Vista Alegre garante contrato de 400 milhões com Ikea para produzir louça de mesa
Atual contrato com multinacional sueca termina em dezembro, mas o grupo controlado pela Visabeira assume que “já existe acordo para renovação por mais sete anos”, viabilizando nova fábrica em Ílhavo.
Está desvendado o mistério. A multinacional sueca Ikea é mesmo a “empresa global de mobiliário e decoração para o lar” com a qual a Vista Alegre assinou um novo contrato válido até 2034 e que deverá gerar um volume de negócios acumulado acima dos 400 milhões de euros durante este período, através da participada Ria Stone.
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No relatório e contas de 2025, consultado pelo ECO, o grupo controlado pela Visabeira revela que “o presente contrato entre a Ria Stone e a Ikea termina em dezembro de 2026, no entanto, já existe um acordo para renovação do contrato por mais sete anos, até 2034”.
“Resultante da forte parceria existente, assente na competitividade, serviço ao cliente e capacidade de desenvolvimento de novos produtos”, a Vista Alegre “tem conseguido fidelizar este cliente, mantendo a sua capacidade produtiva, as vendas e os resultados em bons níveis”, frisa a empresa liderada por Fernando Daniel Nunes, que substituiu Nuno Terras Marques à frente da comissão executiva.
À boleia da revalidação deste contrato com a IKEA para o fornecimento de louça de mesa em grés, o grupo prepara-se para investir cerca de 40 milhões de euros na construção de uma segunda unidade fabril na Zona Industrial da Mota, em Ílhavo, prevendo a criação de mais uma centena de novos postos de trabalho na região.
Esta nova fábrica vai aumentar a capacidade de produção anual, a rondar 50 milhões de peças, num projeto que, como comunicou à CMVM a 20 de abril, “inclui a construção de um edifício industrial com cerca de 27.000 metros quadrados, bem como a instalação de equipamentos tecnologicamente avançados, desenvolvidos especificamente para a empresa”.

A empresa participada pela Visabeira e por Cristiano Ronaldo – o futebolista entrou como investidor no verão de 2024 ao comprar 10% da holding Vista Alegre Atlantis e ao ficar também com 30% do capital da subsidiária em Espanha – indicou ainda que “mais de 98% da produção será destinada à exportação, com principal enfoque na Europa do Sul, Europa Central, Escandinávia e Reino Unido”.
Na apresentação de contas relativa ao ano passado, em que viu os lucros voltarem a crescer para 4,7 milhões de euros em 2025 após terem encolhido 34% no ano anterior, a Vista Alegre sublinha que “sendo a sua subsidiária a Ria Stone um “prioritized supplier” [fornecedor prioritário] para a IKEA, esta tem vindo a alargar a sua matriz de distribuição a outros destinos, permitindo que a fábrica da Ria Stone se mantenha a produzir na sua capacidade máxima”.
A Ria Stone foi criada em 2012 após ganhar um concurso internacional da IKEA para produzir este tipo de peças para o mercado europeu, mas atualmente já são exportadas pela cliente “para todas as lojas a nível mundial”. A expedição do primeiro camião desta fábrica aconteceu dois anos depois, tendo em 2019 avançado com um segundo projeto para ampliação da fábrica e consequente aumento da capacidade produtiva.
Para o grupo que detém seis unidades produtivas em Portugal – duas em Ílhavo, uma em Aveiro, uma nas Caldas da Rainha, uma em Alcobaça e uma no Sátão (Viseu) –, este segmento de louça em grés é precisamente um dos que mais tem crescido nos últimos anos. Em 2025 equivaleu a 44% do volume de negócios consolidado, que ascendeu a 144,3 milhões de euros.
Os mercados internacionais continuam a ser o principal motor da Vista Alegre Atlantis, comprada em 2009 pelo conglomerado de Viseu. É atualmente constituída por 15 empresas e emprega perto de 2.400 funcionários. Após crescer 8,3% em 2025, a faturação fora do país passou a representar 71% do total.
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