“Posso ter exagerado com o ministro da Agricultura”, admite Ana Abrunhosa. Mas “chegou com uma semana de atraso”
"É preciso dizê-lo: até àquele momento ninguém da agricultura tinha ido ao terreno. E o senhor ministro pode ter chegado a horas, mas chegou com uma semana de atraso", acusa Abrunhosa.
A presidente da Câmara Municipal de Coimbra admitiu esta quinta-feira, num programa televisivo, que pode “ter exagerado” na forma emotiva como reagiu quando repreendeu o ministro da Agricultura e do Mar por fazer uma “conferência de imprensa” sem falar antes com os autarcas dos concelhos devastados pelo mau tempo. “O senhor ministro pode ter chegado a horas, mas chegou com uma semana de atraso“, acusou.
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“A verdade é que tudo se resolveu. Eu posso ter exagerado, e admito que sim, nas emoções”, reconheceu Ana Abrunhosa num programa da manhã da TVI em que se autodescreveu como uma mulher “muito emotiva”, mas também “muito obsessiva no planeamento e no trabalho“. Ainda assim, voltou a acusar. “É preciso dizê-lo. Até àquele momento ninguém da agricultura tinha ido ao terreno. E o senhor ministro pode ter chegado a horas, mas chegou com uma semana de atraso“.
Na última terça-feira, a antiga ministra da Coesão Territorial do Governo de António Costa repreendeu José Manuel Fernandes à frente das câmaras televisivas: “Vem falar com os autarcas ou com a imprensa?”, acusando de só ter ido ao terreno naquele dia. Ana Abrunhosa explanou que apenas estava “a defender os agricultores de Coimbra e da região” quando se exaltou com o ministro.
O desentendimento aconteceu durante uma visita ao dique dos Casais, onde ocorreu uma rutura que acabou por abater a A1, e o ministro começou a prestar declarações aos jornalistas antes da chegada da presidente de câmara. Na ocasião, a autarca acusou-o: “O senhor chega a Coimbra… há um dever institucional, tem de falar com os autarcas. Se vem fazer uma conferência de imprensa, nós [autarcas] vamos embora”, criticou, na ocasião, indignada.
“Mais do que a novela“, desvalorizou esta quinta-feira a autarca, “o que interessa” é que “o senhor ministro está sensível ao problema, sabe como resolvê-lo”, tecendo-lhe rasgos elogios: “Foi um dos nossos melhores eurodeputados, e sabe que meios pode canalizar para o território.”
É preciso dizê-lo: até àquele momento ninguém da agricultura tinha ido ao terreno. E o senhor ministro pode ter chegado a horas, mas chegou com uma semana de atraso.
Deu o exemplo da ministra do Ambiente que só presta declarações aos jornalistas depois de reunir com os autarcas. Naquele dia, o ministro falou primeiro à comunicação social e Ana Abrunhosa não gostou e exaltou-se: “Eu também já fui ministra e nunca fiz isto. Nunca fui a um território em calamidade que não falasse sempre com os autarcas”.
Dois dias depois da polémica, a autarca acredita que não sairá beliscada publicamente. “Não vivo para os elogios”, vincou, admitindo: “Tive uma perceção de uma situação, que depois percebi que não seria assim“. Reconheceu que “chegou atrasada” ao local onde se encontrava o ministro, jornalistas e autarcas, depois de ter estado “toda a manhã a falar com as pessoas do mercado de Coimbra que está fechado porque caíram pedras” na sequência do mau tempo.
“Cheguei atrasada, não por prazer, mas avisámos o chefe de gabinete do senhor ministro que nos disse: «Mas o senhor ministro já está a conversar com os jornalistas'”. Foi aí que o verniz estalou. “Não há conversa com os jornalistas, há uma conferência de imprensa e, quando eu cheguei, perguntei aos autarcas que lá estavam: o senhor ministro já reuniu convosco? Também perguntei aos agricultores que responderam: ‘Falou um bocadinho’. Então eu pensei: Mas vem cá fazer o quê?”.
A presidente da câmara de Coimbra garantiu não guardar “ressentimento de ninguém”. “Procuro ser frontal”, concluiu. Momentos depois da troca de galhardetes entre os dois, chegaram a consenso: “Abraçámo-nos, colocámos uma pedra sobre o assunto; eu sou assim. É isso que me permite dormir bem.” Ultrapassado o confronto público, José Manuel Fernandes acabou por “conversar com tempo com os autarcas e agricultores”, contou, adiantando que serão realizadas sessões de esclarecimento.
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