na praça em frente à estação de metro da Trindade, notando que esta era uma das principais medidas do programa com que foi eleito nas últimas autárquicas.

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O autarca explicou que quem já tem o passe gratuito até aos 23 anos “não precisa de fazer nada”. Quem tem o cartão municipal Porto terá de se deslocar a uma loja Andante ou Payshop para o atualizar, frisando que é “um processo que demora segundos”.

os residentes que ainda não possuam o cartão municipal Porto., podem pedi-lo online ou então dirigir-se ao Gabinete do Munícipe. O carregamento da gratuitidade dos transportes será anual, salientou ainda.

O passe metropolitano gratuito é válido para o metro; para os autocarros STCP e da rede Unir; para os comboios urbanos do Porto/CP; e para a rede de elétrico e barcos (na futura travessia fluvial entre Porto e Vila Nova de Gaia).

Foi em abril que o Executivo municipal aprovou a proposta de transportes públicos gratuitos, que permitirão aos portuenses viajar por toda a área metropolitana. É estimado um custo anual entre 20 a 25 milhões de euros, com o autarca a admitir vir a subir a taxa turística para “os valores de Lisboa”, ou seja, de três para quatro euros.

Já sobre se este dinheiro não será necessário para eventuais futuros investimentos na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Pedro Duarte afirmou que há um plano a 10 anos que já estava previsto antes desta medida.

“Esse plano é ambicioso e, portanto, perspetiva já um crescimento significativo de autocarros. Até porque, às vezes, há um pouco esta confusão, não é necessariamente através de mais autocarros que se vai resolver um problema de maior procura, porque depois os autocarros ficam eles próprios parados no trânsito”, disse.

Portuenses vão “bufar” menos dentro do carro

Durante a apresentação da medida, Pedro Duarte admitiu que a gratuitidade dos transportes públicos não será “uma bala de prata que de repente vai transformar a mobilidade na cidade do Porto”, mas dá legitimidade para tomar medidas mais restritivas do automóvel.

O sucessor de Rui Moreira disse ter “noção das expectativas”, falando antes num “incentivo muito importante para que comece a haver uma mudança de paradigma na vida das pessoas, em que o transporte individual passa a ser supletivo e o meio essencial prioritário de transporte na cidade seja o transporte público”. Mas que, reconheceu, “vai demorar certamente muitos anos”.

Vamos poder tomar algumas medidas que, em certo sentido, não sejam tão simpáticas ou tão amigas do automóvel, tendo agora uma legitimidade acrescida, [pois] a Câmara está a oferecer transportes gratuitos a quem precisar.

Pedro Duarte

Presidente da Câmara do Porto

Quanto ao trânsito, a expectativa “não é que tenha um efeito imediato de transformação”, mas quer “começar a mudar” o paradigma. “Temos uma ideia de cidade que aposta na qualidade de vida, no bem-estar individual de cada um e no bem-estar de nós enquanto comunidade, e para isso nós não podemos ter uma cidade que é composta por automóveis parados no trânsito. Isso é a antítese do bem-estar”, considerou.

O objetivo é que “o espaço público seja usufruído pelas pessoas”, evitando estar “a buzinar” e “a bufar” dentro dos carros pelo tempo perdido no trânsito.

Além de mencionar a intenção de aumentar as faixas Bus no concelho em seis quilómetros até ao final do ano, para um total de 22, o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse que agora vai “poder tomar algumas medidas que, em certo sentido, não sejam tão simpáticas ou tão amigas do automóvel, tendo agora uma legitimidade acrescida, [pois] a Câmara está a oferecer transportes gratuitos a quem precisar”.

Questionado também sobre o alcance desta medida para a Área Metropolitana do Porto (AMP), uma vez que apenas os residentes na cidade poderão beneficiar da gratuitidade, Pedro Duarte, que é presidente da AMP, disse que não pode “tomar decisões em nome dos outros presidentes de Câmara”.

“Para termos uma estratégia metropolitana de transportes e de mobilidade é muito importante que todos adiram a esta ideia de que devem apostar no transporte público. A forma como o fazem, isso compete a cada um. Nós aqui no Porto estamos de facto a ir se calhar mais longe do que qualquer outro”, reconheceu.

Porém, quanto a esta medida, “tomá-la em termos metropolitanos” não é possível, disse, reiterando que defende “que o país devia evoluir para um modelo diferente” com “um nível de poder político entre o poder autárquico e o poder central”.

“Se tivéssemos, se calhar poderíamos ser mais ambiciosos nesta matéria. Enquanto não podemos, acho que o Porto pode servir como um piloto, uma semente que vai dar frutos e depois talvez os outros percebam que é uma medida que vale a pena também assumirem”, afirmou.

Duarte não rejeita portagens para entrar no Porto “no futuro”

Por outro lado, o presidente da Câmara do Porto que não prevê a implementação de portagens à entrada da cidade para limitar o tráfego automóvel – “não temos essa medida no nosso pipeline, digamos assim” –, mas também “não [rejeita] que no futuro isso possa ser equacionado”.

Pedro Duarte tinha sido questionado sobre a possível “introdução de portagens à entrada das cidades”, tal como já acontece noutras europeias, tendo também falado sobre a proibição do tráfego de passagem dos pesados de mercadorias na Via de Cintura Interna (VCI), que entrará em vigor em 15 de setembro.

Quanto à plataforma de registo dos pesados, o autarca disse estar “a contar que no dia 15 de setembro esteja já em funções”. “Devemos ter isso no início de setembro preparado e, portanto, estamos a trabalhar intensamente. No início de setembro deve estar, se correr bem, como previsto, temos isso pronto”, disse.

Já quanto à velocidade dos transportes públicos e à demora dos mesmos, considerou que “a maneira mais fácil de fazer com que o transporte público ande mais rápido naquilo que é tecnicamente chamado a velocidade comercial é talvez tirar os automóveis da estrada”.

“Não é um problema do transporte público, é um problema do excesso de automóveis. E é precisamente por isso que queremos esta medida”, disse sobre a gratuitidade dos transportes públicos.

Porém, como já tinha feito no seu discurso, voltou a alertar que não é possível “ter ilusões”. “Nós temos muita gente na cidade de Porto diariamente que tem de ir de um sítio para o outro. E, portanto, nós não vamos resolver o problema do trânsito na cidade do Porto. Vamos sim melhorar aquilo que é a atual situação e vamos privilegiar o transporte coletivo”, apontou.

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