Exclusivo CEiiA mira federação de constelações com Telespazio Ibérica

A ambição deste acordo fechado em Itália é trabalhar para uma federação de constelações de satélite, de vários países, dando à Europa capacidades de soberania espacial. 

O CEiiA fechou com a Telespazo Ibérica uma carta de intenções que estabelece um quadro de cooperação estratégica, para reforçar o ecossistema espacial ibérico e alargando no futuro a outros países, incluindo Itália. O objetivo é trabalhar no sentido de uma federação de constelações de satélite, de vários países, dando à Europa capacidades de soberania espacial.

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O centro espacial de Fucimo da Telespazio em Itália — o maior teleporto do mundo para telecomunicações por satélite, que acolhe 170 antenas numa área de 370 mil metros quadrados — foi o local escolhido para fechar este acordo de cooperação.

“Estamos ainda a trabalhar num modelo passo a passo. Estamos a implementar um modelo que liga Portugal, aquilo que construímos e que estamos a construir para a Constelação do Atlântico, com Espanha — porque temos também tudo aquilo que vem para a Constelação do Atlântico da componente espanhola — e também Itália, para aquilo que são as futuras constelações, como foi caso da Constelação Leonardo”, explica Emir Sirage, diretor na área de Espaço do CEiiA, ao ECO/eRadar à margem da assinatura desta carta de intenção.

“Através desta cooperação, consolidamos essa oportunidade, que já estava em curso, de podermos trabalhar ao nível do segmento terrestre, para a Constelação das Canárias”, refere.

Emir Sirage (CEiiA) e Carlos Fernández de la Peña (Telespazio Ibérica)

Em Espanha, a Telespazio Ibérica ganhou este ano o concurso de mais de 20 milhões de euros para desenvolver a Constelação das Canárias, o primeiro sistema de observação da Terra lançado por uma comunidade autónoma espanhola, assegurando todo o ciclo da missão, desde a construção e gestão do segmento terrestre como da própria constelação formada por quatro satélites.

“Estamos em negociações para utilizar componentes do CEiiA no segmento terrestre das Ilhas Canárias. Como vamos colaborar em missões e operações, faz sentido que comecemos a integrar os nossos sistemas. Portanto, a ideia de integrar parte dos componentes do segmento terrestre do CEiiA na Constelação das Canárias está prestes a ser concretizada”, detalha Carlos Fernández de la Peña, CEO da Telespazio Ibérica, ao ECO/eRadar.

Mas o objetivo desta cooperação é dar mais um passo e avançar para uma possível federação de constelações de satélites. “Temos que interoperar, temos que federar estas capacidades ao serviço da Europa. E é este o posicionamento que estamos a ter”, sintetiza Emir Sirage, do CEiiA.

“Somos uma empresa de serviços que pode usar a tecnologia e a experiência deles [CEiiA] e também criar coisas em conjunto. Decidimos que vamos colaborar em oportunidades, especialmente quando estiverem localizadas, por exemplo, na Península Ibérica ou no Sul da Europa, e, se possível, em outros países do grupo”, refere Carlos Fernández de la Peña. Como é o caso de Itália.

Em Itália, o grupo Leonardo — acionista da Telespazio com 67%, os restantes são detidos pela francesa Thales — tem previsto o lançamento em 2028/2029 da Constelação Leonardo, um total de cerca de 20 satélites num total de 500 milhões de euros de investimento, e há abertura para projetos de federação de constelações.

Centro espacial de Fucino da Telespazio, em Itália.

Mas não é o único projeto em curso entre o grupo italiano e o CEiiA. “Estamos já a trabalhar com a Telespazio para uma proposta do futuro Serviço de Observação da Terra (EOGS) da Comissão Europeia. É uma oportunidade em que já estamos a colaborar, também está refletida neste acordo de cooperação”, adianta Emir Sirage.

Carlos Fernández de la Peña detalha. “A licitação para o projeto arquitetónico [do EOGS] foi submetida há algumas semanas. A decisão ainda levará algumas semanas, talvez um mês. Mas estamos confiantes de que faremos parte das soluções escolhidas, como já o fizemos no passado. A Telespazio é uma das principais empresas do setor na Europa”, diz com otimismo. O CEiiA foi um dos “cinco seis parceiros” envolvido na proposta do grupo Telespazio.

A visão da Europa é ter um European Space Shield e a componente espacial é absolutamente fundamental. E todas estas capacidades nacionais que foram desenvolvidas por alguns Estados-membros e aquilo que a Europa quer, vai ter que se alinhar para que este European Space Shield no futuro seja uma realidade”, destaca Emir Sirage.

Parte do “Defence Readiness Roadmap 2030”, esta iniciativa da Comissão Europeia visa proteger os ativos e serviços espaciais de ameaças.

*O ECO/eRadar viajou a convite do CEiiA

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