Porto e Gaia contra tabuleiro rodoviário na ponte da alta velocidade. Vão reclamar verba ao Governo

Presidentes das câmaras do Porto e Gaia estão contra o tabuleiro rodoviário da nova ponte da alta velocidade, e vão reivindicar junto do Governo a verba destinada ao mesmo para outros projetos.

Os autarcas Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes prometem exercer o seu “magistério de influências” para travar a construção do tabuleiro rodoviário da dupla ponte sobre o rio Douro no troço da linha de comboio de alta velocidade Porto – Lisboa, caso a solução avance. Os presidentes das câmaras do Porto e de Vila Nova de Gaia garantem que vão reivindicar junto do Governo a verba destinada a esse mesmo tabuleiro rodoviário e que lhes foi prometida para “outros projetos alternativos prioritários” das duas cidades.

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Os dois presidentes de câmara têm até esta quinta-feira, segundo assegurou Luís Filipe Menezes, para darem o seu parecer sobre o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), que está em consulta pública até à próxima segunda-feira, dia 29 de junho.

Elaborado pelo consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Serena, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto), o documento contempla as alterações introduzidas no projeto de execução. Entre elas, uma nova ponte rodoferroviária sobre o rio Douro – com um tabuleiro superior para o comboio de alta velocidade e um tabuleiro inferior destinado a veículos automóveis, peões e ciclistas – que os dois autarcas contestam e garantem não ser viável.

“Temos até ao dia 25 [para responder]. Nós vamos responder amanhã [24 de junho]. Vamos dizer o que pensamos desta última versão [do RECAPE]: um dos enfoques principais, se não o principal, será relembrar – para [o Governo] não esquecer – que aquele dinheirinho é nosso”, exigiu o presidente da Câmara de Gaia. “Sem dúvida, e o Porto mantém a mesma posição“, garantiu ao lado Pedro Duarte, à margem do anúncio de uma nova ponte pedonal e ciclável que irá ligar os dois concelhos até ao final de 2029, num investimento na ordem dos 25 milhões de euros.

Vamos dizer o que pensamos desta última versão [do RECAPE]: um dos enfoques principais, se não o principal, será relembrar — para [o Governo] não esquecer — que aquele dinheirinho é nosso.

Luís Filipe Menezes

Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia

“Há um compromisso – e acreditamos na palavra das pessoas – que foi assumido pelas Infraestruturas de Portugal, pelo próprio consórcio construtor, que tendo a Câmara do Porto e Gaia outros projetos alternativos prioritários, que aquele dinheiro, que se aplicaria nesse tabuleiro rodoviário, seria repartido igualmente pelas duas câmaras ou então num projeto conjunto das duas autarquias”, anunciou Luís Filipe Menezes. “Repartido ou num projeto conjunto, é uma questão que ainda definiremos”, enfatizou.

Os dois autarcas garantiram que vão reclamar essa verba do Executivo de Luís Montenegro. “Esse compromisso tem de ser agora colocado na prática pelo Governo, que é quem tem a tutela das Infraestruturas de Portugal”, exigiu o autarca gaiense.

Questionado pelo ECO/Local Online se mantém a mesma posição defendida pelo seu homólogo gaiense, Pedro Duarte foi perentório: “Sem dúvida. A posição do Porto é a mesma”. A decisão sobre a solução final da travessia do Douro continua assim no centro do debate sobre a linha de alta velocidade, com os dois autarcas a defenderem que a prioridade deve ser a ferrovia e deixar cair a versão da ponte com dois tabuleiros, um ferroviário e outro rodoviário, como consta no RECAP em consulta pública.

Para Pedro Duarte e Luís Filipe Menezes, não se justifica e nem sequer é viável a construção do tabuleiro para o tráfego rodoviário. Aliás, o autarca de Gaia qualifica esta solução de uma “barbaridade que terminaria à cota baixa”. E explicou: “Para levá-la à cota alta custaria 50 milhões de euros, verba esta só para construir um pontão para ligar à VCI [Via de Cintura Interna] de Gaia. Portanto, realmente são outras perspetivas de gestão e de prioridades que eu não tenho e que Pedro Duarte também não tem“.

Os problemas desta solução prevista pelo consórcio que vai construir a obra não se ficam por aqui. O presidente da Câmara de Gaia apontou ainda que “do lado do Porto obrigaria a mexer em infraestruturas viárias. Mas isso só Pedro Duarte é que poderá explicar que não seriam certamente interessantes e nem sequer muito positivas nesta altura do ponto de vista orçamental”.

Vista aérea da ponte D. Luís sobre o o rio Douro, no Porto, 14 de março de 2014.JOSÉ COELHO / LUSA

Na Invicta, a componente ferroviária ‘amarrará’ no viaduto de Campanhã a construir antes da estação de Campanhã, e em Gaia prolongar-se-á até à entrada do túnel sob a cidade, na zona de Gervide, concretamente na Rua Azevedo Magalhães.

Os dois autarcas defendem que a verba destinada ao tabuleiro rodoviário deveria ser canalizada para outros projetos, nomeadamente a pedonal e ciclável que os dois anunciaram esta terça-feira.

A localização da estação em Gaia tem sido outro dos temas polémicos do primeiro troço entre Campanhã e Oiã (Aveiro). O novo projeto do consórcio prevê a estação em Santo Ovídio, com uma profundidade de 60 metros, anulando a localização de Vilar do Paraíso apresentada na anterior proposta e chumbada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

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