Há julgados de paz que demoram mais de um ano a resolver conflitos

  • ECO
  • 16 Agosto 2023

O prazo médio de resolução de conflitos pelos julgados de paz aumentou 39 dias em 2022 face a 2017. Juiz que lidera conselho destes tribunais diz que demora "não é compatível" com a sua razão de ser.

Embora tenham sido criados para resolver litígios de menor gravidade mais depressa que a Justiça tradicional, há julgados de paz que estão a demorar mais de um ano a resolver conflitos, noticia o Público (acesso condicionado). O julgado de paz de Cascais é um dos exemplos, tendo demorado uma média de 418 dias a resolver cada processo no ano passado, quando em 2017 lhe bastavam 117 dias.

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Os dados dos 25 julgados de paz, que abrangem 70 concelhos, constam no mais recente relatório anual destes tribunais, entregue recentemente no Parlamento. O cenário preocupa o Conselho dos Julgados de Paz, dirigido pelo juiz Vítor Gomes, que reconhece que “a demora não é compatível com a razão de ser dos julgados de paz“. Note-se que o prazo médio de resolução de conflitos chegou aos 238 dias (quase oito meses) em 2022 — cinco anos antes, um litígio demorava uma média de 199 dias a ser solucionado nestes tribunais.

De acordo com o relatório, alguns fatores para o atual estado do setor são “entraves estruturais à celeridade da marcha processual”, “dificuldade em proceder à citação” ou “limitações de acesso às bases de dados públicas para pesquisa da morada do citando”. O documento destaca também a redução da procura dos julgados de paz, que em 2022 tinham 6.577 processos findos contra 10.977 em 2012. Esta queda “aconselha medidas de divulgação, publicidade institucional e visibilidade” que o Conselho dos Julgados de Paz sugere que sejam desenvolvidas pelo Ministério da Justiça e autarquias.

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