Cimpor lança-se na energia com baterias e serviços de gestão
A cimenteira criou uma área dedicada à energia. Através dela, espera fornecer serviços de gestão de energia a outras empresas eletrointensivas e amealhar 50 milhões por ano.
A Cimpor, que produz cimento e betão e consome muita energia — o equivalente a uma cidade como Leiria –, começou a dar os primeiros passos na produção e gestão de energia há três anos, na expectativa de melhorar o seu modelo de negócio. Contudo, depois experiência, viu potencial para expandir: vai concentrar a área de energia num novo braço, a Cimpor Energy, para fornecer serviços a outras empresas. Dentro de três anos, conta atingir 50 milhões de euros de volume de negócios anual.
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“Estamos a mudar a estrutura da empresa, que não quer ser apenas um fornecedor de cimento e betão”, introduziu Berkan Fidan, Chief Technical Officer e administrador da Cimpor Global, num encontro com jornalistas esta terça-feira, em Lisboa. A energia, como “ponto crítico”, ganhou espaço debaixo de um novo rótulo, a Cimpor Energy.
“A Cimpor Energy surgiu como necessidade do grupo internamente para desenvolver tudo o que é a área de energia dentro do grupo Cimpor”, explica Sandro Conceição, diretor de coprocessamento e Energia na empresa. É que 40% do custo dos produtos da Cimpor está ligado à energia elétrica que estes exigem, e a Cimpor consome 350 gigawatts-hora (GWh) por ano de eletricidade, o equivalente a cerca de 100.000 casas.
Tudo começou há cerca de três anos, com alguns investimentos “estratégicos” para tornar as respetivas fábricas autossuficientes em termos da produção de eletricidade, de forma a reduzir os custos com energia. A empresa investiu na instalação de sistemas fotovoltaicos e num sistema de recuperação de calor residual, através do qual aproveita o calor gerado no processo para produzir energia elétrica.
Nos últimos três anos, a Cimpor Energy regista um investimento superior a 30 milhões de euros, dos quais 20 milhões de euros foram destinados a parques fotovoltaicos e dez milhões de euros destinaram-se ao investimento em baterias. Com isto, a Cimpor conseguiu 25% de autonomia no consumo de eletricidade, em relação à rede, número que deverá chegar a 40% no final deste ano, com a conclusão de mais um parque solar. Nalgumas unidades de produção, como a de Souselas, a percentagem chega a 50%. O objetivo é, no futuro, que a Cimpor passe a ser totalmente autossuficiente.
A Cimpor Energy surgiu como necessidade do grupo internamente para desenvolver tudo o que é a área de energia dentro do grupo Cimpor.
Fidan afirma que a Cimpor conseguiu uma redução de custos na ordem dos 40% com a aplicação das várias soluções que estão a cargo do braço de energia. “O que estamos a fazer é para reduzir a dependência da rede, porque hoje os impostos têm um grande impacto nos nossos custos de energia”, complementa Sandro Conceição.
Mas a empresa não quer ficar por aqui, pelas melhorias internas, já que considera que o que está a fazer dentro de portas tem potencial de negócio para servir outras entidades, tanto no comércio e indústria como no setor residencial. A Cimpor Energy quer fornecer serviços e já o está a fazer com alguns clientes, mas quer alargar a base, estando a olhar, sobretudo, para potenciais candidatos na indústria eletrointensiva, que vai das papeleiras às cerâmicas.
A ideia é que o braço de energia da Cimpor assuma a construção de capacidade renovável junto de outras entidades, numa lógica de autoconsumo, a instalação de baterias e também, caso o cliente o pretenda, a gestão dessa energia. Em troca, espera entregar uma redução da fatura de energia.
A cereja no topo do bolo resume-se em três letras, SGE – Sistema de Gestão de Energia. De forma a otimizar a energia produzida e o respetivo armazenamento, a Cimpor Energy criou um software inteligente que permite fazer este encontro, ao prever a energia que vai ser produzida e dirigindo-a para o uso mais eficiente.
Nos próximos três anos, o objetivo da Cimpor Energy é atingir 50 milhões de euros de volume de negócio anual, apoiada pelo crescimento da procura por baterias, que dependerá, entre outros fatores, das obrigações que o Governo venha a criar em termos da gestão da energia através das baterias, indica Sando Conceição.
No que diz respeito ao armazenamento, o investimento vai ser reforçado este ano, em cerca de dez milhões de euros, para instalar 20 megawatts-hora (MWh) em Souselas, a mesma capacidade em Alhandra e 5 MWh em Loulé. “Não é uma prioridade para nós [a partir de agora] investir em parques solares [para consumo próprio]. (…) Estamos mais interessados em investir em baterias”, indica Berkan Fidan, olhando às possibilidades que se abrem nesta frente.
A Cimpor Energy afirma-se também disponível para participar num futuro leilão de reserva de capacidade, que já foi adiantado pelo Governo que iria ser lançado. “Estamos interessados em tornar-nos um fornecedor de serviços para estabilizar a rede”, afirma Sandro Conceição. As baterias podem ser usadas para a gestão do sistema elétrico, através de serviços de sistema que remuneram a disponibilidade das baterias para emprestarem energia à rede quando for necessário equilibrá-la.
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