Dona da Mimosa alega que corte no pagamento a produtores de leite é “insignificante”
Enquanto algumas empresas na Europa reduziram os preços em até 17 cêntimos, a Lactogal diz que optou por uma diminuição menor para proteger a produção nacional e evitar a perda de produtores.
O presidente da Lactogal, José Marques, considera que a descida de três cêntimos no preço pago aos produtores de leite é “insignificante” quando comparada com o que está a acontecer noutros mercados europeus.
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“Comparativamente ao que se passa na Europa, quero frisar que em determinados países, determinadas empresas na Europa baixaram 17 cêntimos, por isso em Portugal baixar 3 cêntimos é insignificante”, afirmou o líder do grupo à margem da Cimeira do Leite, que está a decorrer esta terça-feira no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.
O líder da Lactogal que detém marcas como a Mimosa, Castelões, Agros, Gresso, Matinal, Vigor, Milhafre dos Açores e Pleno, exemplificou que, em outros casos na Europa, as reduções chegaram a “10, 15, 17 cêntimos”, defendendo que a estratégia da Lactogal passou por proteger a produção nacional.
“Nós aqui baixámos apenas 3 cêntimos. Esse investimento este ano está a ser na produção, porque temos consciência de que, se baixássemos a esses níveis, ficaríamos sem produtores ou, pelo menos, sem uma grande parte de produtores.”
Enquanto há empresas na Europa a baixar na casa dos 10, 15, 17 cêntimos inclusivamente, nós aqui baixámos apenas 3 cêntimos (…) Temos consciência de que se baixássemos a esses níveis na produção, ficaríamos sem produtores ou, pelo menos, sem uma grande parte de produtores.
José Marques sublinhou que o grupo está a tentar “aguentar os produtores” num contexto de forte pressão de mercado e aumento de custos. “Estamos a fazer uma aposta grande neste momento, tentar ultrapassar esta situação dos preços, do mercado, para no futuro podermos ser uma empresa segura, saudável e com produtores”, disse o presidente.
A Lactogal fechou 2025 com uma faturação de 1,2 mil milhões de euros, mas viu os lucros recuarem para oito milhões de euros, perante um cenário de grande volatilidade e pressões operacionais no setor lácteo. “É manifestamente pouco para uma empresa que tem ambições de investir, mas foi um ano anormal”, afirmou José Marques, notando que a empresa optou por “sacrificar-se” para garantir a continuidade da produção.
“Os custos de produção aumentaram, aumentaram para todas as pessoas, também para os produtores de leite. E na Lactogal estamos a fazer um esforço enorme porque o mercado não está a ajudar”, insistiu, apontando ainda à concorrência de produtos mais baratos.

O presidente do grupo defendeu também a necessidade de apoio governamental ao setor, sobretudo em áreas como combustíveis e fertilizantes e pediu ao Governo que “ajude as empresas do setor”, nomeadamente através de medidas fiscais mais favoráveis.
Sobre os combustíveis, o líder do maior grupo lácteo ibérico e a maior empresa agroalimentar em Portugal, considerou que a carga fiscal continua elevada. “Em Espanha são 40 cêntimos de redução de imposto, nós temos uma redução na ordem dos 20 e poucos cêntimos. Poderíamos ter aqui uma ajuda que seria significativa para os produtores.”
Fundado em 1996 a partir da união das cooperativas Agros, Proleite e Lacticoop, o grupo construiu ao longo de três décadas uma forte presença na produção láctea ibérica. Atualmente, opera 12 unidades industriais na Península Ibérica, emprega cerca de 2.500 trabalhadores e valoriza mais de 1.200 milhões de litros de leite por ano, provenientes de cerca de 2.000 produtores.
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