Tribunal do Porto declarou Manuel Serrão insolvente
O juiz nomeou Francisco Areias Duarte como administrador de insolvência e o prazo para a reclamação dos créditos foi fixado em 30 dias.
O Tribunal Judicial da Comarca do Porto declarou insolvente o empresário Manuel Serrão, num processo requerido pela No Less, uma das empresas que investigadas na Operação Maestro.
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“No Tribunal Judicial da Comarca do Porto, Juízo de Comércio de Vila Nova de Gaia – Juiz 4 de Vila Nova de Gaia, no dia 05-01-2026, às 10h26 horas, foi proferida sentença de declaração de insolvência do devedor, Manuel José de Valadares Souto Pinto Serrão”, lê-se na sentença publicada no Citius e já divulgada pelo Jornal de Negócios.
O juiz nomeou Francisco Areias Duarte como administrador de insolvência e o prazo para a reclamação dos créditos foi fixado em 30 dias.

Manuel Serrão é “o principal mentor” de um alegado esquema na obtenção de subsídios comunitários, segundo o Ministério Público, no qual já foi constituído arguido juntamente com António Branco Mendes da Silva, casado com a irmã de Serrão, e António Sousa Cardoso, ex-diretor-geral da ANJE.
A investigação sustenta que, pelo menos desde 2015, Manuel Serrão, António Branco e Silva e António Sousa Cardoso, “conhecedores das regras de procedimentos que presidem à candidatura, atribuição, execução e pagamento de verbas atribuídas no âmbito de operações cofinanciadas por fundos europeus, decidiram captar, em proveito próprio e das empresas por si geridas, os subsídios atribuídos à Associação Selectiva Moda e às sociedades No Less e House of Project — Business Consulting”.
Foi a massa falida da No Less que requereu a insolvência pessoal de Manuel Serrão. Segundo o Jornal de Negócios, que teve acesso à petição inicial da insolvência, Manuel Serrão assumiu como sua a dívida de 645 mil euros que o seu cunhado tinha para com a No Less, através de um contrato de assunção de dívida.
Para obter o pagamento voluntário da dívida, a empresa, “por diversos meios, interpelou” Serrão para o fazer, “não obtendo dele qualquer resposta, facto este que, por si só, indicia a sua fragilidade económica”.
“Por informação recolhida”, a massa insolvente da No Less ficou a saber que o empresário “não é titular de bens, móveis ou imóveis, que garantam o pagamento da dívida em causa, desconhecendo-se a existência de contas bancárias, ou a existência de quaisquer outros meios patrimoniais que garantam esse pagamento”.
Sublinha que o “passivo é, em muito, superior ao seu ativo”, e por isso considerou “definitiva e irrevogável” qualquer possibilidade de Serrão “garantir a satisfação do seu passivo”, pelo que pediu a sua insolvência.
Tal como o ECO já escreveu, o Estado ainda não recuperou um euro dos 41 milhões pagos indevidamente a Manuel Serrão. Este crédito está a ser pedido no âmbito do processo de insolvência da Selectiva Moda.
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