Da descentralização ao quadro macro imprevisível, os recados de Marcelo na promulgação do OE

O Presidente da República promulgou o Orçamento do Estado para 2022, com vários avisos para o Governo, da modernização da administração pública à execução dos fundos europeus.

Marcelo Rebelo de Sousa promulgou esta sexta-feira Orçamento do Estado para 2022, avança o site da presidência. O anúncio é acompanhado de um texto onde o Presidente da República deixa vários recados ao Governo. Aponta o atraso na modernização administrativa e diz que o documento é “um conjunto de intenções”.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“O Orçamento do Estado para 2022, recebido para promulgação, padece de limitações evidentes, e, porventura, inevitáveis”, começa por apontar Marcelo Rebelo de Sousa, referindo o contexto da “pandemia a converter-se em endemia” e a imprevisibilidade do quadro económico criada pela guerra.

O Presidente sublinha, em seguida, que “o Plano de Recuperação e Resiliência só conhecerá aplicação sensível a partir da segunda metade de 2022”. Refere ainda que “a modernização administrativa, também ligada às mudanças nas qualificações, no digital e na energia, conhece um compasso de espera“.

A descentralização, que levou mesmo o presidente da Câmara do Porto a ir a Belém pedir para que Marcelo exigisse ao Governo um novo Orçamento, merece um reparo ao Governo. Escreve que a descentralização está “atrasada no seu processo, e levantando ainda questões de substância, de financiamento e de tempo e modo de concretização”.

A maior farpa é quando afirma que “o Orçamento para 2022 acaba por ser um conjunto de intenções“, “condenado a fazer uma ponte precária para outro Orçamento”, o de 2023, que espera “já possa ser aplicado com mais certezas e menos interrogações sobre o fim da pandemia, o fim da guerra, os custos de uma e de outra na vida das Nações e das pessoas”.

Apesar das críticas, o Presidente da República considera que “faz sentido promulgar e aplicar, o mais cedo possível, este Orçamento”. Refere quatro motivos, desde logo que “é preferível ter um quadro de referência, mesmo se tentativo e precário, ultimado há um mês, a manter o quadro anterior, ultimado há mais de seis meses”.

O segundo também pode ser lido como um recado: “É preferível não sacrificar por mais tempo, pessoas e famílias que estão, desde janeiro, à espera de mesmo se pequenas, mas para elas importantes, medidas sociais“.

Marcelo Rebelo de Sousa diz também que é preferível concentrar no Orçamento para 2023 “as matérias que estão ou possam estar em suspenso”, referindo-se novamente aos fundos europeus e à descentralização. Por fim, argumenta que “é referível não ficar preso ao passado – regressando a uma discussão sobre o Orçamento para 2022, um Orçamento de ponte, para meio ano – atrasando mais um mês a sua aplicação, e olhar para o futuro”.

O Orçamento do Estado para 2022, que foi originalmente reprovado em outubro do ano passado e levou às eleições antecipadas de janeiro que deram a maioria absoluta ao PS, foi aprovado em maio. O documento foi enviado esta sexta-feira para Belém, como avançou o ECO e promulgado pelo Presidente “mal o recebeu da Assembleia da República”.

Faltará assim apenas a publicação em Diário da República. O Orçamento do Estado para 2022 deverá entrar em vigor a 1 de julho, sendo executado exatamente meio ano.

O Orçamento do Estado para 2022 foi aprovado a 27 de maio com o voto favorável da maioria socialista (120 deputados do PS), a abstenção do PAN (uma deputada), do Livre (um deputado) e dos três deputados do PSD Madeira e o voto conta de todos os restantes partidos: Bloco de Esquerda, PCP, PSD, Iniciativa Liberal e Chega.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Da descentralização ao quadro macro imprevisível, os recados de Marcelo na promulgação do OE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião