Taxa de juro dos Certificados de Aforro dá maior salto em mais de dois anos. Sobe para 2,138% para subscrições em abril
Após de três meses seguidos de descida, a taxa de juro base dos Certificados de Aforro inverte a tendência em abril graças à recuperação da Euribor a três meses à boleia do conflito no Médio Oriente.
- Os Certificados de Aforro terão uma taxa de juro base de 2,138% em abril, marcando o maior aumento em mais de dois anos.
- A nova taxa de juro base é a mais alta desde maio de 2025, refletindo a estabilidade da Euribor a três meses acima de 2,1% nos 10 dias que serviram de base ao cálculo da taxa de juro base dos Certificados de Aforro subscritos em abril.
- A popularidade dos Certificados de Aforro continua a crescer, com 291,2 milhões de euros em subscrições líquidas em fevereiro e com um stock de quase 41 mil milhões de euros.
Os Certificados de Aforro vão pagar mais a quem subscrever estes títulos de dívida da República em abril. A taxa de juro base fixa-se em 2,138% no próximo mês, segundo cálculos do ECO, um aumento de 12,6 pontos base face aos 2,012% registados em março.
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Trata-se do maior salto na remuneração destes títulos de dívida pública desenhados para as famílias em mais de dois anos. É preciso recuar até fevereiro de 2023 para se assistir a um pulo tão grande na taxa base, quando subiu 31 pontos base para 3,4%.
A taxa de juro base dos Certificados de Aforro subscritos no próximo mês é também a mais elevada desde maio de 2025 (quando atingiu os 2,162%), o que significa que quem subscrever em abril terá a melhor remuneração de arranque dos últimos dez meses.
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A subida da remuneração base dos Certificados de Aforro em abril marca também uma inversão do comportamento recente, após três meses seguidos de descida da taxa de juro base.
A causa deste movimento é atribuído ao aumento da taxa Euribor a três meses – indexante que serve de base à remuneração dos Certificados de Aforro -, que desde o final de fevereiro deu um pulo com a escalada dos conflitos no Médio Oriente, puxando a remuneração dos Certificados de Aforro consigo.
Ao longo dos dez dias úteis que serviram de base ao cálculo da taxa para abril, a Euribor a três meses manteve-se constantemente acima de 2,1%, algo que não acontecia desde meados de maio do ano passado. Esta estabilidade do indexante num patamar mais elevado explica o salto mais expressivo que os aforradores vão sentir na remuneração dos títulos subscritos no próximo mês.
A subida da taxa chega também numa altura em que a popularidade dos Certificados de Aforro não dá sinais de abrandamento. Segundo os últimos dados do Banco de Portugal, estes títulos captaram 291,2 milhões de euros em subscrições líquidas positivas em fevereiro, marcando o 17.º mês consecutivo com entradas líquidas.
Isso fez com que o stock total de Certificados de Aforro se aproxima-se dos 41 mil milhões de euros no final de fevereiro, o que reforça a sua posição como um dos produtos de poupança mais populares do país.
O contraste com os depósitos bancários continua a favorecer claramente os Certificados de Aforro. Em janeiro, a taxa média das novas aplicações em depósitos a prazo era de apenas 1,34% – quase 81 pontos base abaixo da nova taxa base dos Certificados de Aforro para abril. Para muitas famílias, a escolha continua a ser simples.
Taxa de juro base mais alta e não fica por aqui
A taxa de juro base dos Certificados de Aforro da Série F — a série atualmente em comercialização, lançada em junho de 2023 — é determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil de cada mês, para vigorar durante o mês seguinte.
O cálculo baseia-se na média aritmética dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, com o resultado arredondado à terceira casa decimal. A taxa base não pode ser superior a 2,5% nem inferior a 0%.
Mas a taxa base é apenas uma parte da remuneração total destes títulos. A ela acrescem prémios de permanência que crescem com o tempo: 0,25% do segundo ao quinto ano; 0,50% do sexto ao nono ano; 1% no décimo e décimo primeiro ano; 1,50% no décimo segundo e décimo terceiro ano; e 1,75% no décimo quarto e décimo quinto ano.
Os juros são capitalizados trimestralmente de forma automática, líquido de IRS, e o resgate antecipado é possível a partir do primeiro vencimento de juros. O investimento mínimo é de 100 euros e cada aforrador pode deter até 100 mil euros em Certificados da Série F.
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