Bruno Ferreira x Marlene Vieira: O desafio “difícil” de gerir equipas mesmo contra o que é intuitivo
O managing partner da PLMJ Bruno Ferreira e a chef Marlene Vieira juntam-se para debater o tema ‘O caminho para o extraordinário’, no Festival ECO.

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- O Festival ECO, que decorre esta quarta-feira no CCB em Lisboa, marca o arranque das celebrações do 10.º aniversário do ECO com um festival de ideias, cultura, encontros e jornalismo ao vivo, reunindo leitores, parceiros e protagonistas de diferentes áreas num encontro que cruza economia, política, cultura, liderança e inovação.
O managing partner da PLMJ, Bruno Ferreira, e a chef Marlene Vieira juntaram-se para uma conversa improvável – O caminho para o extraordinário – onde revelaram como é gerir equipas, o que para a chef é um “desafio”. Ainda assim, garante: “muito difícil é pôr alguém a ensinar outro a fazer a sua tarefa. O meu sonho em criança era ser professora, por isso para mim não foi difícil”, disse.
A chef apresentou ainda um outro desafio na sua profissão, que até pode ser mais difícil do que lidar com a equipa, que é a parte de criar uma experiência memorável a quem pede um bife com batatas. “O que se pode fazer? Dar um prato diferente antes”, explica.
Bruno Ferreira revê-se na resposta da chef, atirando que, na gestão de um escritório de advogados, têm de fazer uma coisa contra-intuitiva, mas que é melhor para as pessoas da equipa que é “dizer-lhes que eles podem ser dispensáveis”. Ou seja, ensinar outros que possam fazer tão bem o que elas já fazem. “Mas é valioso dizermos que essas pessoas já fizeram isto ou aquilo de uma forma ótima mas agora podem também fazer outras coisas”, revela.
Cética inicialmente em relação à cozinha portuguesa, só descobriu esta paixão quando foi para Nova Iorque. “Lá percebi que a nossa cozinha é muito especial”, disse, salientando que sentiu saudades de casa e aí decidiu que queria fazer cozinha portuguesa. Com três espaços, admitiu que o objetivo principal é alimentar as pessoas, mas “emocionalmente”. “Como é que se consegue partir de uma ideia, executar e estar atento para emocionar as pessoas: há muita tentativa e erro, mas há planeamento. Há uma estratégia e depois metemos em ação e vamos fazendo passo a passo”, disse.
Uma conversa que passou tanto pela gestão de equipas como pelo planeamento, o papel do líder e do ego, e o lugar do instinto e da paixão nos processos.
Os perfis
- Bruno Ferreira é managing partner e sócio de Bancário e Financeiro e Mercado de Capitais da PLMJ. Com mais de 20 anos de experiência, especializou-se na assessoria a transações complexas, nacionais e internacionais, combinando a assessoria transacional e regulatória, com a assessoria em questões financeiras, incluindo operações de project finance, leverage finance e asset based finance.
- Marlene Vieira nasceu na Maia, em 1980, e é uma das mais reconhecidas chefs portuguesas da atualidade, destacando-se com a gastronomia tradicional portuguesa através de uma abordagem contemporânea e criativa. Formou-se na Escola de Hotelaria de Santa Maria da Feira, tendo trabalhado em Portugal e no estrangeiro, incluindo Nova Iorque. É responsável por vários projetos de restauração em Lisboa, entre os quais o restaurante Marlene. Em 2025, conquistou uma Estrela Michelin, tornando-se uma das primeiras chefs portuguesas a alcançar esta distinção nas últimas três décadas.
O momento de humor
Falando na dificuldade que é ser managing partner de um dos maiores escritórios de advogados portugueses e, consequentemente, lidar com o ego, Bruno Ferreira arrancou gargalhadas da audiência ao contar que uma vez deu uma entrevista a um órgão de comunicação social e usou uma expressão inglesa que é “gerir um escritório de advogados é como pastar gatos. Mas aprendi que nunca mais posso dizer isso: tenho de dizer pastar tigres”.
O momento de tensão
A chef Marlene Vieira apontou a gestão de equipas como um desafio e que é “muito difícil” pôr alguém a ensinar outro a fazer a sua tarefa. “O meu sonho em criança era ser professora, por isso para mim não foi difícil”, disse.“O desafio é como cultivamos isso nos outros. Às vezes temos de tomar decisões difíceis”, refere.
Bruno Ferreira revê-se na resposta da chef de cozinha. “Na gestão de um escritório de advogados temos de fazer uma coisa contra intuitiva mas que é melhor para as pessoas da equipa que é dizer-lhes que eles podem ser dispensáveis. E isto é contra-intuitivo para as pessoas. Mas é valioso dizer-mos que essas pessoas já fizeram isto ou aquilo de uma forma ótima mas agora podem também fazer outras coisas”.
A ideia para o futuro
Olhando mais para o futuro, a chef Marlene Vieira assumiu que o desafio é cada vez mais trazer experiências novas e educar o palato dos portugueses. “De certa forma, dar esta experiência às pessoas a um custo que para nós não obtemos lucro do espaço. Apesar de sermos super resistentes com a questão do que é realmente a cozinha portuguesa”, refere. E diz: “quero um restaurante fine dining com os portugueses. Os portugueses ainda não valorizam gastar dinheiro nestes restaurantes. Ainda assim, optam por comprar um telemóvel mais caro”, aponta.
As frases
Na gestão de um escritório de advogados temos de fazer uma coisa contra intuitiva mas que é melhor para as pessoas da equipa que é dizer-lhes que eles podem ser dispensáveis”
Como é que se consegue partir uma ideia, executar e estar atento para emocionar as pessoas: há muita tentativa e erro, mas há planeamento. Há uma estratégia e depois metemos em ação e vamos fazendo passo a passo.
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