Rendimento das famílias cresce mais do que o consumo no primeiro trimestre
As famílias viram o rendimento disponível crescer 1,4% no primeiro trimestre, enquanto o consumo aumentou 1,3%, contribuindo assim para para manter a taxa de poupança nos 12,3%.
A capacidade de financiamento das famílias fixou-se em 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026, valor idêntico ao registado no trimestre anterior, segundo os dados das Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Este número coloca as famílias como o único setor institucional com um excedente estável, num contexto em que o saldo global da economia portuguesa recuou 0,3 pontos percentuais, para 2,2% do PIB.
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O Rendimento Disponível Bruto (RDB) das famílias cresceu 1,4% face ao trimestre anterior, sustentado por aumentos de 1,4% nas remunerações recebidas e de 1,2% no Valor Acrescentado Bruto (VAB), revelam os números.
O INE sublinha que “o crescimento do RDB, conjugado com o aumento de 1,3% da despesa de consumo final, determinou uma taxa de poupança das famílias de 12,3%”, notando ainda que o rendimento cresceu 0,1 pontos percentuais acima do que o consumo, o que explica a estabilidade da taxa de poupança relativamente ao período anterior.

A poupança das famílias aumentou 2% em termos nominais, superando o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Segundo o INE, a capacidade de financiamento das famílias “refletiu principalmente o aumento em 2% da poupança, conjugado com o aumento das transferências de capital líquidas, que mais do que compensou o aumento da Formação Bruta de Capital Fixo”. A FBCF das famílias, que corresponde essencialmente à aquisição de habitação, cresceu 3,2%, após um aumento de 3,9% no trimestre anterior.
Para o RDB das famílias, o INE detalha que as remunerações e o excedente bruto de exploração contribuíram com 1 e 0,3 pontos percentuais, respetivamente, para a variação total, enquanto os impostos sobre o rendimento pesaram negativamente em 0,1 pontos percentuais.
A taxa de investimento das famílias, calculada pelo rácio entre a FBCF e o rendimento disponível, atingiu 6,4%, mais 0,1 pontos percentuais do que no trimestre precedente. E em termos reais, o consumo final das famílias aumentou apenas 0,7% no ano acabado no primeiro trimestre deste ano, o que indica que parte do crescimento nominal resulta do efeito dos preços.
Os dados do INE mostram ainda que a estabilidade da capacidade de financiamento das famílias contrasta com o agravamento registado nos restantes setores: o saldo das Sociedades Não Financeiras recuou 0,2 pontos percentuais, para -3,8% do PIB, e o das Administrações Públicas caiu de 0,7% para 0,5% do PIB no ano acabado no trimestre.
O próximo destaque das Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional está previsto para 23 de setembro de 2026.
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