José Eduardo Martins x Ana Bárbara Pedrosa: Entre livros e política, uma crítica à pressa do espaço público
O sócio da Abreu Advogados José Eduardo Martins e a escritora Ana Bárbara Pedrosa juntam-se para debater o tema ‘Literatura, chão sagrado’, no Festival ECO.

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- O Festival ECO, que decorre esta quarta-feira no CCB em Lisboa, marca o arranque das celebrações do 10.º aniversário do ECO com um festival de ideias, cultura, encontros e jornalismo ao vivo, reunindo leitores, parceiros e protagonistas de diferentes áreas num encontro que cruza economia, política, cultura, liderança e inovação.
Na conversa improvável ‘Literatura, chão sagrado’, José Eduardo Martins, sócio da Abreu Advogados e ex-deputado, e Ana Bárbara Pedrosa, escritora e finalista do Prémio Eça de Queiroz, fizeram uma análise sobre o momento da sociedade. O advogado sublinhou que quase toda a gente que está no espaço público “tem medo que lhe passe um tema à frente que não saiba do que se trata”. “A política, por exemplo, tornou-se uma coisa que precisa de muita rapidez. Esta incapacidade de parar para refletir é reflexo desta viragem de todos poderem dizer alguma coisa sobre tudo. Porque andamos irritados, também. Porque não conseguimos enfrentar coisas a sério”, disse.
Uma posição que Ana Bárbara Pedrosa partilha também, considerando que as redes sociais imprimiram uma “velocidade à vida” que consiste em ver um “título e arranjar maneira de arranjar um alvo”. “As pessoas são invadidas por informação, o que faz com que haja uma espécie de FOMO [fear of missing out]. Anda tudo atrás de alguma coisa o que significa que não dá tempo para ler nada até ao fim”, disse.
A escritora Ana Bárbara Pedrosa considera ainda que a sociedade está “muito polarizada” e que não há “grande” espaço para debate. “Não me interessa muito num debate a ideia de ter razão, interessa-me mais um debate em que aprendas alguma coisa do que estar num ringue para matar o outro“, disse.
Sobre a obra – que está a começar – da Ana Bárbara Pedrosa, José Eduardo Martins destacou como ponto positivo que a obra que vai ser lida muito para lá da circunstância da obra, de um livro em específico. “E eu fico feliz porque vejo tanta coisa que não tem valor a aparecer. Ninguém se senta para discutir um Código laboral elaborado: é sempre ‘o teu é melhor que o teu’. Parece que estamos sempre a querer ganhar e não a discutir os temas e aprender com os outros“, queixou-se o advogado.
Os perfis
- José Eduardo Martins é sócio da Abreu Advogados e membro não-executivo do Conselho de Administração. Centra a sua prática nas áreas de Direito do Ambiente, Comercial e Imobiliário. Conta também com vasta experiência no setor público, tendo exercido funções de Secretário de Estado do Ambiente no XV Governo Constitucional Português, entre 2002-2004, tendo sido membro do Parlamento Português entre 1999 e 2012.
- Ana Bárbara Pedrosa é escritora, nascida em Lisboa, autora de obras como “Chão sagrado” (2019), “Palavra do Senhor” (2021) e “Amor estragado” (2023), também publicado no Brasil. Assina crónicas no jornal Mensagem de Lisboa e na revista Sábado, e atualmente no Expresso e faz crítica literária no Observador. É doutorada em Ciências Humanas, mestre em Estudos Portugueses, pós-graduada em Linguística e em Economia e Políticas Públicas e licenciada em Línguas Aplicadas. Viveu e estudou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos.
O momento de humor
“Não me interessa muito num debate a ideia de ter razão, interessa-me mais um debate em que aprendas alguma coisa do que estar num ringue para matar o outro”, disse Ana Bárbara Pedroso. Sublinhando que nota uma grande diferença entre os comentários às crónicas que faz num artigo aos comentários nas redes sociais. “Eram quatro mil insultos”, atira.
O momento de tensão
Numa era cada vez mais digital, a escritora Ana Bárbara Pedrosa conclui que anda tudo atrás de alguma coisa e isso significa que “não dá tempo para ler nada até ao fim”. “As redes sociais imprimiram uma velocidade à vida que consiste em ver um título e arranjar maneira de arranjar um alvo. As pessoas são invadidas por informação, o que faz com que haja uma espécie de FOMO [fear of missing out]”.
A ideia para o futuro
A escritora Ana Bárbara Pedrosa considera que a sociedade está “muito polarizada” e que não há “grande” espaço para debate. E isso tem de ser mudado. “Não me interessa muito num debate a ideia de ter razão, interessa-me mais um debate em que aprendas alguma coisa do que estar num ringue para matar o outro”, disse.
As frases
A política, por exemplo, tornou-se uma coisa que precisa de muita rapidez. Esta incapacidade de parar para refletir é reflexo desta viragem de todos poderem dizer alguma coisa sobre tudo. Porque andamos irritados, também. Porque não conseguimos enfrentar coisas a sério”
As redes sociais imprimiram uma velocidade à vida que consiste em ver um título e arranjar maneira de arranjar um alvo.
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