Empresas nacionais do espaço voam para Itália para captar fatia de três mil milhões

Itália é um dos grandes players europeus no setor do espaço. E as empresas nacionais querem avaliar oportunidades de fazer parcerias e negócio com este mercado que vale três mil milhões.

Centro espacial de Fucino da Telespazio, empresa detida a 67% pelo grupo Leonardo.

Mais de uma dezena de empresas portuguesas do setor do espaço como a Tekever ou a Critical Software rumaram esta semana a Roma numa missão empresarial da AICEP para captar negócios e parcerias num setor que, em Itália, gera um volume de negócios de três mil milhões de euros e gera mais de nove mil postos de trabalho.

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Carlos Nunes Pinto, diretor da AICEP em Itália e conselheiro económico e comercial da Embaixada de Portugal em Roma, explica o que motivou o organismo a avançar com esta missão empresarial.

“Itália é um dos países mais relevantes no setor do espaço na Europa, ao nível dos grandes players, como a Alemanha e a França, até pelo contributo que dá à Agência Espacial Europeia (ESA)”, começa por referir, lembrando a necessidade de potenciar o papel de Portugal neste setor em franco crescimento, tendo para isso, procurado colocar as empresas nacionais em contacto com operadores locais, bem como com a Agência Espacial Italiana (ASI).

O objetivo é fazer a ponte para que as empresas nacionais possam entrar “nesta cadeia de fornecimento, participar em projetos conjuntos, concorrer a fundos disponíveis neste âmbito”, diz Carlos Nunes Pinto. “Como se costuma dizer, é em que a união faz a força. Para mais, num contexto como este, em que a Europa, se quiser ser um player relevante neste setor, não faz sentido estar a apresentar-se como um só país. Temos que unir esforços, porque temos grandes players de outros continentes, e que têm outra dimensão”, alerta.

Durante dois dias, uma delegação de mais de uma dezena de empresas nacionais — Active Space Technologies, Amorim Cork Solutions, Atlar Innovation, CEiiA, Critical Software, Tekever, NeO, Geosat, Infinite Foundry, Meo, Optimal Space ou a Vesam — visitaram o centro espacial de Fucimo da Telespazio — o maior teleporto do mundo para telecomunicações por satélite, que acolhe 170 antenas numa área de 370 mil metros quadrados —, empresa detida a 67% pelo grupo Leonardo e a mais de 30% pela Thales, e depois a ASI.

Os níveis de ligação das empresas nacionais ao mercado italiano — um ‘gigante europeu’ com mais de 300 empresas, cerca de 80% das quais PME e startups, apesar de grandes integradores como o grupo Leonardo neste segmento, gerando um volume de negócio de mais de 3 mil milhões de euros, posicionando o país no top três europeu com França e Alemanha neste segmento, gerando mais de nove mil postos de trabalho, segundo dados partilhados pela Federação Italiana da Indústria Aeroespacial, Defesa e Segurança (AIAD) — era diverso. Se algumas já tinham contacto e negócios com empresas locais, outras estavam a dar aqui os primeiros passos.

Fato usado por astronauta italiano em missão no espaço na sede da ASI.

“A Tekever já trabalha na área de espaço com alguma indústria italiana, queremos alargar isso e expandir também para outras áreas, principalmente a área de radar”, adianta Pedro Rodrigues, ao ECO/eRadar à margem do encontro na ISA. “É uma tecnologia difícil, na qual já temos vindo a trabalhar consistentemente já há vários, vários anos”, refere diretor de Espaço Tekever, que em Portugal tem cerca de 50 pessoas dedicadas a este segmento, quase todas no Porto.

Não é o caso de Filipe Santos da Vesam. Mas o CEO da empresa, que atua na área de fabrico e a montagem de estruturas para a área da aviação e aeronáutica, veio com trabalho de casa feito. “Nós já tínhamos alguns contactos já previamente feitos e viemos, no fundo, materializar. Vir sem nada, é difícil”, diz. “Portugal, embora tenha muita boa engenharia na nossa área, na área estrutural, o que acontece é que eles têm uma oferta enorme”, reconhece. “Temos que chegar aqui com muita humildade e tentar penetrar com a boa engenharia, com a boa qualidade.”

Este é um setor muito exigente. Por isso, é que foi muito importante a missão, o respaldo dos nossos políticos, os nossos atores institucionais, é fundamental”, destaca o responsável da empresa de Cantanhede, com presença nos EUA e França.

Parte da comitiva portuguesa na ASI.

A missão a Roma ajudou a alinhar visões. “Na Telespazio foi muito importante para nós porque percebemos como é que podemos oferecer, como fazer uma oferta da estrutura de uma antena, não a parte de software, mas a parte de hardware. Hoje [na ISA] o objetivo é essencialmente tentar perceber de que forma podemos dar propostas para os lançadores, para os suportes do lançamento de naves espacial”, explica o CEO da Vesam.

Rui Semide veio com uma missão concreta. O CEO da Entangled, empresa em Évora que atua na área de computação quântica, explica. “A tecnologia quântica é uma área emergente, é uma área que sinto que está a gerar muito interesse, precisamente porque é uma tecnologia dual use, por isso, tanto na área de defesa, como na área civil é muito relevante”, diz. “Viemos mostrar aquilo que estamos a fazer, à Telespazio e, em concreto com a ASI, viemos mostrar-nos porque temos duas empresas italianas com quem gostaríamos de trabalhar, que estão, neste momento, a tentar conseguir o apoio da ASI para se juntar ao nosso consórcio para o desenvolvimento da nossa Ground Station Quântica”, adianta.

O projeto em questão é o Transportable Agnostic Quantum Station (TAX) que está a ser desenvolvido no âmbito do Programas ARTES da ESA. “É o segundo contrato que temos com a ESA”, e agora vão “avançar para a fase de modelo de engenharia. É aqui que gostaríamos de trazer estes parceiros italianos.”

*O ECO/eRadar viajou a Itália a convite do CEiiA

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