Emprego abranda com aperto na imigração e menor crescimento da economia

Banco de Portugal sublinha que é essencial que crescimento económico esteja progressivamente mais ancorado em ganhos de produtividade e menos na expansão do emprego.

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  • O mercado de trabalho português apresenta sinais de estabilidade, com o número de trabalhadores por conta de outrem a atingir máximos históricos, apesar de um abrandamento gradual previsto para 2025.
  • O Banco de Portugal destaca que o contributo dos trabalhadores estrangeiros para o emprego tem diminuído, refletindo alterações nas regras de imigração e um menor crescimento económico.
  • A redução do dinamismo do emprego estrangeiro e o envelhecimento da população exigem um foco em produtividade e qualificação, para garantir um crescimento económico sustentável.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Apesar dos desafios nacionais e internacionais, o mercado de trabalho português continua a dar sinais de estabilidade. Tanto que, no último ano, o número de trabalhadores por conta de outrem renovou máximos históricos. Ainda assim, o Banco de Portugal alerta que, ao longo de 2025, foi registado um “abrandamento gradual” do emprego, o que poderá ser explicado pela maior rigidez nas regras de imigração e pelo menor crescimento da economia.

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“O número de trabalhadores por conta de outrem com remunerações declaradas à Segurança Social continuou a aumentar em 2025, atingindo um máximo da série. No entanto, observou-se um abrandamento gradual ao longo de 2025, com a taxa de variação homóloga a fixar-se em 2% em setembro, o que compara com 2,6% nos três primeiros trimestres de 2025, e crescimentos médios anuais de 3,4% em 2024 e 5% em 2023“, frisa o banco central português, no seu boletim económico relativo a março, que foi apresentado esta quarta-feira.

A explicar este abrandamento está a evolução dos trabalhadores de nacionalidade estrangeira. Isto é, enquanto o contributo dos trabalhadores nacionais para a variação total aumentou ligeiramente (de 0,3 pontos percentuais em 2024 para 0,7 pontos percentuais nos três primeiros trimestre de 2025), o contributo dos trabalhadores estrangeiros desceu de 3 pontos percentuais em 2024 para 1,9 pontos percentuais no referido período do último ano.

“Este menor contributo esteve sobretudo associado à redução significativa do contributo dos trabalhadores oriundos dos países do Sul da Ásia — Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão — que passou de 0,9 pontos percentuais em 2024 para 0,3 pontos percentuais no período de janeiro a setembro de 2025, observando-se taxas de variação homólogas negativas a partir de julho“, sublinha o Banco de Portugal.

Também nos trabalhadores provenientes do Brasil foi observada uma diminuição do contributo, neste caso de 0,8 pontos percentuais para 0,3 pontos percentuais. “Estas reduções foram apenas parcialmente compensadas pelo aumento do contributo dos trabalhadores dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), que passou de 0,9 pontos percentuais para 1,1 percentuais”, lê-se no Boletim Económico.

E o que explica esse menor dinamismo do emprego estrangeiro? O Banco de Portugal indica que tal reflete a redução do saldo migratório de indivíduos com nacionalidade estrangeira, após os máximos registados em 2022 e 2023.

“Esta evolução estará associada às alterações legislativas às regras de imigração e ao menor crescimento da atividade económica, em particular nos setores que registaram um forte dinamismo na fase da recuperação pós-pandemia”, é salientado. De notar que a entrada por manifestação de interesse foi vedada pelo Governo de Luís Montenegro, que tem insistido numa imigração regulada, por oposição à atitude de “portas abertas” que tem associado aos Executivos de António Costa.

"O menor dinamismo do emprego estrangeiro reflete a redução do saldo migratório de indivíduos com nacionalidade estrangeira após os máximos registados em 2022 e 2023. Esta evolução estará associada às alterações legislativas às regras de imigração e ao menor crescimento da atividade económica.”

Banco de Portugal

Por outro lado, o banco central português destaca que, por setor de atividade económica, o abrandamento do emprego nos três primeiros trimestres de 2025 foi mais expressivo no alojamento e restauração (redução do contributo para a variação total de 0,5 pontos percentuais para 0,2 pontos percentuais), na agricultura e pesca (de 0,2 pontos percentuais para -0,1 pontos percentuais) e no comércio (de 0,5 pontos percentuais para 0,3 pontos percentuais).

“O contributo da indústria também diminuiu, passando a ser negativo (de 0,0 pontos percentuais para -0,1 pontos percentuais), enquanto o da construção se manteve positivo, em 0,5 pontos percentuais. Estes setores apresentam salários médios inferiores à média da economia”, assinala o Boletim Económico.

“Em contraste, o contributo da Administração Pública, saúde e educação aumentou de 0,6 pontos percentuais para 0,8 pontos percentuais”, é ainda acrescentado.

Em suma, o Banco de Portugal salienta que o crescimento do emprego tem sido sustentado, em larga medida, pelos trabalhadores de nacionalidade estrangeira. “Contudo, o seu contributo tem vindo a diminuir e as projeções apresentadas neste boletim assumem que os fluxos de imigração se continuarão a reduzir“, enfatiza.

Nesse contexto, e tendo em conta o envelhecimento da população portuguesa, o Banco de Portugal defende que é essencial que o crescimento económico esteja progressivamente mais ancorado em ganhos de produtividade e menos na expansão do emprego.

“Tal implica reforçar a aposta na qualificação da população, bem como no investimento e na inovação, tirando partido dos progressos na automatização, na digitalização e na inteligência artificial. A sustentabilidade de aumentos duradouros dos salários reais e do bem-estar depende, em última instância, de um crescimento suficientemente robusto da produtividade por trabalhador“, entende a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira.

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