Contratos de construção por ajuste direto passam a ser até 150 mil euros. Cinco vezes mais

Para aquisição de bens e serviços, o limite do ajuste direto passa de 20 mil euros para 75 mil, enquanto na consulta prévia esse limite passa de 75 mil para 130 mil euros. 

O Governo quer que os limiares para ajuste direto e consulta prévia nos contratos públicos aumentem. Segundo a reforma da contratação pública, aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros – e que o Executivo considera ” uma reforma de fundo, da maior importância e mais uma batalha ganha na guerra contra a burocracia” –, para aquisição de bens e serviços, o limite do ajuste direto passa de 20 mil euros para 75 mil euros, enquanto que na consulta prévia esse limite passa de 75 mil para 130 mil euros.

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Já nos contratos de empreitada – para construção de escolas, hospitais ou outros edifícios públicos –, o limiar aplicado no ajuste direto quintuplica para 150 mil euros, face aos atuais 30 mil euros, e na consulta prévia sobe de 150 mil até um milhão.

Gonçalo Saraiva Matias, ministro adjunto e da Reforma do Estado, justificou as atualizações argumentando que “estavam desajustados da realidade económica e criavam bloqueios desnecessários”, acrescentando ainda que “os atuais limiares eram muito baixos e não permitiam aos decisores contratar, dentro de valores razoáveis”.

Apesar desta atualização, o governante sustentou que Portugal mantém-se longe dos valores praticados na Europa. Será ainda possível recorrer a ferramentas de inteligência artificial, nomeadamente na tramitação dos projetos.

Entre as alterações destacadas pelo ministro estão ainda a criação de um regime próprio para as empreitadas de conceção-construção; obrigação de revisão ordinária de preços para contratos de longa duração – “contratos de duração superior a três anos estão mais expostos à volatilidade dos preços, o que contribui para situações de conflito contratual”; e resolução alternativa de litígios.

“É uma reforma de fundo, da maior importância, é mais uma batalha ganha na guerra contra a burocracia”, adiantou o ministro Adjunto e da Reforma do Estado. Segundo Gonçalo Saraiva Matias, esta reforma deverá permitir dispensar a apresentação de três milhões de documentos por ano. Limiares da contratação pública: “Estavam desajustados da realidade económica”.

“Esta reforma segue três princípios: simplificação e desburocratização do procedimento; foco no desenvolvimento económico; e flexibilização dos procedimentos”, adiantou o ministro no briefing do Conselho de Ministros.

Segundo explicou, as novas regras vão permitir explorar um potencial ao nível da contratação pública “que está a ser travado pela complexidade” burocrática. “Estamos a melhorar a vida dos cidadãos e ganhar a guerra contra burocracia”, afiançou.

No que diz respeito à simplificação, o novo código vai adotar o princípio “só uma vez”. Ou seja, vai dispensar a apresentação de documentos que já estejam na posse do Estado.

Por outro lado, há lugar à eliminação de documentação declarativa desnecessária e repetitiva. Medidas que deverão permitir suprimir a entrega de mais de três milhões de documentos por ano. “Eram documentos que tinham de ser validados e entregues”, destacou o ministro.

 

Para responder a situações de emergência ou calamidade, o regime geral de ajuste direto de resposta a estados de exceção vai permitir dotar “as entidades adjudicantes da possibilidade de, temporariamente, recorrer a procedimentos mais céleres em situações de reconhecida excecionalidade”.

Foi ainda aprovado o novo regime de autorização de despesa pública, que vai revogar o regime de 1999, ainda em escudos. Este novo regime clarifica as competências para autorização de despesa, assegura possibilidades de delegação, agiliza a autorização de encargos plurianuais e atualiza os valores que cada órgão pode autorizar.

As novas regras incluem ainda um procedimento de “iniciativa espontânea”. Ou seja, será permitido que um operador económico apresente à entidade adjudicante uma iniciativa para desenvolvimento de um projeto.

O ministro adiantou que o Governo “tem várias batalhas” contra a burocracia. Sobre as novas regras da contratação pública, disse, haverá “um conjunto de audições e discussão alargada”, ainda que a aprovação seja de iniciativa do Governo.

Já na próxima semana, irá reunir com os vários partidos com representação parlamentar, para discutir a revisão da lei do Tribunal de Contas.

(Notícia atualizada)

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