Volkswagen admite mais 50 mil despedimentos para se tornar competitiva

Nota interna da construtora automóvel, que anunciou na semana passada que vai reduzir a sua capacidade de produção em 25%, confirma que estão a ser planeados cerca de 100 mil despedimentos.

Depois de ter adiantado que vai reduzir a produção em 25%, a Volkswagen poderá vir a cortar mais 50 mil postos de trabalho, numa tentativa de ganhar competitividade face às rivais do setor automóvel, admite o CEO da fabricante alemã numa comunicação interna, divulgada pela imprensa internacional.

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Esta redução de 50 mil trabalhadores acresce ao plano em curso para eliminar outros 50 mil empregos, sobretudo nas subsidiárias Porsche e Audi, confirmando-se assim, pela primeira vez, que a companhia poderá vir a cortar até 100 mil empregos no total, conforme vem sendo avançado pela imprensa europeia.

Com o setor a debater-se com a crescente concorrência chinesa e quebra de lucros, Oliver Blume, líder da maior construtora automóvel europeia, tem em cima da mesa várias medidas para se tornar mais eficiente, incluindo um agressivo corte de postos de trabalho — que, se for executado, ficará para a história como um dos maiores planos de despedimentos da história corporativa, superando mesmo os da General Motors e da IBM nos anos 90.

Depois de já ter acordado os referidos 50.000 cortes de postos de trabalho em todo o grupo, incluindo nas suas subsidiárias Porsche e Audi, a empresa terá de continuar a reduzir os custos, depois de calcular que apresenta uma desvantagem de custos de 20% em comparação com empresas semelhantes, afirmou Blume na nota interna, a que a Reuters teve acesso. Isto significa uma “redução teórica” de mais 50.000 postos de trabalho em todo o mundo, indica a referida comunicação.

“Estamos atualmente a avaliar, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustamentos são realmente necessários e viáveis”, explica o CEO da empresa, no documento.

A empresa já tinha anteriormente recusado comentar as notícias que indicavam que estava a considerar até 100.000 cortes de postos de trabalho. Contudo, esta informação interna surge na sequência de críticas dos trabalhadores, que exigiram que a administração explicasse os seus planos de reestruturação, apresentados por Blume ao conselho de supervisão da empresa na quinta-feira.

Segundo fontes citadas pela Reuters, os representantes dos trabalhadores no conselho bloquearam as propostas, que, além dos cortes nos postos de trabalho, incluem o possível encerramento de quatro fábricas.

Esta notícia de possíveis despedimentos surge depois de a gigante alemã ter adiantado que vai cortar produção e reduzir modelos. Com uma capacidade instalada de 12 milhões de veículos por ano, a Volkswagen informou que vai reduzir a produção para nove milhões, ao mesmo tempo que vai também reduzir a oferta dos seus modelos automóveis paulatinamente em 50%, concentrando-se nos segmentos de mercado mais atrativos.

Apesar de a comissão de trabalhadores da Autoeuropa afastar impacto na fábrica de Palmela, o setor de componentes adianta que vai ser afetado. Não se sabe ainda é em que dimensão.

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