Sánchez nega “corrupção generalizada” no Governo espanhol. PP desafia para moção de censura

  • Lusa
  • 24 Junho 2026

O primeiro-ministro de Espanha admite que o caso de corrupção que envolveu o ex-ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, foi "grave", mas garante que vai continuar a governar.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reconheceu esta quarta-feira “um caso flagrante e grave de corrupção” com antigos dirigentes do Partido Socialista Espanhol (PSOE), que disse desconhecer e que “nunca teria tolerado”, e reiterou que vai continuar a governar. Entretanto, o PP voltou a pedir a demissão de Sánchez, desafiando a ‘geringonça’ espanhola a alinhar numa moção de censura.

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“Um caso flagrante e grave de corrupção” de pessoas “que se aproveitaram do peso que tinham” no PSOE e no Governo “para ganhar dinheiro”, mas não há financiamento ilegal no partido, disse Sánchez, referindo-se ao ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, condenado esta semana a mais de 24 anos de prisão por corrupção com a compra de máscaras durante a pandemia, quando ainda estava no Governo.

Pedro Sánchez, reconheceu hoje “um caso flagrante e grave de corrupção” com antigos dirigentes do Partido Socialista Espanhol (PSOE), que disse desconhecer e que “nunca teria tolerado”.Lusa

Este caso das máscaras deu origem a outra investigação mais alargada, que ainda decorre, que envolve Ábalos e outro ex-dirigente do PSOE, Santos Cerdán, ambos considerados antigos “braços direitos” de Sánchez. “Nunca conheci nem teria tolerado nenhuma destas práticas” e o PSOE e o Governo respeitam e acatam as sentenças conhecidas esta semana, disse Sánchez, que falava no Parlamento nacional, numa sessão agendada a seu pedido “para informar” os deputados “sobre a situação política relacionada com as últimas investigações judiciais conhecidas”.

O primeiro-ministro e líder do PSOE disse ser “plenamente consciente” de que as últimas semanas em Espanha foram marcadas por “uma corrente de notícias judiciais” que causam “legítima preocupação e confusão”, mas em que se misturam processos muito diferentes, alguns com fundamento e outros falsos e baseados “em rumores e meias verdades”, que atores políticos e mediáticos “tentam comparar”, para confundir e gerar “uma sensação de corrupção generalizada que não existe”.

Neste contexto, voltou a separar os casos confirmados ou em investigação que envolvem ex-dirigentes do PSOE dos da mulher e do irmão, Begoña Gómez e David Sánchez, respetivamente, que considera serem vítimas de “uma série de ações” para enfraquecer o Governo e o próprio primeiro-ministro, que têm por trás campanhas de desinformação e associações ligadas à extrema-direita e de que se aproveitam alguns partidos.

Tanto no caso de Begoña Gómez como no de David Sánchez, o Ministério Público considerou não haver matéria para julgamento ou condenação e relatórios das investigações judiciais e policiais desmentiram acusações de que são alvo, sublinhou o primeiro-ministro, que já tinha dito anteriormente, a propósito destes dois processos, que há “juízes que fazem política” em Espanha.

Reiterando que confia na justiça espanhola e que “a imensa maioria dos juízes” faz um “trabalho exemplar”, Sánchez pediu “à justiça que faça justiça” em todos os casos, incluindo no do ex-primeiro-ministro e antigo líder do PSOE José Luís Zapatero, indiciado por tráfico de influências e branqueamento de dinheiro num processo aberto para investigar o resgate público da companhia aérea Plus Ultra, em 2021.

Pedro Sánchez realçou ainda que Zapatero não ocupa qualquer cargo político há 15 anos e reiterou que o resgate da empresa foi legal e transparente, no contexto de ajudas excecionais concedidas por acusa da pandemia de covid-19, como certificaram instâncias nacionais e europeias. Sobre Zapatero, considerou que “não pode haver ainda conclusões”, por a investigação estar numa fase inicial, mas reiterou confiança na declaração de inocência do ex-líder socialista.

Sublinhando que o PSOE e o Governo atuaram “desde o primeiro minuto” perante suspeitas de corrupção que envolviam ex-dirigentes, nomeadamente com a suspensão e expulsão do partido ou pondo em marcha medidas “de supervisão e prevenção” da corrupção, Sánchez, que tem ouvido reiterados pedidos de demissão e de antecipação das eleições previstas para 2027, voltou esta quarta-feira a afirmar que pretende continuar a Governar.

PP desafia ‘geringonça’ espanhola para moção de censura

Nesta mesma quarta-feira, o presidente do Partido Popular de Espanha (PP, direita) voltou a pedir ao primeiro-ministro do país, o socialista Pedro Sánchez, para se demitir e desafiou outros partidos a juntarem-se numa moção de censura ao Governo.

Alberto Núñez Feijóo, líder do PP e da oposição em Espanha, considerou que Sánchez lidera um “Governo corrupto” já assim certificado numa “sentença unânime” do Tribunal Supremo do país. “A única coisa que se espera de si nestas Cortes [parlamento] é que as dissolva. Dissolva as cortes e vamos votar”, disse Feijóo a Pedro Sánchez, num debate no plenário dos deputados.

O líder do PP lamentou “a soberba” de Sánchez, que, no mesmo debate, por este ter dito que vai continuar a governar. “Que soberba e quanta indignidade nos grupos que apoiam o Governo”, disse Feijóo, referindo-se aos partidos da ‘geringonça’ que viabilizaram o Governo.

“Pela decência que representa esta câmara, deveríamos derrubar este Governo com uma moção de censura. Por mim, já hoje. E a seguir daríamos voz ao povo numas eleições que Sánchez se nega a convocar”, disse Feijóo.

Durante o debate, nenhum dos partidos da ‘geringonça’ respondeu ao desafio de Feijóo para uma moção de censura, mesmo os que têm também pedido ou voltaram a pedir esta quarta-feira a Sánchez para antecipar as eleições previstas para 2027.

Nenhum desses partidos quer ficar associado ou alinhar-se de alguma forma com o partido de extrema-direita Vox, com quem o PP teria de contar para uma moção de censura ser aprovada e com quem tem negociado coligações de governo em regiões autónomas.

Por outro lado, as moções de censura em Espanha são construtivas e quem as apresenta é automaticamente eleito primeiro-ministro em caso de serem aprovadas, sem que haja dissolução do parlamento e eleições de forma automática. Fica assim nas mãos do novo executivo a decisão de quando marcar eleições.

(Notícia atualizada às 14h05 com posição do PP sobre moção de censura)

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