Empresas nacionais do espaço voam para Itália para captar fatia de três mil milhões
Itália é um dos grandes players europeus no setor do espaço. E as empresas nacionais querem avaliar oportunidades de fazer parcerias e negócio com este mercado que vale três mil milhões.

Mais de uma dezena de empresas portuguesas do setor do espaço como a Tekever ou a Critical Software rumaram esta semana a Roma numa missão empresarial da AICEP para captar negócios e parcerias num setor que, em Itália, gera um volume de negócios de três mil milhões de euros e gera mais de nove mil postos de trabalho.
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Carlos Nunes Pinto, diretor da AICEP em Itália e conselheiro económico e comercial da Embaixada de Portugal em Roma, explica o que motivou o organismo a avançar com esta missão empresarial.
“Itália é um dos países mais relevantes no setor do espaço na Europa, ao nível dos grandes players, como a Alemanha e a França, até pelo contributo que dá à Agência Espacial Europeia (ESA)”, começa por referir, lembrando a necessidade de potenciar o papel de Portugal neste setor em franco crescimento, tendo para isso, procurado colocar as empresas nacionais em contacto com operadores locais, bem como com a Agência Espacial Italiana (ASI).
O objetivo é fazer a ponte para que as empresas nacionais possam entrar “nesta cadeia de fornecimento, participar em projetos conjuntos, concorrer a fundos disponíveis neste âmbito”, diz Carlos Nunes Pinto. “Como se costuma dizer, é em que a união faz a força. Para mais, num contexto como este, em que a Europa, se quiser ser um player relevante neste setor, não faz sentido estar a apresentar-se como um só país. Temos que unir esforços, porque temos grandes players de outros continentes, e que têm outra dimensão”, alerta.
Durante dois dias, uma delegação de mais de uma dezena de empresas nacionais — Active Space Technologies, Amorim Cork Solutions, Atlar Innovation, CEiiA, Critical Software, Tekever, NeO, Geosat, Infinite Foundry, Meo, Optimal Space ou a Vesam — visitaram o centro espacial de Fucimo da Telespazio — o maior teleporto do mundo para telecomunicações por satélite, que acolhe 170 antenas numa área de 370 mil metros quadrados —, empresa detida a 67% pelo grupo Leonardo e a mais de 30% pela Thales, e depois a ASI.
Os níveis de ligação das empresas nacionais ao mercado italiano — um ‘gigante europeu’ com mais de 300 empresas, cerca de 80% das quais PME e startups, apesar de grandes integradores como o grupo Leonardo neste segmento, gerando um volume de negócio de mais de 3 mil milhões de euros, posicionando o país no top três europeu com França e Alemanha neste segmento, gerando mais de nove mil postos de trabalho, segundo dados partilhados pela Federação Italiana da Indústria Aeroespacial, Defesa e Segurança (AIAD) — era diverso. Se algumas já tinham contacto e negócios com empresas locais, outras estavam a dar aqui os primeiros passos.

“A Tekever já trabalha na área de espaço com alguma indústria italiana, queremos alargar isso e expandir também para outras áreas, principalmente a área de radar”, adianta Pedro Rodrigues, ao ECO/eRadar à margem do encontro na ISA. “É uma tecnologia difícil, na qual já temos vindo a trabalhar consistentemente já há vários, vários anos”, refere diretor de Espaço Tekever, que em Portugal tem cerca de 50 pessoas dedicadas a este segmento, quase todas no Porto.
Não é o caso de Filipe Santos da Vesam. Mas o CEO da empresa, que atua na área de fabrico e a montagem de estruturas para a área da aviação e aeronáutica, veio com trabalho de casa feito. “Nós já tínhamos alguns contactos já previamente feitos e viemos, no fundo, materializar. Vir sem nada, é difícil”, diz. “Portugal, embora tenha muita boa engenharia na nossa área, na área estrutural, o que acontece é que eles têm uma oferta enorme”, reconhece. “Temos que chegar aqui com muita humildade e tentar penetrar com a boa engenharia, com a boa qualidade.”
Este é um setor muito exigente. Por isso, é que foi muito importante a missão, o respaldo dos nossos políticos, os nossos atores institucionais, é fundamental”, destaca o responsável da empresa de Cantanhede, com presença nos EUA e França.

A missão a Roma ajudou a alinhar visões. “Na Telespazio foi muito importante para nós porque percebemos como é que podemos oferecer, como fazer uma oferta da estrutura de uma antena, não a parte de software, mas a parte de hardware. Hoje [na ISA] o objetivo é essencialmente tentar perceber de que forma podemos dar propostas para os lançadores, para os suportes do lançamento de naves espacial”, explica o CEO da Vesam.
Rui Semide veio com uma missão concreta. O CEO da Entangled, empresa em Évora que atua na área de computação quântica, explica. “A tecnologia quântica é uma área emergente, é uma área que sinto que está a gerar muito interesse, precisamente porque é uma tecnologia dual use, por isso, tanto na área de defesa, como na área civil é muito relevante”, diz. “Viemos mostrar aquilo que estamos a fazer, à Telespazio e, em concreto com a ASI, viemos mostrar-nos porque temos duas empresas italianas com quem gostaríamos de trabalhar, que estão, neste momento, a tentar conseguir o apoio da ASI para se juntar ao nosso consórcio para o desenvolvimento da nossa Ground Station Quântica”, adianta.
O projeto em questão é o Transportable Agnostic Quantum Station (TAX) que está a ser desenvolvido no âmbito do Programas ARTES da ESA. “É o segundo contrato que temos com a ESA”, e agora vão “avançar para a fase de modelo de engenharia. É aqui que gostaríamos de trazer estes parceiros italianos.”
*O ECO/eRadar viajou a Itália a convite do CEiiA
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