Governo admite que problemas externos com jet fuel podem afetar turismo em Portugal

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, admite que uma crise internacional no jet fuel pode afetar o turismo, mas assegura que o abastecimento em Portugal está garantido.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, admitiu esta terça-feira que a crise internacional no jet fuel pode afetar o turismo português, mas garantiu que o abastecimento nacional está assegurado.

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“O problema não vamos ser nós, mas vamos ser afetados pelo problema do mundo”, afirmou a governante à margem da Cimeira do Leite, que está a decorrer esta terça-feira no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, alertando que eventuais dificuldades noutros países poderão ter reflexos diretos no turismo português.

“Não são só os voos que partem daqui, são também as companhias que chegam aqui. E essas não podemos acautelar. Se há problemas, por exemplo, no Reino Unido — eu não estou a dizer que há — mas se houver, vai afetar o nosso turismo”, disse Maria da Graça Carvalho.

Não é só os voos que partem daqui, são também as companhias que chegam aqui. E essas não podemos acautelar. Se há problemas, por exemplo, no Reino Unido — eu não estou a dizer que há — mas se houver, vai afetar o nosso turismo.

Maria da Graça Carvalho

Ministra do Ambiente e Energia

A ministra reconheceu ainda que uma crise global poderá traduzir-se em aumentos de preços e dificuldades operacionais no setor da aviação. “Numa crise global, seremos sempre afetados pelo preço, que é global, e no jet fuel, pelos que têm que chegar cá e não conseguem chegar”, afirmou.

Ministra não prevê falhas no abastecimento de jet fuel

Apesar desse cenário internacional, Maria da Graça Carvalho procurou tranquilizar quanto à situação nacional, garantindo que Portugal está a reforçar contactos com fornecedores internacionais para assegurar o abastecimento. “Nós não antevemos problemas no nosso abastecimento”, assegurou.

Segundo a governante, Portugal tem vindo a diversificar as suas fontes de energia e importa atualmente gás e petróleo sobretudo da Argélia, Nigéria, Brasil e Estados Unidos.

“Nós já tínhamos diversificado as fontes, portanto, entre o gás e o petróleo, importamos essencialmente da Argélia, da Nigéria, do Brasil e dos Estados Unidos. São fornecedores em que confiamos, em que estamos em contacto, estamos a estreitar esse contacto”, afirmou.

Maria da Graça Carvalho sublinhou ainda que a refinaria da Galp assegura cerca de 80% da produção nacional de jet fuel, estando os restantes 20% garantidos através de fornecedores externos habituais. “A refinaria da Galp produz 80% do jet fuel, por isso temos de acautelar os outros 20%. Estamos a fazer tudo para que da nossa parte não haja escassez”, disse.

Maria da Graça Carvalho, ministro do Ambiente e da Energia, durante a Cimeira do Leite, organizada pela Lactogal no Porto

“Os 20% que faltam estão assegurados pelos nossos fornecedores habituais. Estamos agora a intensificar esses contactos para termos a certeza que continuamos a ter os 20% do abastecimento que nos falta, nomeadamente do jet fuel”, acrescentou Maria da Graça Carvalho.

A ministra frisou ainda a confiança do Governo nos parceiros internacionais. “Como nós produzimos 80% e temos fornecedores em quem confiamos e com quem temos muito boas relações — Estados Unidos, Brasil, Argélia e Nigéria nunca nos falharam — estamos confiantes de que assim continuará a ser”, afirmou.

Questionada sobre a notícia de que a TAP terá apenas 47% das necessidades de combustível para 2026 cobertas, a governante voltou a afastar riscos imediatos para Portugal. “Do ponto de vista nacional, não antevemos problemas. Agora, a nível global, seremos afetados se outros não conseguirem este abastecimento. E é um facto que há uma redução a nível mundial”, insistiu.

A ministra destacou ainda que Portugal está relativamente protegido no setor elétrico devido ao peso das energias renováveis.

“O facto de termos muitas renováveis protege-nos na produção de eletricidade e, portanto, dependemos muito pouco do gás. A nossa produção é cerca de 80% de energias renováveis para a eletricidade e, portanto, estamos aí muito, muito protegidos”, concluiu.

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