Portugal é o segundo país da OCDE onde rendimento e escolaridade mais condicionam confiança no Governo

Em Portugal, a condição económica, assim como o nível de escolaridade, pesam mais na confiança dos portugueses no Governo e no Parlamento do que na maioria dos países da OCDE.

Portugal é o segundo país da OCDE onde a situação financeira e o nível de escolaridade mais condicionam a confiança no Governo. Entre pessoas com e sem dificuldades financeiras existe um fosso de 28 pontos percentuais na confiança, situando-se acima da média dos países da organização (18 pontos) e apenas atrás da Irlanda (33 pontos), sendo esse hiato entre quem tem ensino superior e quem não concluiu o ensino secundário de 31 pontos.

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A conclusão consta de um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre os fatores determinantes da confiança nas instituições públicas, divulgado esta segunda-feira.

De acordo com os dados recolhidos pela OCDE, a confiança dos cidadãos nas instituições melhorou em Portugal em 2025. “A Islândia, a Noruega, a Coreia do Sul, Portugal e o Reino Unido recuperaram de fortes quedas na confiança com aumentos igualmente expressivos“, pode ler-se no relatório.

No caso de Portugal e do Reino Unido, a percentagem de pessoas com níveis elevados ou moderadamente elevados de confiança em 2025 ficou a menos de dois pontos percentuais do valor observado em 2021. Em 2023 era de 32%, enquanto no ano passado atingia 40%.

Confiança dos portugueses recuperou em 2025 após forte queda, ficando a menos de dois pontos de distância dos valores observados em 2021.

De uma forma geral, a OCDE conclui que o fator socioeconómico que mais divide a confiança no Governo é a situação financeira: as pessoas com dificuldades financeiras confiam menos no Governo do que as pessoas sem dificuldades financeiras. No conjunto dos países analisados, 35% das pessoas com preocupações financeiras confiam nos executivos que lideram o seu país, enquanto 53% das pessoas sem preocupações financeiras confiam no Governo, existindo um fosso de 18 pontos percentuais.

Portugal é o segundo país onde a situação financeira mais influencia este nível de confiança, com a diferença entre quem tem e quem não tem dificuldades financeiras a ser de 28 pontos percentuais, a dez pontos percentuais de distância da média da OCDE e apenas ultrapassado pela Irlanda, que apresenta 33 pontos de fosso. Por outro lado, os países com menor fosso são França (oito pontos), Reino Unido (oito pontos) e Croácia (dez pontos).

Fonte: OCDE

A OCDE conclui ainda que entre as pessoas com ensino superior, a confiança nos governos é muito mais elevada e entre as pessoas que não concluíram o ensino secundário é muito mais baixa. A diferença entre estes dois grupos em Portugal é de 31 pontos percentuais, o que coloca o país em segundo lugar entre os países da OCDE, a par do Reino Unido, apenas atrás da Suíça (35 pontos).

No caso português, este diferencial de confiança aumentou de forma contínua, passando de 11 pontos percentuais em 2021 para 14 pontos em 2023 e atingindo 31 pontos percentuais em 2025.

Já o fosso de confiança associado à perceção de discriminação na OCDE é semelhante ao da escolaridade. Na média dos países que integram a organização, apenas 31% das pessoas que se identificam como pertencendo a um grupo discriminado dizem confiar no Governo nacional, em comparação com 45% entre as pessoas que não se identificam dessa forma, o correspondente a um diferencial de 14 pontos percentuais. Porém, neste caso, Portugal não consta do ‘top’.

Porém, quem enfrenta problemas económicos confia menos não apenas no Governo, mas também no Parlamento do que quem se sente financeiramente seguro. A distância entre um grupo e outro é de 25 pontos percentuais (o mesmo valor do que na Noruega e no Chile), somente atrás da Irlanda (28 pontos) e do Japão (27 pontos percentuais).

Neste caso, a confiança dos portugueses no Parlamento subiu de 31% em 2023, para 37% em 2025, enquanto o dos partidos políticos era de 18% em 2023 para 26% no ano passado.

Portugal entre os países onde o dinheiro menos condiciona a participação política

Portugal surge entre os países da OCDE onde menos cidadãos apontam a falta de recursos financeiros como um obstáculo à participação política. Apenas 12% identificam esse fator como uma barreira, uma das percentagens mais baixas entre os países analisados.

Em média, nos países da OCDE, cerca de 21% das pessoas afirmam que um dos principais entraves a fazer ouvir a sua voz na política é a falta de tempo para participar, cerca de 19% referem a insuficiência de recursos financeiros para se envolverem na vida política, com 18% apontam a distância geográfica dos locais onde são tomadas as decisões.

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