Capital de risco Activecap: “Temos 170 milhões de euros em análise”

Lançada há seis anos, a private equity liderada por Pedro Correia da Silva tem 120 milhões de euros sob gestão e espera duplicar esse montante nos próximos dois a três anos. Oportunidades não faltam.

Lançada em 2020, a Activecap já tem 120 milhões de euros investidos em empresas nacionais e espera mais do que duplicar esse valor nos próximos dois a três anos. E oportunidades não faltam, segundo o CEO da capital de risco, Pedro Correia da Silva. “Temos 170 milhões em análise”.

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“Umas estão numa fase mais avançada, outras menos. Aquelas que passam no crivo são empresas em que nós acreditamos”, adianta o gestor num encontro com os jornalistas, em Lisboa.

“Há uma análise inicial, depois uma conversa com as empresas. Se virmos que têm os critérios essenciais de elegibilidade de acordo com a política de investimento do fundo, fazemos uma visita à empresa. É um trabalho bastante minucioso”, conta, explicando que a indústria tem um critério de um investimento por cada 10 oportunidades analisadas.

A Activecap conta com dois fundos – um com 40 milhões já investidos e outro com 80 milhões em fase final de investimento –, que já investiram em quase duas dezenas de empresas de vários setores, desde indústrias mais sofisticadas como drones (Beyond Vision) e tecnologia (Sound Particles) até às mais tradicionais como o alimentar (Fabridoce), cerâmica (Moma) e vidro (Cristalmax). Até final do ano deverá investir em mais duas ou três.

“Somos agnósticos. Investimentos em todos os setores. Na gestão de um fundo tem de se diversificar. Ou seja, quando o investidor coloca o seu dinheiro num fundo não espera que coloquemos os ovos todos no mesmo cesto”, explica Pedro Correia da Silva.

“Mas também é importante dizer que há setores que gostamos mais do que de outros pelas suas características. Se queremos dar escala europeia ou global, têm de ser setores com características de internacionalização e exportação”, acrescenta.

Pedro Correia da Silva, CEO e partner da sociedade de capital de risco Activecap

Activecap quer dar retorno de 15% ao ano

Segundo Pedro Correia da Silva, a Activecap procura dar um retorno de 15% ao ano aos investidores, “em linha com as melhores práticas globais”.

“Quando nós queremos captar investidores internacionais para os nossos fundos, não podemos dizer que fazemos menos do que isso”, frisa.

“Só é possível captar mais capital para investir nas empresas se nós entregarmos. Caso contrário, os investidores não vão voltar a investir”, atira. No caso da Activecap, onde 40% do capital fala estrangeiro, “até à data” tem conseguido cumprir os objetivos dos fundos e dos investidores.

Bolsa é “saída perfeita”, mas não serve para todos

O CEO da Activecap admite que a saída dos investimentos não é um tema fácil, mas isso também faz parte da análise inicial. “As nossas apresentações têm sempre um último slide sobre a saída”. A sociedade de private equity conta já com quatro desinvestimentos: Firmo, Staples, Cliper Cerâmica e a Zumub.

Sobre a empresa de nutrição desportiva, Correia da Silva não faz comentários em relação ao diferendo com o fundador Urbano da Veiga. No início deste ano, a Zumub recebeu um investimento de 3,5 milhões de euros de dois family offices neerlandeses no que terá marcado a saída da Activecap da estrutura de capital da empresa de forma abrupta.

Pedro Correia da Silva vê a bolsa como uma “saída perfeita” para o capital de risco, porque seria “substituir uma posição minoritária por vários acionistas”. E várias empresas já abordaram a Activecap nesse sentido. “Não só faz sentido para as empresas, como faz sentido para o mercado como um todo e para nós também”.

Mas a bolsa não faz sentido para todos. “Já nos aconteceu de dizer ‘olhem, é melhor não’. Porquê? Porque acho que é preciso ter ambição, mas uma ambição que faça sentido”, diz.

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