Trump quer uma taxa de 20% para ser o “anjo da guarda” do Estreito de Ormuz
Líder da Casa Branca quer que os EUA sejam o "anjo da guarda" do Estreito de Ormuz e para proteger a travessia exige uma taxa de 20%. Trump anunciou ainda o regresso do bloqueio naval ao Irão.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que os Estados Unidos “vão ser pagos por protegerem” o Estreito de Ormuz, a principal rota marítima de transporte de petróleo e epicentro da guerra contra o Irão, que está a recrudescer. Pouco depois, na rede X, Trump anunciou o regresso do bloqueio aos portos iranianos e detalhou que o país vai receber um reembolso de 20% sobre a carga que atravessar o Estreito de Ormuz.
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“O Estreito de Ormuz está aberto e vai permanecer aberto, com ou sem o Irão”, escreveu ainda o inquilino da Casa Branca. As forças norte-americanas (CENTCOM) anunciaram, entretanto, que o bloqueio naval a portos iranianos terá início a 14 de julho, pelas 16h00 ET (21h00 na hora portuguesa). O anterior bloqueio ocorreu entre 13 de abril e 18 de junho e, nesse período, a CENTCOM afirma ter redirecionado 140 navios que “cumpriam nas regras” e travado nove navios que não cumpriam.
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“Vamos manter o controlo do Estreito e, provavelmente, iremos geri-lo“, tinha afirmado antes o líder da Casa Branca, em entrevista por telefone à Fox News. “Vamos tornar-nos os guardiões do estreito – talvez lhe chamemos o anjo da guarda do Estreito. E devemos ser reembolsados por isso“, acrescentou.
Trump disse que “não se pode esperar” que Washington faça isso “de graça”, contrariamente ao que – alegou – se sucedeu durante muitos anos. “Protegemos o Estreito de graça e, agora que vamos continuar a protegê-lo, vamos ser pagos por isso. Muito dinheiro”, reiterou.
Em resposta, também na rede social X, o chefe da diplomacia iraniana disse que Trump “absolutamente correto” nesta questão. “Quem garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz deve ser compensado por este serviço”, escreveu Abas Araghchi, antes de acrescentar que o “guardião do Estreito” sempre foi o irão “e assim continuará para sempre”.
Araghchi terminou a mensagem com uma nota de humor. “20% é, obviamente, muito. Seremos mais justos”, ironizou.
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Já a União Europeia apelou, de novo, a uma navegação no Estreito de Ormuz livre de portagens. O pedido de Bruxelas tinha sido feito anteriormente quando o Irão tinha sugerido que, no futuro, haveria um pagamento para atravessar a via marítima. “Antes da guerra, o estreito de Ormuz estava aberto à navegação sem a imposição de portagens. Após o fim da guerra, o estreito deverá continuar aberto à navegação sem portagens. Os ministros foram claros ao afirmar que a liberdade de navegação não pode ser obstruída”, afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia.
Kaja Kallas avançou, ainda, que irá deslocar-se à região para “inspecionar pessoalmente a missão” esta semana e acrescentou que “a ameaça mantém-se e a operação ‘Aspides’ continua a dar um importante contributo para a proteção da navegação internacional”.
Anteriormente, o Irão afirmou que continuava as negociações de paz com mediadores do Qatar, do Paquistão e de Omã, num esforço para evitar uma nova escalada no conflito com os Estados Unidos. “O papel dos mediadores é prosseguir os seus esforços para impedir uma escalada das tensões”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei.
Esta segunda-feira, uma nova vaga de ataques dos EUA mataram duas pessoas no sudoeste do Irão, numa região produtora de petróleo próxima do Kuwait e do Iraque, segundo noticiaram as agências de notícias iranianas Fars e Tasnim. “Até ao momento, foram registadas duas mortes e três feridos”, afirmaram as agências, citando um responsável da província de Khuzestan, que referiu ataques em “três locais diferentes” nos arredores da cidade de Abadan.
Os Estados Unidos atacaram o Irão pelo segundo dia consecutivo, provocando represálias de Teerão contra os aliados de Washington no Golfo, enquanto os adversários disputam o controlo do estratégico Estreito de Ormuz. Os mais recentes confrontos e o anúncio feito pelo Irão no fim de semana de um novo encerramento da via marítima fundamental no comércio mundial de petróleo fizeram subir novamente os preços do crude e comprometeram ainda mais um acordo de paz provisório.
Esta manhã, o preço do petróleo Brent para entrega em setembro subia mais de 4% para 79 dólares por barril no mercado de futuros de Londres, depois de ter fechado na sexta-feira com uma ligeira queda de 0,38%, para 76,01 dólares por barril.
(Notícia atualizada às 19h22 com mais informação)
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