Portugal vende pouco e compra ainda menos ao Congo, onde a Mota-Engil é o ‘Ronaldo’ com obras de 1,1 mil milhões
A seleção estreia-se no Mundial diante da República Democrática do Congo. Os dois países têm uma relação comercial pouco desenvolvida. Já a Mota-Engil tem obras de 1,1 mil milhões no país africano.

Se as trocas comerciais fossem um jogo de futebol, a Mota-Engil seria o ponta-de-lança de Portugal na República Democrática do Congo, um gigante de África onde a construtora portuguesa tem obras de 1,1 mil milhões de euros relacionadas com um porto de águas profundas e uma linha ferroviária que ligará à vizinha Angola.
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Mas estas duas encomendas milionárias não disfarçam uma relação comercial pouco desenvolvida entre os dois países que se defrontam esta quarta-feira no Campeonato do Mundo (18h00, Sic) em Houston, EUA, na primeira jornada do grupo K. Os números mostram que Portugal vende muito pouco ao Congo, mas compra ainda menos.
Em 2024, Portugal teve exportações para o antigo Zaire no valor de 12,9 milhões de euros, o que representa ‘uma pequena gota no oceano’ das trocas comerciais com o mundo que superaram os 79 mil milhões de euros naquele ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
Em contrapartida, importámos cerca de 5,6 milhões de euros daquele país do centro de África com mais de 116 milhões de habitantes.
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Vendemos máquinas e animais, compramos agro-alimentares e madeira
Isto significa que, pelo menos no plano comercial, Portugal já está em vantagem em relação aos congoleses, com um saldo da balança de bens positiva em 7,3 milhões. Ainda que historicamente nem sempre isso aconteça. Por exemplo, em 2022 tivemos um défice comercial de 617 milhões de euros, que se deveu sobretudo a compras de 624 milhões de euros em combustíveis e lubrificantes. Veremos como correrão as coisas dentro de campo.
Há dois anos não houve importações de bens de combustíveis e lubrificantes, o que ajudou Portugal a ter uma balança positiva. Em 2024, as principais compras ao Congo foram produtos agro-alimentares (3,6 milhões de euros) e madeira (1,9 milhões).
Em sentido contrário, vendemos à República Democrática do Congo quase 3,5 milhões de euros em oleaginosas, gorduras e óleo, outros 3,4 milhões em máquinas, 1,6 milhões em carnes e laticínios e 1,4 milhões em madeira e cortiça.
Mota-Engil constrói porto de Banana e faz ligação de comboio a Angola
Apesar dos dois países terem uma relação comercial pouco desenvolvida, há uma empresa portuguesa a desbravar grandes negócios e a “fazer golos” na República Democrática do Congo: a Mota-Engil.
O mercado congolês é uma novidade recente no portefólio da construtora portuguesa. Há pouco mais de um ano a empresa liderada por Carlos Mota Santos conquistou um contrato para a construção de um novo terminal de contentores e carga no Porto de Banana. A obra tem um valor de 230 milhões de euros e uma duração estimada de 24 meses. “Integrando trabalhadores locais, será um exemplo de sustentabilidade e promoção do desenvolvimento económico a longo prazo deste país que carece de uma infraestrutura moderna como a que nos propomos executar”, salientou Carlos Mota Santos, na altura.
Caberá ainda à Mota-Engil desenvolver a extensão da linha ferroviária que ligará a República Democrática do Congo a Angola e que depois se conectará ao corredor do Lobito. O contrato deverá ser celebrado brevemente e representará perto de mil milhões de dólares (cerca de 860 milhões de euros), segundo foi anunciado no final do ano passado.
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